tendência

Ganjanomics: a semente do negócio

Por Rafael Andery -

Marcel Grecco acha uma boa ideia gastar cerca de R$ 50 mil em maconha. E, provavelmente, ele está certo.

Grecco é o CEO da Green Hub, a primeira aceleradora de startups brasileira inteiramente voltada ao mercado da maconha medicinal. Os R$ 50 mil são o valor médio de investimento financeiro realizado em uma startup nos ciclos de aceleração da Green Hub, previstos para durarem seis meses e que têm por objetivo amadurecerem as empresas para prepará-las para o mercado.

Além do capital financeiro, a Green Hub também aporta consultoria especializada às empresas participantes dos seus ciclos. “Somos seis pessoas aqui, todos conhecidos de longa data”, diz Grecco. “É uma equipe bem multidisciplinar, vai desde gente de formação corporativa, como eu, até um neurocirurgião que cuida de detalhes mais técnicos. Eu que fui juntando as pontas”.

A decisão pelo mercado da maconha não veio propriamente de um gosto pessoal de Grecco. A linguagem tipicamente executiva que ele usa deixa transparecer que a escolha da área de atuação foi uma decisão exclusivamente de negócios.

marcel-grecco-green-hub

“Há uns três anos eu estava em busca de mercados disruptivos, escalonáveis”, explica. “Esse tema da Cannabis já era muito grande em outros países e então entendemos que era hora de começar a trabalhar com isso por aqui. De lá para cá, a legislação já evoluiu, então hoje temos bastante campo para atuar em alguns mercados”.

O avanço a que Grecco se refere foi a retirada, realizada pela Anvisa, do Canabidiol da lista de substâncias proibidas no Brasil, em 2016. A questão é que, por enquanto, a imensa maioria de medicamentos a base de Canabidiol tem que ser importada.

“É inevitável que essa onda venha bater aqui um dia”, diz Grecco. “Conforme esse movimento de legalização vai se intensificando, as pesquisas sobre a planta ficam mais sólidas e as pessoas se beneficiam cada vez mais. Nosso foco agora é ganhar tração. Em 10 anos queremos estar envolvidos na maior quantidade de projetos que conseguirmos”.

É bom negócio. Estudo realizado pelo Congresso acerca do tema concluiu que o comércio formal da maconha poderia movimentar até R$ 5,69 bilhões por ano no Brasil. Mas esse ainda é um horizonte distante para Grecco. “É difícil quebrar essa visão negativa que as pessoas têm sobre a planta. Nós não temos uma opinião sobre isso. A gente sabe que é um assunto delicado, não podemos dar nenhuma brecha. Só trabalhamos com iniciativas legais, o que foge disso não temos o menor interesse enquanto não estiver devidamente regulamentado”.

Talvez ainda não seja hora de colher os frutos do mercado da maconha, mas já sai na frente quem começou a plantar suas sementes.