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Casapueblo: o ninho de verão de Vilaró é pura sinestesia

Por Mariana Caldas -

É engraçado como a maioria das coisas inesquecíveis que vivemos na vida simplesmente não estavam programadas. Casapueblo nunca esteve nos meus planos, mas foi um dos encontros mais arrebatadores que eu já vivi.

Foi de um dia pro outro que meu pai decidiu que queria passar o seu aniversário em Punta Del Este, uma ponta onde o mar encontra o Rio de La Plata, no delicioso Uruguai. E o seu presente seria a minha companhia na sua cidade preferida. É claro que eu fui. Já fazia tempo que a gente planejava esse momento, mas nunca dava certo.

E assim, não mais que de repente, já estávamos a caminho de Montevidéo, com uma sensação deliciosa de que não gostaríamos de estar indo para nenhum outro lugar.

3Fotos: Mariana Caldas

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Punta Del Este é, antes de qualquer coisa, um charme puro. De um lado o vento bate poderoso no mar, do outro a placidez do rio de La Plata acalma. No recheio deste caminho, palmeiras e casinhas deliciosamente projetadas para estarem à beira-mar fazem o passeio ser ainda mais pitoresco.

No último dia decidimos tentar ir até Casapueblo, a cidade-escultura do multiartista uruguaio Carlos Paéz Vilaró, construída em uma encosta arrebatadora em Punta Ballena.

Conseguimos um tour que passava por alguns pontos turísticos e terminava o dia no ninho de verão de Vilaró, que hoje em dia é um museu + galeria de arte + hotel. Eu já tinha ouvido falar sobre tudo aquilo, mas estava tudo rolando tão suave nos nossos dias uruguaios, que eu simplesmente estava muito de boa para ter qualquer expectativa boa ou ruim quando saímos para a nossa aventura turística por Punta e arredores.

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Mas Casapueblo é uma experiência que a gente só entende quando vive. Dessas que não podem simplesmente ser descritas porque precisam ser sentidas. E você não precisa ter nenhuma relação de devoção com a arte ou a persona de Vilaró para sentir a sua alma respirando em cada pequeno detalhe dessa casa-museu-escultura que foi criada com um carinho infinito, em homenagem ao sol, que se despede naquela costa, todos os dias.

Mas é quando o sol começa a se pôr e a voz de Vilaró invade a tarde e o nosso coração, declamando um dos poemas que fez sobre o seu amor e devoção ao astro rei, que tudo fica ainda mais inexplicável.

Foi um susto doce e tão poderoso ver a luz do sol se despedir de mais um dia ao som da voz de veludo de Vilaró, que eu só desejo que você também possa viver toda essa sinestesia um dia.

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Adiós Sol…! Mañana te espero otra vez. Casapueblo es tu casa, por eso todos la llaman la casa del sol. El sol de mi vida de artista. El sol de mi soledad. Es que me siento millonario en soles, que guardo en la alcancía del horizonte.