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Cerâmicas artesanais cheias de charme e feitas por mulheres

Por Bruna Tiussu -

Um tanto de criatividade, boa dose de paciência e muito trabalho. É assim que essas cinco mulheres talentosas vêm transformando a cerâmica em ganha-pão. Depois de se apaixonarem pela técnica, aumentam a leva de ceramistas que hoje produzem para lojas de decoração e restaurantes – dos sofisticados aos moderninhos, muitos deles com linhas exclusivas para suas mesas. Colocando a mão na massa, literalmente, fazem peças elegantes e funcionais, como pratos, bowls e jarras. É a característica artesanal que fez com que a cerâmica roubasse o lugar da louça tradicional nesses endereços e ganhasse espaço em mesas e vitrines Brasil afora.

“Sofia
Foto: Naira Mattia

Sofia Oliveira

Apesar da formação em publicidade, Sofia sempre soube que aquele não era o seu mundo. Foi tentando cursos aleatórios — jardinagem, compostagem, agricultura orgânica —, até se encontrar na cerâmica. “Ainda que eu não seja das artes (ao menos não era), apaixonei-me de cara”, conta. Tanto que foi a Paris estudar a técnica a fundo, deu adeus à publicidade e fundou a Olive Cerâmica, em 2015. “Empreender é desesperador, tudo é novo. Mas quando você se adapta, vira puro prazer”, diz ela, que neste mês estampa a capa da revista inglesa Courier. Todos os dias, Sofia produz alguma peça em seu ateliê, em Pinheiros, para clientes grandes, como restaurantes, e outros individuais. Além do e-commerce, suas canecas, copos, vasos e combucas são encontrados na Collector, em São Paulo, na Pluri, no Rio, e até na Nous, em Paris.
oliveceramica.com.br
@oliveceramica


Renata Miwa
Foto: Júlia Rodrigues

Renata Miwa

A designer se interessou pela arte quando conheceu a artista francesa Nathalie Choux, cujo trabalho une cerâmica e ilustração. Fez seu primeiro curso em Nova York, em 2013, e algum tempo depois resolveu começar a dar vida às suas próprias criações. Fã do processo analógico por trás do trabalho, faz potinhos “imperfeitos” à mão e utiliza torno manual apenas para auxiliá-la no acabamento. “O que mais gosto é colocar a mão na massa, não depender da internet. Em minha produção só uso a internet para pesquisar e colocar os produtos à venda depois”, diz. Seus pratinhos, cinzeiros e vasos cheios de cor (na foto de abertura deste post) podem ser adquiridos em sua loja online e nas principais feirinhas de São Paulo, onde Renata sempre marca presença.
loja.renatamiwa.com
@renatamiwa


Fernanda Giaccio
Foto: Divulgação

Fernanda Giaccio

A criação da marca Noni SP, em 2014, marcou a decisão de Fernanda de tentar fazer da cerâmica o seu ganha-pão. Dois anos mais tarde, alcançou o objetivo: deixou o trabalho em agência — é formada em desenho industrial — para mergulhar exclusivamente na produção dos mais delicados utensílios, de xícaras a jarras, passando por vasos e pratos. Usa muitas referências do design e do próprio material com o qual trabalha e tem um método um tanto meticuloso na hora de criar: “Não faço nenhuma peça solta. Elas estão ligadas, têm uma lógica”, explica ela, que vende pelo seu site e em lojas como Casa Diária, Uma, Galeria Nacional e Takko Café, entre outras. No ateliê instalado na Pompeia, também dá oficinas e workshops para quem também quer se aprofundar na técnica.
nonisaopaulo.com
@nonisaopaulo


“Danielle-Yukari”
Foto: Divulgação

Danielle Yukari

Deixou de lado a carreira de estilista — estudou desenho de moda e trabalhou por três anos numa marca feminina — para investir na produção de utilitários e objetos de cerâmica. Mas não abandonou completamente o mundo fashion: “A moda ainda tem uma grande influência no meu olhar, assim como a fotografia, o cinema, a música e a performance”, conta. No ano passado, Danielle trocou São Paulo por Los Angeles, cidade que também tem inspirado suas criações. Apesar da mudança, as lojas Galeria Nacional e Heloisa Faria continuam vendendo seus trabalhos. E uma coleção de peças exclusivas é encontrada no Estúdio Grevílea.
danielleyukari.com
@danielle.yukari


Natasha Weissenborn
Foto: Divulgação

Natasha Weissenborn

Bem virginiana, a designer encontrou na cerâmica uma espécie de terapia diária. “Lidar com um processo em que você não tem o controle de tudo, em que cada etapa tem o seu tempo, é um aprendizado para a vida”, diz ela, que fundou a Capotinhos. Artista do tipo “aberta ao acaso”, Natasha gosta de combinar o trabalho no torno com o manual, fase em que de fato decide a personalidade de cada peça. Produz vasos, potes, canecas e pratos no ateliê que se espalha pelo seu apartamento. “Na varanda fica o meu torninho. No escritório, a mesa em que amasso, aperto e colo as partes. E na lavanderia está o forno, onde costumo esmaltar as peças, já que faz uma baguncinha”, explica. Parte da coleção da marca está disponível online e também é possível conhecê-la nas feiras de São Paulo, como Jardim Secreto e Fêra Féra.
capotinhos.iluria.com
@capotinhos

Foto de abertura: Cerâmicas de Renata Miwa/Divulgação