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Felipe Brandão, do Legits, quer criar o Hypebeast brasileiro

Por Fabiana Corrêa -

Nesse momento tem alguém, em algum lugar do globo, disputando um moletom box logo da Supreme à venda em um grupo fechado do Facebook. Em alguma loja da Adidas mundo afora, tem gente brigando pelo primeiro lugar na fila para levar pra casa o novo Yeezy. Botar uma peça de streetwear hypado no guarda-roupa não é para os fracos. Nem para quem está com a conta negativa: os tênis, que custam em torno de 1000 reais nas lojas originais, triplicam de preço quando passam para segunda mão. Um moletom Bape chega aos 3000 reais nos sites de segunda mão tranquilamente. E não fica muito tempo online.

Fotos: Divulgação

O carioca Felipe Brandão, de 31 -anos, percebeu isso – ele mesmo é um frequentador dos tais grupos e das tais filas, e resolveu fazer dinheiro reunindo e organizando os itens mais desejados do streetwear mundial no Legits, um marketplace de revenda de produtos hype. Em 2017, tinha acabado de voltar de um programa de imersão para empreendedores no Silicon Valley – e resolveu botar a ideia antiga de pé. “Não tinha nada parecido por aqui, então enxerguei um mercado que eu já conhecia por consumir esse tipo de roupa e de cultura há tempos”.

Coleção NHU NMD TR Pharrell Williams x Adidas

No final do ano passado, Felipe se juntou a um amigo e pediu para que ele desenvolvesse um site simples, onde pudesse vender as peças de streetwear – ele tem muitas – que não queria mais usar. E onde os usuários dos grupos do Facebook que ele fazia parte pudessem revender e comprar os tênis e roupas que esgotam em minutos nas lojas ou sites oficiais de marcas como Bape, Supreme, Adidas ou Balenciaga.

No Legits, boa parte das peças é nova: tem muita gente que compra só para botar à venda no momento seguinte. Mas dá pra comprar também roupas e tênis (pouquíssimo) usados ou raros, que tiveram edição limitada e viraram item de colecionador. "Convidei os vendedores que sempre tinham coisas de qualidade e legítimas”, conta. Felipe também enviou algumas de suas roupas, junto com uma camiseta de sua marca, para que rappers com muitos seguidores se fotografassem vestindo e falassem do Legits nas redes.

supreme Legits

Deu certo. O negócio começou a ficar sério do mesmo jeito que o streetwear, que hoje é assinado pelos mesmos nomes que fazem alta-costura ou pelas celebridades como Pharell Williams e Kanye West. Nesse ano, o Legits ganhou um investidor que vai possibilitar ampliar o alcance com notícias do universo streetwear e resenhas de produtos. “O próximo passo é fazer uma super seleção de vendedores e transformar o site em um ponto de encontro sneakerhead”, diz Felipe, sonhando com uma espécie de Hypebeast local, ao som de Travis Scott.