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Musotrees, uma revista sobre jornadas e destinos

Por Ricardo Moreno -

Uma revista em inglês, produzida por quatro amigos em Kuala Lumpur, a capital da Malásia, cujo foco é mostrar a imensidão do mundo e mapear seus personagens mais inspiradores. Nascida em 2013 como um projeto no Instagram, no ano passado a Musotrees virou revista. Seu segundo número acaba de ser lançado. A publicação, impressa em papel especial e com um refinado acabamento de textos e fotos, é o que atualmente chamamos de ‘bookish’, aquela revista com vocação para livro, para se guardada, colecionada e consultada. Um pequeno objeto de arte atemporal. “O jornalismo pode ser a mais pura e poderosa plataforma de publicidade. E, pra ser sincero, não sei se gosto ou concordo com isso. Mas numa perspectiva de negócios, este é o caminho para sustentá-lo daqui por diante”, diz Kerol Izwan, um dos fundadores. Leia a entrevista que fizemos com ele.

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Quando e por que você começou a fazer a Musotrees?

Eu amo livros e revistas, obviamente. Para ficarmos em alguns exemplos, Kinfolk e Cereal foram grandes fontes de inspiração para eu começar a fazer a minha própria publicação. Aqui na Malásia ainda temos poucas publicações independentes. Então pensei: porque não ter a minha própria revista? Viajei para mais de 30 países nos últimos anos. Já era hora de eu compartilhar um pouco das minhas fotos e histórias com pessoas que encontrei pelo caminho – e não só online. Uma ideia mais sólida de ter uma revista começou dois anos atrás. E no ano passado, em maio de 2015 mergulhamos e realizamos essa vontade.

E como foi o planejamento para lançar o primeiro número?

Sempre fiz muitas conexões pelo Instagram durante as viagens. Trata-se de uma ferramenta muito poderosa para conectar pessoas ao redor do mundo. E antes de lançar a Musotrees eu fiz algumas pesquisas de como o engajamento e o compartilhamento de fotos se dá no aplicativo. Quando lancei o volume 1 da revista mandei para alguns instagramers e acabei ganhando uma boa exposição em suas contas. Também comprei tudo o que eu encontrava de revista independentes por aí. É o tipo de coisa que me intriga sempre. E a partir dessas revistas comecei a fazer a minha lição de casa: como eles fazem suas publicações? E isso incluía o design, o conteúdo e o formato. Não era o caso de replicar ideias, mas usá-las como referência pois eu não tenho um background de publisher. Tudo é muito novo para mim e para o meu time. Assim, antes do lançamento, nós trabalhamos duro para garantir que o produto final não fosse apenas o que prevíamos, mas também o que o nosso leitor estava esperando.

E qual é o seu objetivo com a Musotrees?

Aqui na Malásia o mercado de publicações independentes ainda é bastante novo. Há muito o que aprender. O nosso objetivo é compartilhar e mostrar para as pessoas como uma revista independente é diferente das publicações de massa. Nós não queremos ser um denominador, mas gostaríamos de explorar quanta diferença uma revista independente pode fazer. Trata-se de um sentimento muito prazeroso saber que as pessoas estão entendendo o quê e porquê fazemos a Musotrees. A gente realmente acredita que podemos oferecer uma nova e diferente experiência aos leitores. Em resumo, eu gostaria que a Musotrees pudesse ser um bom livro de histórias – como eram as Fábulas de Esopo na nossa infância, por exemplo.

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Fale um pouco sobre você…

Acabei de fazer trinta anos, moro em Kuala Lumpur e estudei microbiologia na universidade. Também estudei psicologia e fiz aulas de espanhol. Por outro lado, a fotografia amadora foi algo que sempre amei fazer no meu tempo livre. Cerca de quatro anos atrás eu comecei a compartilhar minhas fotos de viagens usando a hashtag #keroltw no Instagram. E desde então passei a ser abordado por várias marcas – locais e internacionais – para promover os seus produtos: Grado Labs, Finlay and Co, Native Union, Madera, I Love Ugly e mais recentemente a BMW Malásia, para ficarmos apenas em algumas nomes.

Se tivesse que se definir em apenas uma (ou algumas poucas) frases, quais seriam?

Não estou certo se tenho alguma habilidade ou poder especial, mas gosto de um monte de coisas. Boa música, bom design, café, chuva. Trabalho como pesquisador científico ao mesmo tempo que faço a minha revista. Sou um viajante compulsivo. E odeio turbulência.

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E quais são seus destinos favoritos?

Berlim, sempre. Me sinto em casa. Estocolmo e Copenhague em segundo lugar. Culturalmente falando, Índia sempre foi uma rica fonte de inspiração. Mas é difícil escolher apenas um. É como ter vários filhos e te pedirem para dizer qual deles você ama mais.

Como é o seu dia a dia em Kuala Lumpur?

Boa parte do tempo indoor, em cafés ou trabalhando em casa. Kuala Lumpur é muito, MUITO, quente. O clima é tropical, com uma temperatura média de 30, 35º C graus o ano todo, e também muito úmido. Meus fins de semana também costumam ser bastante ocupados – mais ocupados que os dias de semana, inclusive. Café da manhã é a minha refeição predileta do dia. Mas não tenho uma rotina muito específica. Trabalho de qualquer lugar. O tráfego é uma das piores coisas aqui. Eu diria que, em média, perdemos umas duas horas por dia presos no trânsito.

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Como você vê o jornalismo daqui por diante?

Eu não tenho uma perspectiva muito sólida. Como disse, sou novato nessa indústria – literalmente uma criança. Mas materiais impressos sempre foram a maior razão para eu ter criado a Musotrees. Eu realmente amo livros. Conteúdo é rei. Eu diria que o conteúdo é o batimento cardíaco enquanto o layout é o rosto. O jornalismo pode ser a mais pura e poderosa plataforma de publicidade. E, pra ser sincero, não sei se gosto e concordo com isso. Mas numa perspectiva de negócios, este é o caminho para sustentá-lo daqui por diante.

E que tipo de revista você acredita que vá existir – e ter alguma relevância – em alguns anos?

Quem sabe revistas sobre coisas fundamentais. Back to the basic. Um exemplo: como o inglês pode ser falado com tantos sotaques diferentes no mundo todo? Eu acho isso um assunto interessante. Amo fonética.

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E quais são os próximos passos da Musotrees?

Caracterizar a Musotrees não apenas como uma revista, mas como uma marca. Gostaria de vê-la crescer como uma plataforma de mídia alcançando diferentes nichos de mercado, mas ainda assim sem nunca perder o nosso ethos: clean & simple.

Como você sabe, aqui no The Summer Hunter nós somos apaixonados pelo sol. Nos conte, então, cinco coisas que não podem faltar no seu verão.

01 – Viajar de carro entre uma cidade e outra
02 – Mais viagens de carro
03 – Praia (queria ter mais tempo para viajar para a Costa Oeste)
04 – Descobrir novos lugares para comer
05 – Ler.

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musotrees.com
@kerolizwan
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