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Roupa do bem: marcas que estão unindo estilo e propósito

Por Fabiana Corrêa -

Educação, proteção aos animais, defesa do meio ambiente. Não importa a sua causa, tem alguma marca por aí defendendo aquilo que você acredita. Para esses designers, uma roupa bonita não basta, o importante é unir moda a algum projeto que faça o bem. Sustentabilidade é o assunto mais comum, já que essa indústria pode ser bastante poluente. Para se ter uma ideia, só no Brasil, 170 mil toneladas de sobras de tecido vão para o lixo todo ano. Por enquanto, a maioria são grifes e lojas de produção pequena, em que os donos estão olhando tudo de perto. Tem de kimono a bermuda de praia, por isso dá pra se vestir com mais consciência não importa o seu estilo. Aqui estão algumas delas para você escolher e levantar sua bandeira.

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Catarina Mina

As bolsas coloridas da Catarina Mina não são feitas em uma fábrica, mas nas casas de mais de 30 artesãs cearenses que participam do projeto e crochetam cada peça. Assim, elas garantem uma renda mensal, mas conseguem também cuidar dos filhos e podem trabalhar em seu próprio ritmo. Celina Issa, a fundadora, queria exatamente fugir da pressa característica da indústria da moda quando começou. Catarina Mina é também a primeira marca brasileira com custos abertos - em seu site, ao lado de cada bolsa, está explicado como é composto o preço, desde o valor pago à artesã até o investimento em marketing e frete. Além disso, a Catarina Mina dá treinamento às artesãs, que produzem peças para vender na comunidade em que moram e aumentar seus ganhos.

Rua Barão de Studart, 207, Fortaleza


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Oriba

De tempos em tempos, as duas lojas da marca masculina, uma em Pinheiros e a outra nos Jardins, em São Paulo, fecham as portas e os funcionários saem para entregar centenas (ou milhares) de kits de material escolar a crianças carentes. A entrega faz parte de uma campanha permanente da Oriba no estilo One for One, criado pela marca de sapatos americana Toms, só que focada na educação, a causa abraçada por seus criadores. Toda vez que um produto é vendido, a loja se compromete a doar um desses kits para as 1200 crianças atendidas pela ONG Obra do Berço. Não é difícil contribuir: a Oriba cria peças básicas, cores neutras e tecidos naturais, bem fáceis de usar.

Rua Artur de Azevedo, 1284, São Paulo


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Ahlma

André Carvalhal não queria mais fazer moda a qualquer custo. Consciente do que está envolvido na fabricação de cada peça de roupas (uma calça jeans consome 11 mil litros de água até ficar pronta), o diretor criativo da Ahlma reaproveita tecidos usados na fabricação de parte de sua coleção, além de usar algodão orgânico em muitas das peças. Aliás, falando de coleção, a Ahlma não segue exatamente o calendário da moda, mas vai lançando peças que façam sentido a partir do clima real. Se estamos tendo um inverno quente, por exemplo, você não vai ver um monte de suéter de lã na vitrine.

Rua Carlos Góis, 208 e Shopping Leblon, Rio de Janeiro


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Insecta Shoes

Essa marca gaúcha faz sapatos veganos da sola ao cadarço. Em dois anos de existência, a Insecta reaproveitou 2100 peças de roupa, 630 quilos de tecido e 1000 garrafas PET para fabricar suas peças super coloridas. Cada um dos pares vem de tecidos reutilizados (garimpados em brechós, de uniformes antigos ou do Banco de Tecido) ou são produzidos a partir do tecido feito de plástico reciclado. As solas são feitas com borracha de sobras da indústria de calçados e a palmilha vem do que restou da própria produção da Insecta. Tem ainda mochilas que seguem na mesma pegada. A Insecta tem três lojas e pontos de venda nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha e França.

Rua dos Pinheiros, 342, São Paulo
Rua Miguel Tostes, 836, Porto Alegre
Largo dos Leões, 81 C, Rio de Janeiro


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Flavia Aranha

As roupas criadas pela estilista são sustentáveis desde a fabricação do fio. Há anos, Flavia se aproximou de comunidades que plantam o algodão, fiam e tecem em cidadezinhas pelo interior do Brasil. Suas criações têm partes feitas de tear vindas do interior de Pirenópolis (GO) e casacos criados a partir do trabalho de tecelãs de Muzambinho (MG). Essas comunidades não são apenas fornecedoras, mas parceiras de longa data. Em Urucuia (MG), Flavia ajudou a capacitar fiandeiras para que produzam não só para sua grife, mas para que vendam essa produção na região e aprendam a cobrar melhor pelo trabalho. As roupas feitas no ateliê, na Vila Madalena, são todas de tingimento natural, a partir de folhas, madeira e frutos, que não geram resíduos poluentes como os corantes químicos.

Rua Aspicuelta, 224, São Paulo


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Foto: John Joseph Estevez

Comas

A estilista uruguaia Agustina Comas faz upcycling, ou seja, aproveita produtos que foram descartados pelas fábricas de roupas e que acabariam em algum lixão. A partir dessas peças e retalhos, sua grife produz camisas, vestidos e kimonos, a maior parte em algodão e tecidos naturais. De 2015, ano de sua criação, até hoje, a Comas evitou que mais de 3 mil metros de tecido fossem jogados fora.

Rua Iquiririm, 953, São Paulo


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+Alma

Não é uma marca, mas um site que reune várias grifes de roupas, bijus e acessórios que tenham a sustentabilidade como bandeira. Veganos, fabricados sem gerar resíduos poluentes, que usem trabalho local ou material reciclável - escolha sua causa e passe o cartão. Cada uma das marcas expostas tem, ao lado das peças, um quadrinho explicando o motivo de sua presença ali, ou seja, que causa ela abraça, desde o uso de algodão orgânico e tingimento natural até uma produção cruelty-free.

Foto de abertura: John Joseph Estevez. Modelos: Marti Baldomi, Canu Soler e Elisa Montauto