diversão & arte

Olhe pro céu: a arte de apreciar as nuvens

Por Mariana Caldas -

“Minha mãe estava me levando para escola de carro um dia, eu tinha uns quatro anos, olhei para fora da janela e vi raios de sol saindo de trás de uma nuvem fofa. E talvez pela primeira vez, pensei “o que é isso? Do que é feito, por que é lá em cima e como seria a sensação de sentar nela?.”Gavin Pretor-Pinney é o fundador da Cloud Appreciation Society, ou Sociedade dos Apreciadores de Nuvens, em uma tradução livre, que hoje já conta com mais de 37 mil amadores ao redor do mundo.

Nos últimos 10 anos, Gavin lançou três livros best-sellers. Sua palestra inspiradora noTED teve mais de um milhão de visualizações.E não tem mistério para o seu sucesso.O que ele defende é muito simples. Não precisamos fazer uma viagem exótica para buscar inspiração. “Basta olhar para cima.”

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“Se você muda um pouco a sua perspectiva sobre o perene pano de fundo da sua vida é fácil ver o belo, o surpreendente e o exótico nas coisas que acontecem todos os dias em torno de você”, contou Gavin em uma entrevista revista Kinfolk. “Também é bom para a sua alma e para sua saúde poder desviar a atenção da lista dos afazeres de sempre. Agora, além das nossas tradicionais obrigações diárias, também temos a pressão do mundo digital, que nos traz a sensação de que deveríamos estar fazendo alguma coisa o tempo inteiro. A apreciação de nuvem é valiosa porque legitima o fazer nada.”

Para Gavin, mais do que tudo, apreciar as nuvens o ajuda a se desvencilhar das pequenas tensões de todo dia. “Quando você deixa a sua mente livre para andar sem destino,vocêcomeça a fazer conexões criativas.Quando estou muito focado no objetivo, as nuvens me lembram o valor do processo. Elas estão para sempre em processo, em perene mudança. Hoje em dia nem tiro mais fotografias, prefiro aproveitar um belo céu, valorizá-lo e em seguida, deixá-lo ir.”

E não tem segredo, regra ou roteiro. “Ser um apreciador de nuvens é uma atitude. É uma questão de estar preparado para viver um momento de pausa, e parar de fazer qualquer coisa que o esteja pressionando naquele instante, quando notar alguma coisa interessante no céu. Eu tenho duas filhas, uma de 5 e outra de 8 e se uma delas me diz “pai, olha o sol”, é muito fácil dizer ‘sim, vou só mandar um e-mail antes.’ Não é sobre ter uma rotina, é sobre estar preparado para parar qualquer coisa que pareça urgente agora e aproveitar o momento.”

Tá aqui ainda? Corre e olha o céu.

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