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Get inked: nosso guia com os melhores tatuadores de L.A.

Por Eloá Orazem -

Às vésperas da estreia de Batman vs Superman, o Homem-Morcego, interpretado por Ben Affleck, acaba de perder o seu primeiro round. O ator e diretor americano foi saco de pancada (e de piada) de suas Jennifers – Garner e Lopez, ex-mulher e ex-namorada, respectivamente, por conta de sua nova tatuagem.

Há alguns meses, Ben foi flagrado em Los Angeles com as costas à mostra, ostentando uma fênix supercolorida e de gosto duvidoso. O desenho nada discreto teve reação à altura: em sua participação no programa Watch What Happens Live, Jennifer Lopez comentou que a tatuagem do ex ficou horrível, enquanto Jennifer Garner, em entrevista à revista americana "Vanity Fair", também fez piada sobre a escolha da arte nas costas de Ben e ainda pontuou – “uma fênix renascendo das cinzas. Seria eu as cinzas nesse cenário? Isso me ofende, eu me recuso ser cinzas”.

O vacilo do homem que por diversas vezes já ocupou o posto de o mais sexy do mundo fica ainda mais imperdoável quando se leva em consideração a quantidade de bons tatuadores em Los Angeles, onde o ator é visto com frequência.

Para evitar cair nas mesmas armadilhas que pegaram o Homem-Morcego, elencamos alguns bons profissionais nas Cidades dos Anjos, com estilos variados. Olha e aprende, Ben!

Mark Mahoney

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Talvez nenhum outro tatuador tenha tantos quilômetros rodados quanto Mark Mahoney, considerado o pai da tatuagem preta e cinza, com uma única agulha. À frente do estúdio Shamrock Social Club, em West Hollywood, Mahoney começou sua carreira no final da década de 70, em Boston, quando tatuar ainda era ilegal. Um dos pivôs da cena punk local, o tatuador foi levado para a costa oeste dos Estados Unidos nos anos 80, em uma leva migratória de artistas para a região.

Com cadeira cativa na história da tatuagem moderna, Mahoney também garantiu seu espaço na pele de muita gente famosa: Sid Vicious, Johny Depp, David Beckham, Angelina Jolie, Brad Pitt, Jared Leto, Lady Gaga e muitos outros.

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Há quem brinque, aliás, que o tatuador se tornou mais famoso que seus clientes – e, de fato, seu estilo não se limita ao estúdio requisitado, tanto que Mark pode ser visto em dois clipes de Lana del Rey – West Coast e Shades of Cool.

Como se pode imaginar, a maneira mais fácil de conseguir um horário na agenda do tatuador é ganhando um Oscar. Ou um Grammy. Reles mortais podem tentar a sorte, somente por telefone, mas é uma missão quase impossível.

Shamrock Social Club
9026 Sunset Blvd, West Hollywood
+1 (310) 271-9664


Dr. Woo

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Se a falta de estatuetas, prêmios e seguidores o impeçam de conseguir um horário na agenda de Mark Mahoney, você pode aproveitar a viagem e a ligação para tentar marcar uma tatuagem com o seu pupilo prodígio, Dr. Woo, que também atende no mesmo Shamrock Social Club.

Filho de imigrantes chineses, Dr. Woo nasceu em North Hollywood e foi criado em Agoura Hills, parte suburbana de Los Angeles County. Na adolescência, o jovem viajava ao centro da cidade para curtir shows e passear pela sempre descolada Melrose Avenue, nos arredores do estúdio Tattoo Mania, comandado por Mark Mahoney.

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Woo foi da calçada para a cadeira do Tatoo Mania em um pulo, e a amizade com Mahoney acabou lhe gerando um convite. Na época, o jovem conta que queria seguir carreira na indústria na moda, mas que ninguém poderia recusar uma proposta como aquela, de ser treinado pelo “papa da tatuagem”.

Depois de três anos de treinamento intensivo, Woo teve a benção de seu mestre para conduzir sua primeira tatuagem solo. O traço preciso e extremamente fino do artista asiático-americano de 36 anos levanta comparações – e há quem o diga melhor que seu mentor. Tomado pela humildade que o deixa tímido em entrevistas, Woo desconversa e diz que ninguém poderia ser tão bom quanto Mahoney, e diz que está seguindo o próprio caminho.

Shamrock Social Club
9026 Sunset Blvd, West Hollywood
+1 (310) 271-9664


Ivana

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Enquanto Mahoney e Woo se especializam nos limites do preto e cinza, Ivana quer mesmo é uma explosão de cores. Tanto que uma única sessão não é suficiente. “Até para tatuagens pequenas, eu tento agendar duas visitas, para que eu trabalhe as camadas de cores com perfeição”, conta a artista. Autodidata, Ivana explica que não foi a soberba que a fez recusar um professor, mas a falta de opção mesmo: “quando comecei a me interessar por esse mundo, a tatuagem profissional na Eslováquia era praticamente inexistente, então eu tive que me virar. Aprendi sobre agulhas e máquinas sozinha. Obviamente eu trilhei o caminho mais difícil e tive de concertar algumas tatuagens que fiz no começo da minha trajetória, em amigos e familiares”, relembra.

