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Renata Mesquita: a designer encontrou na bicicleta uma vida mais solar

Por Fernanda Nascimento -

Trabalhar 12 horas por dia em frente ao computador era usual na rotina da designer Renata Mesquita oito anos atrás. Quando se separou do marido, que também era seu sócio, resolveu fechar o escritório e se viu sem parte da vida a qual estava acostumada. “Foi uma fase muito difícil e eu me senti perdida”, conta. “Tinha comprado um bicicleta e comecei a sair com ela pela cidade para não ficar em casa deprimida. Foi minha válvula de escape”. Os cinco quilômetros que ela pedalava em São Paulo para ir ao trabalho logo se tornaram percursos maiores. Renata começou a frequentar grupos que pedalavam juntos pela cidade e se viu com novos amigos e uma nova paixão. “Comecei a pedalar mais, participar de provas e vicei!”, diz.

Foto: Diego Cagnato

Quando ia para o interior do estado, onde vive sua família, a designer via os ciclistas pedalando na estrada e ficou curiosa para experimentar essa aventura. Decidiu então comprar uma bicicleta speed, ideal para esse tipo de percurso. O primeiro desafio de Renata foi uma prova de 200 quilômetros. Ela, que nunca foi esportista nem tinha um bom condicionamento físico, pensou que não cruzaria a linha de chegada. Mas, 11 horas de prova depois, conseguiu. “Foi aí que minha vida começou a mudar. Eu descobri que era muito capaz de fazer várias coisas que eu não imaginava. E aquilo me deu uma força gigante”, conta.

Foto: Diego Cagnato

Renata pegou gosto e logo estava fazendo provas de 600 quilômetros, que levam até 40 horas. “Com a bicicleta você acaba descobrindo lugares maravilhosos”, diz. “Eu já vi muito sol nascer pedalando. E se pôr, e nascer de novo. Tudo em cima da bicicleta. Apesar do calor, para mim, quanto mais sol estiver melhor. Aquele dia lindo, com o céu azul, dá muito ânimo”.

Além de explorar o país em suas pedaladas, nas competições ou nas cicloviagens que organiza, Renata conheceu uma outra São Paulo em cima da bicicleta. “Qualquer trajeto que eu faço eu estou me divertindo, e não dentro de um carro me estressando”, conta ela, que vai três vezes por semana à Universidade de São Paulo (USP) pedalar. “Eu vivo em paz com a cidade porque aproveito o lado bom dela. Treinar vendo o sol nascer é um jeito muito bom de começar o dia”.

Foto: Bárbara Magri

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A vida ao ar livre em cima da bicicleta transformou tanto Renata que ela resolveu levar essa mudança para outras pessoas. A designer se tornou embaixadora da Specialized, uma das maiores marcas de ciclismo, e criou um grupo para incentivar as mulheres a se aventurar no esporte. O pelotão das minas reúne mais de 50 pessoas, que desde 2015 se encontram semanalmente na ciclovia da Marginal Pinheiros para pedalar pela manhã. “A gente se encontra para se divertir e uma ensina a outra, uma incentiva a outra”, diz. “A bicicleta foi uma coisa que me fez tão bem, que mudou tanto a minha vida. É legal eu mostrar para as pessoas o quanto elas podem ser felizes indo pelo mesmo caminho”.

Com as companheiras da viagem de 6 dias que foi de Caconde (SP) a Capitólio (MG) | Foto: Arquivo pessoal