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Bikes e minas: tem cada vez mais mulher pedalando em São Paulo

Por Fabiana Corrêa -

Tem cada vez mais bicicleta no Brasil. Seja nas ciclovias, nas estradas, nas montanhas. Nesse ano, devem ser quase 100.000 bikes a mais circulando por aí. E, muitas delas, quem vai estar guiando é uma mulher. As minas estão tomando conta desse rolê – também. No ano passado, quando começou a oferecer treinos de ciclismo só para mulheres, Gisele Gasparotto, da escola LuluFive, tinha cerca de 15 alunos. Hoje já são 37. “A gente prevê 50 alunas até o fim do ano, todas com foco em melhorar a performance”, diz Gisele, que tem um time de ciclismo de estrada e compete na categoria Elite. Toda semana, ela se reúne com sua turma na ciclovia da Marginal Pinheiros, em São Paulo, um dos locais preferidos pelos grupos de ciclismo de estrada para fazer os treinos. No próximo dia 8, às 19h, Gisele - com a equipe LuluFive, participa do bate-papo "Mulheres e Ciclismo" promovido pela Mistubishi e pela Shimano no Shopping Iguatemi JK, em São Paulo.

Gisele Gasparotto da LuluFive
Gisele Gasparotto, criadora da escola LuluFive | Foto: Divulgação

Quando criou sua escola, a Ciclofemini, em São Paulo, há oito anos, Claudia Franco era a única professora – e atendia apenas mulheres. Hoje, são quatro treinadores e alguns horários têm lista de espera. Com o tempo, as alunas começaram a trazer família e amigos, então a Ciclofemini virou uma escola mista. Mas, dos 10 mil ciclistas que já passaram por ali, 80% é do sexo feminino – algumas delas fazem parte do Malha Rosa, o grupo de ciclismo organizado pela escola. “Temos cursos de cicloviagem, de pedal urbano, de mecânica básica, principalmente frequentados por mulheres de 35 a 55 anos".

Ter algumas ciclovias a mais na cidade, aluguel de bikes e pistas exclusivas para pedalar no final de semana ajudou a aumentar a presença feminina sobre as duas rodas. “As mulheres estão se incentivando a pedalar. Se sentem mais seguras com as ciclovias, levam os filhos na cadeirinha. Essa é uma boa mudança no cenário da cidade, mostra que está mais amigável", diz Claudia Franco.

Las Magrelas
Um lugar onde essa galera costuma se reunir, o bar e bicicletaria Las Magrelas, em Pinheiros, tocado por cicloativista Talita Noguchi | Foto: Instagram/@lasmagrelas

A marca de bikes Specialized também contribuiu para esse aumento do número de mulheres no esporte, já que criou um grupo de 22 embaixadoras para promover eventos, inspirar outras ciclistas em potencial, organizar provas só para elas. Uma das embaixadoras, a designer Renata Mesquita, criou o Pelotão das Minas, um grupo de pedal que chega a reunir 90 pessoas na estrada. “Quando montei o grupo, não tinha nada especialmente feito pra gente. Em dois anos, ao menos 180 mulheres passaram por ele” (veja aqui o perfil que fizemos dela).

Adriana Vojvodic, criadora do Canela
Adriana Vojvodic, criadora do Canela | Foto: Canela.cc / Diego Cagnato
Renata Mesquita, do Pelotão das Minas
Renata Mesquita, do Pelotão das Minas | Foto: Vicente França

No começo de 2016, a advogada Adriana Vojvodic deu um tempo do trabalho, passou a pedalar cada vez mais e criou o blog Canela, com dicas e notícias do mundo das bikes voltadas só para as minas. “Não havia nada dirigido ao ciclismo feminino, então a gente criou rapidamente uma comunidade em torno. Tinha uma demanda reprimida mesmo”, diz Adriana, que começou a falar de assuntos que não ouvia na academia ou nos treinos mistos. "Os hormônios, o ciclo menstrual, a musculatura. Tudo isso tem um efeito diferente quando você está em cima da bike", diz.

Nessa comunidade, Adriana fez amigas e acabou organizando as Escapadas, grandes grupos de mulheres que pedalam pela estrada e passam por cidadezinhas do interior. “Fui a lugares em que eu enxergo a paisagem de outra maneira. Conheci pessoas que eu nunca teria contato de outro jeito. Não fosse pela bike, eu não estaria lá. Ela me abriu muitas portas".

Foto de abertura: Escalada da Mantiqueira | Crédito: Diego Cagnato/Canela.cc