diversão & arte

Itália: Thiele, a voz do Mediterrâneo

Por Ricardo Moreno -

Joan é a mais completa tradução do Mediterrâneo. Vinte e um anos de praia, rasteiras nos pés, andar seguro e vestidinho azul de malha que modela um corpo esculpido a joggings matinais e braçadas pelas águas cristalinas de Carloforte, na Ilha de San Pietro. No rosto anguloso, de sobrancelhas grossas e cabelos beijados pelo sol, pouca ou nenhuma maquiagem. Joias e bijuterias também são praticamente inexistentes.

Debaixo do braço, uma bolsa de couro que imita um surrado cantil d’água. No outro, um violão. Entre os dedos, queima um Winston. Joan é artista. Uma musicista. Daquelas de verdade. Estuda em um conservatório em Milão e presta igual reverência a Rachmaninov e Radiohead, a Antoine Carré e a Anthony Kiedis. Joan é uma estrela em ascensão, que aos poucos e sem pressa começa a ser descoberta aqui e ali. A fazer alguns shows pela Europa e pelo mundo.

Tive o privilégio de conhecer Joan – ou Alessandra Joan Thiele, seu nome completo – no agradável restaurante Ciapeletta, dos camaradas Beppe e Cristiano. O Ciapeletta é um lugar simples, que serve comida honesta e que as pessoas mais bacanas de San Pietro vão para comer, jogar conversa fora ou tomar uma taça de vinho branco ao entardecer. E no último sábado tarde, para a minha sorte, Joan sacou o violão, sentou sobre um barril e começou a dedilhar o seu instrumento em frente ao estabelecimento.

Somente músicas próprias, a exemplo de “Laura” e “Rainbow”. Em inglês e francês. A voz dela me faz lembrar Norah Jones, Melody Gardot e Natasha Khan, a vocalista do Bat for Lashes. Sofrida, doce e cheia de tesão. Pela vida, pela música, pela arte. Mas qualquer comparação seria injustiça tanto com ela como com as comparadas. O fato é que Joan é real. Canta com o coração.

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