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Coworking camp: um convite para trabalhar em meio à natureza

Por Fabiana Corrêa -

Oito horas para trabalhar, oito horas para dormir e mais oito horas para fazer o que você quiser. Era essa a proposta de divisão do tempo quando recebi o convite para a quarta edição do Coworking Camp, uma espécie de filial rural dos espaços de trabalho que se espalham pelas cidades – mas que vai muito além de uma mesa com conexão de internet rápida.

São 8 dias de imersão em uma fazenda de café do século 19, a Santa Esther, com atividades corporais, conversas, performances, tempo para se conectar com o que importa. Aliás, esse é o tema do evento, conexões. “Pode ser conexão com outras pessoas, consigo mesmo e com a natureza. Trabalhamos nessas esferas”, me explicou Caio Werneck, co-fundador da Onda, a empresa de design de experiências que criou o projeto.

Falando em conectar, logo de cara conheci a Ana Luiza, a Débora e a Laura, outras três participantes que me deram carona até o lugar do evento, que fica em Amparo, a 2h30 de São Paulo. Fomos apresentadas pelo Bruno Paschoal, dono da fazenda e um dos fundadores da Onda. Bruno mora por lá e conhece cada detalhe da rotina. Na chegada, nos levou para um tour passando pelo lago com patos, pelo galinheiro e terminando no riacho. "Nós tínhamos ovelhinhas, mas eu vendi faz pouco tempo", ele vai contando.

Coworking Camp
foto: Diego Carvalho

O dia começa cedo. Você pode ajudar o seu Manoel a ordenhar as vacas às 7h da manhã e, em seguida, fazer uma prática corporal no meio do gramado. Quando chega a hora do café da manhã, às 8h30, muita coisa já aconteceu e estou faminta. Boa parte da comida, um dos pontos altos do dia, é colhida e produzida por aqui. Mais local, impossível. Ah, e cada um lava a sua louça.

Ainda que você tenha que trabalhar (meu caso), o tempo passa de outro jeito. Depois da primeira roda de conversa, vou responder emails. Pego um lugar na mesa da cozinha aberta para o mato e trabalho olhando as árvores balançando em volta. Em seguida, em vez de um cafezinho, o que seria um break comum no escritório, fiz uma caminhada e tirei um tempo na cachoeira. Voltei pronta para uma segunda rodada.

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Dá para trabalhar em vários pontos da fazenda. A sala do co-working propriamente dito, um dos cômodos do casarão principal, é muito silenciosa. Você tira os sapatos para entrar e, se tiver que atender o telefone ou conversar, é recomendado que vá para o saguão. De vez em quando, um trator passa para quebrar o silêncio e, algumas vezes ao dia, um sino toca anunciando que é hora da refeição ou de alguma atividade. Juliana Costa, a outra sócia da Onda e uma super anfitriã, está sempre por perto para lembrar você do que não dá pra perder, caso você mergulhe no seu notebook.

Coworking Camp

Cabe muita coisa em 24h – e esse é um dos principais aprendizados de se participar do Coworking Camp. Ver que, quando a gente não perde tempo no trânsito ou com um monte de reuniões, dá até para fazer uma paradinha e cuidar da horta no meio da tarde. Sendo assim, fui arrancar ervas daninhas e cobrir a terra junto com a Mariana, que cultiva as verduras e legumes usados na cozinha.

Os dias são encerrados com um jantar delicioso e uma performance. A da segunda-feira, que eu assisti tomando uma taça de vinho, foi o show lindo do Duó Szábok, formado pela violinista Catarina Schitt e pela cantora Bruna Lucchesi, na capela, que eu tinha conhecido durante o almoço.

Coworking Camp

Bruno e Caio se encontraram cursando mestrado em políticas públicas na Hertie School, em Berlim, e viram que poderiam unir os objetos de estudo: ecovilas e espaços de co-working. Juliana Costa trouxe sua experiência em RH e em gerenciamento de grandes eventos e a designer (e cozinheira) Bárbara Marra cuida da experiência gastronômica do evento – o que não é pouca coisa. Pensando em uma maneira de trabalhar que fizesse sentido para a geração de nômades digitais, os quatro sócios criaram o Coworking Camp e dividem o trabalho por aqui.

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Quem quiser participar ainda tem tempo. A programação vai até 15 de abril e dá para passar o dia (por R$ 150 com 3 refeições incluídas), pernoitar (por R$350 com 5 refeições), ou ainda ficar um pouco mais. A acomodação é em dormitórios duplos ou coletivos – você divide um quarto grande e também o banheiro, que fica do lado de fora da casa principal.

Na agenda (que você pode conferir aqui), nada é obrigatório, mas durante essa semana é possível participar de uma conversa sobre sexualidade com Mayumi Sato, da rede de encontros Sexlog, ver uma palestra sobre construção de comunidades por Nátaly Bonato, do WeWork, workshops, pocket shows no fim da noite e de prática de ioga pela manhã.

Coworking Camp, de 8 a 15 de abril, Fazenda Santa Esther, Amparo (São Paulo)

foto de abertura: Diego Carvalho