Aperol Endless Summer

Magá Moura: ela não tem medo do close

Por - 6/10/2017

Maga Moura
Fotos Thays Bittar | The Summer Hunter

Bastou soltar as tranças rosas para posar para as fotos desta reportagem e todos os olhares se viraram para Magá. “Que mulher maravilhosa”, gritou um rapaz que passava pela Praça Roosevelt, no centro de São Paulo. Logo chegaram outros fãs com os celulares em punho para um clique ao lado dela. Até um cachorro parou para uma pose – presente para a dona, uma de suas 177 mil seguidoras no Instagram (@magavilhas). É lá que Magá Moura posta seus looks, suas viagens e os cabelos que estão sempre mudando de cor. Tão simpática quanto nas fotos, ela não tem medo de aparecer e inspira e empodera cada vez mais pessoas, dentro e fora do mundo virtual. Desde 2015, é embaixadora da Aperol Spritz e espalha a vibe laranja em todos os brindes com os amigos. Ou melhor, os mygles closeyros. Leia o que Magá tem a dizer, porque ninguém pode parar essa mulher.

Você tem milhares de seguidores que se inspiram em você. Como foi o seu processo de empoderamento?
Não tive muito bem um processo porque quando comecei a me reconhecer como eu mesma nem existia esse termo ‘empoderamento’. Não sou filha de pais militantes, nunca tive esse reconhecimento negro vindo de dentro da minha casa. Foi mais um processo que aconteceu, principalmente por causa do meu cabelo, que caiu inteiro por causa da química.

Quantos anos você tinha quando isso aconteceu?
Não lembro exatamente a idade, uns 18, talvez 20 anos. Eu fazia permanente para o cabelo ficar encaracolado armadinho, que para mim era mais bonito que usar o afro. Desde pequena minha mãe amaciou o nosso cabelo com produtos químicos. Porque ela é uma dona de casa, tem quatro filhas e precisava de facilidade, né? Além de lavar roupa, fazer a janta e cuidar da família, pentear um cabelo crespo era uma missão longa. E aí num desses processos meu cabelo caiu quase inteiro e eu fiquei super deprimida. Eu cheguei na cabeleireira e ela falou: ou você raspa ou faz trança.

Você se encontrou nesse novo look?
Eu resolvi fazer as tranças e me identifiquei muito com o penteado. Eu falei: meu Deus, eu estou tão linda. Nessa transição, quando eu trocava as tranças e via como meu cabelo afro estava crescendo, comecei a pensar: caramba, meu cabelo é crespo, maravilhoso, sou preta linda e estou mara com esse black. Eu nunca tinha visto meu cabelo natural. Eu alisava e fazia todo aquele processo químico para ficar exatamente com o cabelo que eu tenho.

As pessoas se identificaram com essa mudança?
Foi nesse processo de tranças que eu comecei a ganhar um monte de seguidores e me reconhecer como uma mulher negra, maravilhosa, diva. Fiz um blog e vi que tinha muita gente se inspirando em mim. Nisso surgiu essa onda de empoderamento. Começaram a me chamar para participar de palestras e me colocar como esse ícone de empoderamento de mulheres negras e um ser transformador na questão da estética, da beleza. E de mostrar a minha beleza no meu estilo de ser totalmente eu, não ficar me prendendo a padrões ou ao que está na moda, nem pensando se vão me olhar na rua ou não.

Quando você sentiu que estava influenciando a vida das pessoas?
Desde a primeira pessoa que me mandou uma mensagem falando o quanto eu fui importante para aceitação dela como ela era. Eu olho meu trabalho como um trabalho responsável. Não é só visibilidade, números, fãs e viagens. Eu mudo a vida das pessoas e isso é melhor que qualquer dinheiro. É trabalhar com a autoestima de outras pessoas e elas se sentirem plenas e maravilhosas por sua existência. Mesmo que eu não conheça essa pessoa, eu transformei a vida dela de alguma maneira. Então desde a primeira mensagem que eu recebi eu falei: caramba, eu sou um ser transformador, não sou só um feed.

Hoje existe mais espaço para as pessoas serem elas mesmas? O mundo está mudando para melhor?
Já mudou, né? A gente tem hoje um espaço na mídia que antes não existia. Por mais que ainda seja pequeno, hoje as marcas já enxergam que, se eles não fizerem produtos para o público consumidor negro, não vão vender. Tenho certeza que um monte de gente já se amava, falava sobre isso e fazia muita coisa antes de ter virado um fenômeno midiático, sabe? Mas que bom que virou! Porque assim as portas vão se abrindo, as pessoas estão cada vez mais se amando e querendo ser elas, com menos vergonha de assumir suas posturas, seus estilos, seus cabelos, seu gênero…

Essa exposição te incomoda em algum momento?
Não, eu amo ser exposta! Quem não é visto não é lembrado, já disse o Mano Brown. O meu jeito e o meu estilo não foram nada pensados. Não me visto assim porque quero chamar atenção, é como eu gosto. Quanto mais excêntrica, mais cheia de brilho e mais colorida, eu quero! Não tenho medo de usar, é a minha cara.

