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Alain de Botton revela a verdadeira razão de viajarmos

Por Ricardo Moreno -

Alguns anos atrás, ganhei de presente a primeira edição do livro “A Arte de Viajar”, do Alain de Botton. Antes, ele já havia colocado nas prateleiras título que eu viria a ler mais tarde, a exemplo de “Ensaios de Amor” e “Como Proust Pode Mudar Sua Vida”.

Mas foi com a “Arte de Viajar” (2002) que meu amor e minha admiração pelo filósofo suíço nasceram. Até porque sou um obcecado por viagens: não só pelos destinos 400, mas por todo o seu planejamento, aeroportos inclusive – adoro filas de check-in, salas de embarque, cheirinho de free shop, comissárias mal-humoradas, turbulências, a sensação do trem de pouso deixando o solo para, horas depois, tocar novamente, a milhares de quilômetros dali.

E é examente esse o mote do livro. Por que nos animamos tanto ao planejar uma viagem mas, não raro, nos decepcionamos profundamente pela realidade concreta?

Idealizar é muito mais prazeroso, fácil e amplo do que realizar. E a realidade, como sabemos, não é um terreno tão fácil de caminhar como aquele que idealizamos e sonhamos.

Viajar é a mesma coisa.

E pelo jeito não sou só eu um entusiasta deste livro – e de Alain.

Tanto que está saindo lá fora uma nova versão da obra, agora rebatizado de “The New Art of Travel”, em parceria com o Airbnb e a Penguin Book. Ainda não há previsão de lançamento no Brasil, mas não deve demorar para sair pela Intrínseca, uma das editoras no país que publica as obras dele.

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Nesta nova edição, além de um prefácio escrito por Brian Chesky, co-fundador do Airbnb, e uma inspiradora introdução assinada por Alain, também há um novo capítulo. Intitulado “A Psychological Atlas”, nele Botton elenca oito sintomas ou sensações presentes em nossas vidas e discorre de lugares que, em sua opinião, ‘casam’ com eles. Ei-los:

Pefkos Beach, Rhodes, Grécia

Descontentamento: Comuna 13, San Javier, Medellín, Colômbia

Inibição: Corner shop, Kanagawaken, Yokohama, Japão

Esnobismo:Pumping Station, Isla Mayor, Sevilha, Espanha

Impermanência:Eastown Theatre, Detroit, EUA

Reflexão: Capri Hotel, Changi Airport, Singapore

Relacionamentos:Cafe de Zaak, Utrecht, Holanda

Estresse: Western Australian Desert

E para nos ajudar na guerra idealização x realização, Alain nos dá dicas óbvias mas raramente levadas a sério para depois que a porta do avião se abrir para o novo.

Ele insiste em procurarmos o nosso próprio caminho ao invés de pautarmos nossos próximos dias em dicas dos guias de viagem ou nos perdermos no meio das hordas de turistas que zanzam, normalmente juntos, pelos mesmíssimos lugares.

De deixarmos um pouco de lado museus e monumentos. E começarmos a redescobrir o nosso desejo instintivo em criar relações humanas, reais e genuínas, imergir entre pessoas locais, deixar-se levar pelo caminhar sem destino e vivenciar a cultura em seu sentido mais verdadeiro.

Porque viajar, na verdade, nunca é exatamente para onde você está indo. Mas a pessoa que você se torna quando está voltando, nas palavras de Chesky.

Em tempo: Alain é um dos fundadores da The School of Life, que agora funciona a todo o vapor no Brasil também, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Leia, abaixo, a introdução de Alain.

E você pode ler o prefácio e a introdução completos neste link. E o novo capítulo, “A Psychological Atlas”, aqui. Tudo em inglês.

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