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Belo Horizonte e arredores: aula de culinária no Mercado Central

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Por Fernanda Nascimento -

A cozinha mineira é uma tradição tão rica que há quem pense num prato de vaca atolada ou no frango com quiabo antes de se lembrar de qualquer outro ponto turístico de Belo Horizonte. Talvez seja por isso que o Mercado Central é um dos lugares mais procurados por quem visita a cidade. Nas 400 lojas espalhadas pelos corredores do enorme galpão no Centro da cidade estão dispostas montanhas de queijos da Serra da Canastra, bacias com doces de leite das mais diferentes tonalidades e, claro, todos os ingredientes para tirar do forno um verdadeiro pão de queijo mineiro.


Mas desde o ano passado, não são só os ingredientes e os restaurantes que traduzem a culinária mineira por lá. Em outubro, o andar superior do Mercado ganhou a Cozinha Escola Mineiraria, um espaço para chefs ensinarem o que têm de mais precioso: suas receitas. Nas aulas gratuitas que acontecem três vezes por semana, de quarta a sexta-feira, há sempre um cozinheiro diferente atrás da bancada. Com lápis e papel na mão, os 20 alunos assistem à lição com água na boca – e ainda podem degustar o prato no final.

Mercado Central
Foto: iStock/BrasilNut1

O chef Ilmar dos Santos é um dos professores que costumam levar seus pratos para a Mineiraria. Dono do Casa Cheia, um dos restaurantes mais tradicionais do Mercado Central, ele aprendeu com a mãe as técnicas na cozinha e as receitas tipicamente mineiras. O porconóbis de sabugosa é uma delas e o prato com costelinha, linguiça calabresa, milho verde e ora-pro-nóbis já esteve entre as aulas da cozinha escola. “Não existe essa história de segredo. Eu gosto de passar a receita, de ensinar. Tenho um prazer enorme em ver as pessoas degustando”, diz Ilmar. Se existe um segredo nos pratos do chef é o tempero do Bigode, que ele compra numa das lojas do Mercado para temperar carnes como os cortes de porco que arremata de um vendedor que atende no corredor ao lado. “Tem um slogan que diz: se você está procurando, vai no Mercado e você acha”, conta. “Aqui você consegue ver o que realmente é a cultura mineira”.

Quando foi inaugurado, em 1929, o Mercado Central abastecia os 47 mil habitantes de Belo Horizonte. Há cinquenta anos, quando a Prefeitura decidiu fechar as portas do galpão, os comerciantes criaram uma cooperativa para manter o espaço funcionando. Conseguiram investimentos privados e o Mercado se transformou num dos principais pontos turísticos da capital. Hoje, mais de 1 milhão de visitantes passam por lá todos os anos.

Mercado Central
Fotos: Giovanni Bello