O que te inspira?
A história da minha mãe e a história de vida das minhas amigas. Hoje eu tenho muito mais amigos negros do que eu tinha anos atrás. Hoje eu quero andar com pessoas negras. Não que antes eu não quisesse, mas é esse meu universo. Gosto de sentar e fazer textão, ficar problematizando tudo mesmo porque é muito enriquecedor, é maravilhoso ter esse monte de amigos que eu tenho. Eu me inspiro na história das pessoas, nas viagens, nas coisas que eu vejo. Mas principalmente minha mãe, que é a pessoa mais foda do planeta, que me apoia e me inspira.

Qual é o seu maior sonho?
Não que eu não tenha sonhos, mas não gosto de ficar muito viajando na maionese. Eu tenho objetivos. Não fico sonhando ‘ah, eu queria conhecer a Beyoncé’. Não. Eu vou conhecer a Beyoncé um dia. Agora o meu objetivo é viajar e comprar meu apartamento no ano que cem. Estou com o sonho da casa própria (risos).

O que foi mais importante para você chegar até aqui?
A educação que minha mãe deu para nunca perder os valores, a humildade e nunca parar de lutar pelas coisas. Não ter medo de nada, não ter limite, sabe? Nada é impossível. Isso foi minha mãe quem ensinou e é minha religião da vida. A gente pode conseguir tudo trabalhando, indo atrás. Quando eu criei meu blog foi com o dinheiro do FGTS. Quando eu fiz minha primeira viagem internacional foi, sei lá, com mil reais. Eu sempre fui me virando e deu certo, estou aqui fazendo coisas que eu sempre quis e cheia de coisas novas que eu ainda vou fazer.

Houve um momento em que você percebeu que você estava virando uma personalidade?
Eu sempre aceitei todos os convites e o carinho dos fãs como algo natural. Nada me tirou o pé do chão. Tem dia que eu estou lá muito glamurosa no baile da Vogue e no outro estou lavando o banheiro da minha casa. Normal, vida que segue. Trabalho com a minha imagem e enxergo isso como trabalho. Hoje posso ajudar minha família, pagar o aluguel da minha casa… Mas nada mudou. Eu sou de todos, posso estar no lugar mais luxuoso ou no mais simples.

Você nasceu Bahia, mas mora em São Paulo desde criança. Qual é o seu lugar?
Meu lugar é num avião, voando para algum lugar, viajando, conhecendo. Eu sou muito fogosa, curiosa. Ainda tenho que descobrir muita coisa desse mundo.

O que você gosta de fazer quando não está trabalhando? Qual a sua vibe do verão?
É ir para o bar, estar com meus amigos, tomar um Aperol Spritz. É o drink que eu mais amo e é leve, é fresh, a cara do verão. A gente mora em São Paulo e não tem praia aqui. Então quando a noite está quente eu já chamo todo mundo no WhatsApp. Eu sou muito festeira. Posso passar o dia inteiro em casa, mas quando chega o final do dia bate um siricutico.

Ao que você brindaria?
A estar aqui, viva, com saúde, trabalho e visibilidade. E com o respeito das pessoas sendo 100% eu, não sendo de mentira. Por mais que as pessoas não me conheçam, elas sentem isso. Eu não perdi os meus valores porque fiquei afobada com flash.

Você ganhou haters nesse caminho?
Nenhum! Às vezes aparece algum comentário ácido, mas eu trato de responder como a boa escorpiana que sou. Vou te falar que meu Instagram não é mural aberto para você vir escrever o que você quiser. Mas isso é muito, muito esporádico. Não tenho haters, sou muito amada, graças a Deus.

Você sofreu algum preconceito que te marcou?
Já sofri preconceito, mas não me marcou. Bullying na escola eu sei que eu sofri, mas não guardo. As coisas negativas eu não carrego comigo. Posso ficar chateada meia hora, mas depois, ó… Nunca levei para casa problemas de trabalho, de entrevista de emprego, de pessoas que querem te agredir de alguma maneira porque acham que são superiores. Não fico remoendo e pensando que foi o pior preconceito que eu vivi. Sou muito maravilhosa e plena. Queridos, beijos. Vem não que meu santo é forte!

The Summer Hunter e Aperol se uniram para contar as histórias das pessoas e dos locais mais inspiradores do Brasil e do mundo que respiram a vibe do verão o ano todo. Aqui você confere entrevistas, guias de viagens e várias dicas para curtir durante ou fora da estação ensolarada. Acompanhe tudo na nossa página e também nos canais de Aperol, no Facebook e no Instagram (@aperolspritzbrasil). Confira ainda as playlists no perfil no Spotify: endlesssummerbr.

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