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André Carvalhal: de corpo, mente e a(h)lma numa jornada fashion consciente

Por - 12/05/2017

Nasceu nesta quarta-feira, 10 de maio de 2017, às 18h09, de parto normal, a marca cuja guarda é totalmente compartilhada: a AHLMA.

Carioca como o homem que a trouxe ao mundo, André Carvalhal, a grife foi moldada a um corpo disposto a mudar – não de tamanho e contornos, mas crenças e práticas.

Os traços agêneros, os tecidos sustentáveis e a pegada lowsumerism deixam evidente a ascendência da AHLMA – é herdeira de quem há anos se renova: Carvalhal deixou o posto de gerente de marketing e conteúdo da Farm em 2016 para se dedicar exclusivamente ao projeto MALHA, um galpão no bairro carioca de São Cristóvão voltado para a moda colaborativa e que serve de palanque e ponto de encontro a stylists, estilistas, fotógrafos, formadores de opinião e simpatizantes.

Nesse tricô de talentos e oportunidades, Carvalhal costurou suas experiências e revoluções à linha criativa de Rony Meisler, o nome por trás da Reserva.

Juntos, estamparam a visão de um mundo melhor em uma marca unificada, a AHLMA, que quer ser ponte em um mundo dominado por muros.

Acompanhe os melhores momentos da conversa que tivemos com o André.

Para apresentar a Ahlma ao mundo, você deu a letra e o mapa astral da marca (“nasceu sob a lua de buda, o signo de touro, a regência de saturno e tendo a onda de aquário como símbolo”). Foi mera coincidência ou vocês levaram em conta a astrologia mesmo?
Foi caso pensado mesmo, porque a astrologia fala de conexão. Constelações, luas, marés… tudo é uma rede; tudo faz parte e tudo conta. Na Ahlma é assim também, tudo e todos conectados. Sempre. Na quarta (10/5) fizemos uma cerimônia na Índia, com monges. E na noite desta quinta (11/5) mostramos um pouquinho desse ritual numa festa para convidados no Solar dos Abacaxis, no Rio. Além disso, não temos pressa: um dos nossos lemas é respeitar o tempo – de cada um e de cada coisa.

Nem de lançar coleções?
Sobretudo disso! Percebemos que o tempo e o clima não seguem mais um calendário fixo, então nos propomos a fazer peças não datadas para acompanhar essa eterna fluidez.

E isso gera mais estresse para você, que é diretor criativo da marca?
Sou diretor co-criativo, porque muita gente anda ao meu lado nesse processo de criar. Quanto ao estresse, pelo contrário, a colaboração e o descolamento de normas e datas são libertadores.

Por que você acha que as empresas de moda estão trabalhando tanto para ser mais sustentável e conscientes?
Porque além de inspirar, a moda tem também que refletir o comportamento das pessoas. Estamos falando de novas formas de morar, de trabalhar, de se alimentar e de consumir, então a moda precisa acompanhar esse fluxo também.

Um ponto sempre sensível em relação às marcas que praticam o bem é a questão do preço. Como a Ahlma vai trabalhar com isso?
O fato de trabalharmos com tecidos excedentes e de reuso nos permite equilibrar a matemática toda, porque isso nos dá a chance de equiparar as cifras de peças naturalmente mais caras, como as feitas com algodão orgânico, por exemplo.

E é verdade que o lookbook da Ahlma não vai ter o foco nas roupas?
Nosso primeiro lookbook não quer comunicar o produto que estamos vendendo, mas o nosso propósito e os nossos valores, que são mais importantes que qualquer etiqueta.

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