Música

“Subbacultcha”, o radar mais potente da cena underground de Amsterdã

Por - 6/06/2017

Quem já flanou pelas labirínticas ruas e vielas de Amsterdã, seja no turístico e libertino Red Light District, seja em algum bar badalado do De Pijp, certamente já se deparou com algumas publicações independentes distribuídas gratuitamente nas calçadas e entradas de estabelecimentos. Fundada em 2005, a “Subbacultcha” é uma das mais famosas bíblias da comunidade underground da capital holandesa, com pautas inusitadas, improváveis e vanguardistas no campo da arte e principalmente da música alternativa, além produzir de eventos culturais, curar exposições de arte e ainda ter um programa semanal na Red Light Radio. Conversamos com Loes Verputten, uma das sócias, sobre a nova cena do mercado editorial. Para entrar no clima, pegue os fones de ouvido e dê o play aqui para ler nosso bate-papo.

Por que as revistas ainda são importantes?
As revistas sempre ajudaram as pessoas a entender a cultura e a sociedade. Agora, mais do que nunca, em uma era digital de informações ilimitadas, revistas selecionam e criam foco em temas, temas, opiniões políticas e tendências – e se você tiver sorte, ainda o fazem lindamente. É uma forma de cura que pode ter um novo significado no mundo global de hoje. Achamos que as pessoas apreciam o fato de que as revistas impressas têm limites rígidos (tamanho, contagem de páginas, etc.) e que é um produto final que você pode pegar. Todos sabemos a sensação de ser sugado pela internet. Antes que você perceba, perdeu 2 horas e clicou em duzentas coisas diferentes. As revistas te oferecem cultura contemporânea em doses saudáveis. O fato de os publishers terem de tomar essas decisões significa que o produto final é totalmente intencional, com um verdadeiro raciocínio por trás de cada escolha, tentando contar uma história e ajudar a ampliar a sua perspectiva. A “Subbacultcha”, por exemplo, nos permite conversar com nossos membros e leitores, apresentá-los a músicas interessantes e artistas que ainda não ouviram falar e também discutir o mundo em que uma música está emergindo. Ele também nos permite usar música, fotografia, tipografia e palavras escritas para falar sobre política de identidade, paixões, obstáculos e tudo de que a vida é feita.

Revistas como nós conhecíamos são cada vez mais irrelevantes. Que tipo de publicação você acredita que sobreviverá no futuro?
Revistas que iluminam, inspiram e educam. Revistas que refletem o mundo para seus leitores, que relatam cultura e ajudam as pessoas a tomar suas decisões. Revistas que entendem sobre o que as pessoas se importam e entregam um belo produto final.

Onde você gostaria de estar daqui a dez anos, como editora?
Uau! Essa é uma boa pergunta… Esperamos que ainda façamos o que fazemos de melhor, de uma forma que combine com o tempo. Apresentando aqueles “tesouros” daqui a dez anos, mas antes que alguém tenha tido o prazer de ouvir suas músicas.

As revistas podem fazem uma real diferença no mundo, assim como os livros?
Definitivamente. Somos criaturas sociais, e as coisas que lemos – de onde obtemos nossas informações – moldam como olhamos para o mundo e como agimos. Revistas que provocam perguntas e valores e esperanças são revistas que podem ajudar a moldar os mundos de seus leitores.

Além da revista, o que mais vocês fazem na “Subbacultcha”?
Tudo o que fazemos é deixar nossa comunidade, formada por pessoas progressistas, de mentes globais, criativas, fazer o que fazem de melhor. É por isso que a “Subbacultcha” pode ser melhor descrita como uma plataforma de música baseada em Amsterdã. Nós produzimos shows, festas em clubes e exposições, fazemos uma revista, um programa de rádio on-line (na Red Light Radio), estamos na internet e em Amsterdã. A assinatura da “Subbacultcha” significa que você se inscreve por 8 euros por mês e pode ir para todos os nossos mais de 20 eventos mensais em Amsterdã e Roterdã. Também significa que você, querido membro (você sabe quem você é), nos permite ser uma plataforma independente. Nossa revista existe para apresentar todos os nossos leitores, membros locais e seguidores internacionais, a novos artistas, rótulos, zines, estações de rádio. Não só é uma plataforma para músicos emergentes, a revista também mostra o trabalho de talentosos jovens escritores, fotógrafos e ilustradores. A revista impressa é gratuita, cobramos apenas os custos de transporte internacional, e on-line também na faixa e na íntegra, no Issuu.

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