Hoje Ivana encara seu passado sob uma ótica bastante positivista, já que pode se moldar livremente como artista e teve todo o tempo do mundo para exercitar seus pontos fortes e, principalmente, os fracos.

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Embora seja tentador enquadrá-la na técnica da aquarela, a tatuadora prefere não colocar seu trabalho embaixo de uma única etiqueta – até porque, em um mesmo desenho, pode misturar diferentes estilos.

Ciente de que o mercado ainda é dominado por figura masculina, Ivana se aproveita do fato de as mulheres serem mais reconhecidas pela parte artística da coisa. Para se ter uma ideia, qualquer figura tatuada por ela é desenhada diretamente (e livremente) na pele do cliente, para que as proporções e curvaturas sejam precisas.

E todo esse desprendimento não é licença poética, não, é estilo de vida: Ivana não tem estúdio e nem casa fixa. Embora passe a maior parte do seu tempo em Long Beach, a artista viaja o mundo para espalhar sua marca e exercitar o que há de mais humano em si. Por não saber onde estará amanhã ou depois, a tatuadora não faz agendamentos com muito tempo de antecedência. “Conseguir um horário comigo pode levar um dia ou, no máximo, um mês”, pontua. É preciso acompanhar seu trabalho pelas redes sociais para saber quando e onde Ivana estará disponível. O preço, claro, varia de acordo com o destino também.

ivanatattooart.com


Jojo Ackermann

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Por ser um gentleman, Jojo Ackermann não recusa quem vai até a distante Sherman Oaks para fazer uma tatuagem pequena, mas, se dependesse de sua predileção e especialidade, só entraria ali quem estiver disposto a sair com boa parte do corpo coberto.

Cria do professor Myke Pike e do estúdio Diamond Club Tattoo, em São Francisco, Jojo teve ainda como referência a lenda Ed Hardy, fera das grandes figuras. “Eu olho o trabalho desse cara e fico admirado com a proporção do desenho, e de como parece orgânico, apesar do tamanho. Dá a impressão que a tatuagem sempre esteve naquele corpo, o tempo todo”, comenta.

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Os tempos de aprendiz se diluíram nos mais de 15 anos de estrada, e hoje Jojo é um dos mais requisitados tatuadores quando o assunto é a tradicional arte japonesa. A familiaridade com a técnica veio com a prática e com a visita ao Japão, onde pode testemunhar com os próprios olhos o trabalho da família Horitoshi, provavelmente o clã mais respeitado no setor. “Durante a minha visita, não ousei tatuar sequer uma única vez. Foi uma experiência de humildade, estava mais preocupado em absorver toda aquela informação, arte e tradição”, afirma. Além dessa expedição, Jojo já foi ao Brasil e à Suíça em nome da arte. Em terras tupiniquins, visitou São Paulo e o litoral paulista, onde mantém até hoje boas amizades – inclusive com tatuadores.

Aos 45 anos, o artista ainda tem fôlego para trabalhar nove horas por dia, todos os dias, e agenda suas consultas com, no máximo, quatro semanas de antecedência – “faço isso de propósito, porque, se passa muito tempo, perco a energia do desenho”, confessa. O valor de seu trabalho acompanha a complexidade de cada caso, mas trabalha com a taxa mínima de 100 dólares.

Ten Thousands Waves
13716 1/2 Ventura Blvd, Sherman Oaks
+1 818 849-5317


Jeff Meyer

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Perto dos demais artistas, Jeff Meyer é quase um novato: começou a se dedicar à tatuagem apenas em 2009, pois até então trabalhava em parques de diversões e tocava em bandas alternativas de rock.

Sua sorte “de principiante” foi ter caído nas graças de Fred Giovannitti, um dos maiores tatuadores de Las Vegas. “O Fred tinha um estúdio ‘de rua’, onde muita gente sem noção entrava na brincadeira, para fazer uma tatuagem qualquer e marcar a ‘Vegas experience’. Mas a arte de alta-qualidade acontece mesmo no estúdio particular do Fred, e é ali que eu trabalhava. Começava o expediente às oito da manhã. Além de me ensinar tudo sobre tatuagem, o Fred também me deu lições de responsabilidades e de gerenciamento de tempo”, relata.

Há dois anos integrando a equipe do estúdio Unbreakable, em Studio City, Jeff, de 36 anos, não faz rodeios em assumir seu estilo americano tradicional, e confessa que é bastante inspirado pela natureza.

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Embora prefira criar as próprias tatuagens, o artista aceitaria trabalhar em cima de um desenho alheio, contanto que esteja de acordo com o traçado – “não que eu seja melhor que ninguém, mas dedico o meu melhor julgamento aos meus clientes, então eu posso sugerir algumas mudanças, se achar necessário”.

