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Uma bike está revolucionando o negócio das cafeterias em todo o mundo

Por Ricardo Moreno -

Per Cromwell é um homem alto, com cerca de 1,90 m, 40 anos de idade, barba grande e quepe para proteger a careca do sol e do vento que, mesmo no verão, às vezes castiga quem resolve caminhar pelas ruas de Malmö, no sul da Suécia.

De dentro dessa cabeça protegida também saem algumas das ideias mais inovadoras e disruptivas da Suécia (do mundo?) neste século 21. A maior e mais ousada delas aconteceu em Minsk, capital da Bielorrússia, no dia 4 de julho de 2012.

Veio do céu, em um voo ilegal promovido por sua antiga agência de publicidade, a Studio Total, em forma de mil ursinhos de pelúcia com paraquedas e carregando placas pró-democracia e a favor da liberdade de expressão. Causou rebuliço, provocando atrito diplomático entre a Suécia e a Bielorrússia e resultando na demissão do comandante de defesa aérea e do chefe do comitê de fronteiras daquele país.

A ação de guerrilha ocorreu em parceria com a Charter 97, uma organização não governamental russa a favor dos direitos humanos.

Veja o vídeo aqui:

Três anos depois, Per, que há mais de duas décadas trabalha com branding e publicidade, está com os pés no chão. Ou melhor, nos pedais de uma bicicleta.

A democracia, no entanto, segue no centro da discussão. Agora, porém, por meio de uma bicicleta abastecida com energia solar e que vende café (e sucos, sanduíches e frutas) pelas ruas. Batizada de Wheely’s Cafe, a criação, que conta com outras cinco pessoas envolvidas – Sergej Kotliar, Petter Kokacka, Tomas Mazetti, Maria de la Croix e Morgan Fredriksson–, nasceu há cerca de um ano por meio do site de financiamento coletivo Indiegogo.

Já vendeu mais de 120 unidades em 24 países – de Singapura a Jordânia, de Paris a San Francisco. Acaba de lançar sua terceira versão, mais moderna, bem equipada e conectada a um app que, em breve, vai ajudar a encontrar onde elas estão e ranquear o serviço. Uma espécie de Uber do café, nas palavras de Per.

O aplicativo também servirá para que os compradores/franqueados possam dar feedback, sugerir mudanças e adaptações da bike conforme a legislação local, alertar sobre problemas, etc.

Dos US$ 50 mil iniciais necessário para colocar o projeto de pé, alcançou mais que o dobro. E vem crescendo. O novo modelo custa US$ 2.999 e pode ser comprado aqui. Autointitula-se a menor e mais barata franquia do mundo. “A Suécia é um ótimo lugar para começar um negócio. Não há muita burocracia”, avalia. “Dá para fazer tudo on-line em poucos minutos. Bastam alguns documentos e pronto. É um processo muito simples.”

Recentemente, o fundo americano Y Combinator passou a investir na empresa. Bom sinal. Airbnb, Reddit e Dropbox foram outras start-ups que tiveram aporte financeiro do Y Combinator num passado não muito distante.

O objetivo da Wheely’s? Reinventar o modelo de negócios das cafeterias ao redor do mundo: tornar-se uma marca de franquia global, sustentável e acessível a qualquer pessoa. “Queremos fazer diferença no mundo. Ajudar as pessoas a ganhar dinheiro de maneira sustentável e justa”, conta Per durante um café (numa loja tradicional) em Malmö.

wheelys cafe

Tá certo, eles não pretendem oferecer mil tipos de café diferentes. Mas quem se importa com isso? Café é como água. Se for bom, um ou dois tipos bastam.

Qualquer pessoa pode ter uma, basta encomendar a bike pela internet e pagar uma mensalidade para o uso da marca. Em breve eles também pretendem produzir e fornecer o próprio café. “Não queremos ser uma empresa que vende bicicleta”, reforça. “Então, com certeza, vamos produzir nossos grãos e dar suporte logístico e de negócio para quem comprar as bikes.”

Se rolar, esses caras criarão a primeira franquia “social” do mundo entregue em sua própria casa. Peça a sua on-line e comece a vender logo aqui no Brasil!

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