Inspiração

Porque viajar é a cura para os males do corpo e da alma

Por - 4/04/2017

Apesar de ter sido lançado duas décadas atrás, em 1996, o livro “Anatomy of Restlessness” (A Anatomia da Errância, em português), do romancista e escritor de viagens inglês Bruce Chatwin  (1940-1989) não poderia ser mais atual. A obra, que reúne textos escritos por ele durante suas viagens entre os anos de 1969 e 1989, aponta nossa natureza nômade e propõe viajar como cura para o corpo e para a alma.

O caráter biográfico de “A Anatomia…” não interfere em sua universalidade: os anseios do autor são também os nossos. Mas enquanto procuramos atalhos para alguns dos nossos desassossegos, Chatwin propõe justamente o contrário: uma longa caminhada, de preferência uma que dure uma vida inteira. Bruce acredita que a natureza humana é nômade e que o domicílio eternizado é uma doença moderna.

Para sustentar tal teoria, Chatwin explora, ao longo dos textos, alguns males modernos que provavelmente não existiriam se respeitássemos nosso instinto transitório. A comida, por exemplo, passou a ser quase um veneno, uma vez que sofremos de obesidade, hipertensão e outros problemas de saúde relativos à má alimentação e ao sedentarismo.

Esses males, segundo ele, são apenas alguns dos que herdamos com o hábito do pouso prolongado – junto com ele, ainda de acordo com Chatwin, vieram angústias quase inexplicáveis e até a depressão. Bruce ainda conta a história dos bebês dos caçadores do Calaári, que “nunca choram e parecem os mais contentes do mundo”. A explicação é que os rebentos estão sempre em movimento, pois as mães os levam atados junto aos seios – “são embalados à saciedade pelos passos dela”.

Bruce Chatwin. Foto: Ulf Andersen / Getty images

Para não perder tempo em sua andança pelo mundo e pela vida, Chatwin cutuca a nossa ferida logo no epílogo, quando afirma, categórico, não se espantar que “uma geração protegida do frio pelo aquecimento central, do calor pelo ar condicionado, e transportada em veículos assépticos de uma casa ou hotel para outros similares sinta a necessidade de viagens do corpo ou do espírito, de excitantes ou tranquilizantes, ou das viagens do sexo, da música e da dança”.

Como nos lembra o autor, somos seres terrestres antes de tudo, nascemos para ganhar a terra e para estar sempre em movimento.

Crédito de foto: Greg Rakozy

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