Uma pena que, no começo de sua carreira, Jeff não tinha lá toda essa pontaria. “Minha mãe, que nunca sequer pensou em fazer tatuagens, me ajudou no começo da minha carreira e deixou que eu fizesse alguns desenhos nela. Acabei tatuando um elefante que, sinceramente, não é o meu melhor trabalho, mas talvez seja um dos mais marcantes, por tudo o que ele representa”, conta.

Hoje a mamãe Meyer tem motivo de sobra para se orgulhar: o filho virou um tatuador respeitado em Los Angeles, e um horário em sua agenda requer até um mês de espera. Jeff cobra 150 dólares por hora de trabalho.

Unbreakable
11356 Ventura Blvd, Studio City
+1 818 763 5910


James Spooner

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Quando em Nova York, James Spooner levava a vida como cineasta, mas se desapaixonou por Hollywood quando olhou-a nos olhos. Abandonou a câmera, mas não a arte: trocou os filmes pelas agulhas e tintas, e há sete anos é tatuador.

O começo de tudo foi bastante informal, com um amigo dando-lhe aulas uma vez por semana. “A gente se encontrava e eu fazia tatuagens bem pequenas, às vezes do tamanho de uma moeda”, conta.

Conforme o talento foi aumentando, os desenhos cresciam juntos. “Hoje me sinto um artista bem completo, para ser sincero, e fico à vontade transitando entre técnicas, embora tenha mais afinidade com a tatuagem preta e cinza”, diz.

Mas o que o coloca no mapa das tatuagens de Los Angeles não é apenas o seu traçado, mas a sua moral: vegano há 25 anos, Spooner dispensa produtos de origem animais em seu estúdio, em Los Angeles. “Tempos atrás ouvi uma moça contando que viajaria até São Francisco para fazer uma tatuagem vegana, e eu quis pesquisar mais a respeito. Descobri que ninguém em Los Angeles trabalhava com isso, e fazia sentido começar”, pontua.

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O artista de 39 anos garante que tudo funciona da mesma maneira, e que nenhum cliente sequer saberia a diferença, porque as mudanças ficam só nos bastidores mesmo. “A tinta, por exemplo, é feita de pigmento, água e glicerina, sendo a primeira a responsável pela qualidade e durabilidade da tatuagem. A única diferença, aqui, é que eu uso glicerina vegetal”, explica.

Por apresentar o mesmo resultado que as tatuagens convencionais, James sabe a escolha da tattoo vegana é tão somente uma questão de princípios – dos dois lados. “Os materiais que uso são um pouco mais caro, mas eu não repasso o valor para o cliente, porque é uma escolha minha, que tem a ver com a minha filosofia de vida”, completa.

Além dessa bandeira, o artista também defende outras, como a questão racial. “Quando cineasta, fiz um documentário sobre racismo e acabei me aproximando tanto deste mundo que hoje sou especializado também em tatuagens para pele negra”, diz.

Duas semanas é o tempo necessário para agendar uma sessão de tatuagem com James Spooner, que cobra 150 dólares por hora de trabalho.

Monocle Tattoo
359 Fairfax Ave, Los Angeles
+1 323 839 0686


Julie Bolene

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Artista por formação e tatuadora por insistência, Julie Bolene conta que não foi fácil entrar em um mercado tão saturado. “Todo mundo me desencorajava a seguir carreira, mas um amigo me tomou pela mão e abriu as portas desse mercado”, confessa.

Quando finalmente conseguiu seu lugar ao sol, Julie disse que vivia seu maior sonho e seu maior pesado em um único dia. “No começo, eu ficava tão nervosa que chegava a passar mal. É uma responsabilidade tremenda tatuar alguém; é marcar uma pessoa pro resto da vida dela”.

Aos 33 anos, e no quarto ano de carreira, Julie dá sinais de amadurecimento, mas ainda relatava certo estresse – “e acho bom que esse frio na barriga nunca passe, porque é ele que me faz ser cada dia melhor”, afirma.

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Junto com o seu talento, a artista diz que os clientes mudaram também – mas que esses vêm mudando há mais tempo. “Acho que a indústria da tatuagem está passando por transições. Antes os clientes confiavam demais no tatuador, hoje, como temos mais ferramentas de pesquisas, somos mais exigidos. Por outro lado, há quem fique furioso com o tempo de espera”, diz a moça, que só aceita novos agendamentos para daqui a três meses.

Paralelo ao trabalho como tatuadora, Julie continua exercitando os seus dons da pintura sob comissão, mas também o faria de graça. “Artista desenha para manter a alma sã. É uma questão de sobrevivência”, arremata.

Embora a filosofia seja linda, na prática, Julie cobra 175 dólares por hora de trabalho.

American Electric Tattoo Company
2518 W Sunset Blvd, Los Angeles
+1 213 413 6530