Coluna

Uma coluna em crise

Por Sérgio Roveri -

Deu na televisão: faltando pouco mais de uma semana para o início do inverno, as roupas de frio, não as da coleção passada, mas as da atual,
já entraram em liquidação. De onde é possível extrair duas conclusões:
1- Os comerciantes já descobriram que estamos mais pobres;
2- Vai ser mais barato passar o inverno quentinho. Eu não digo que está estação é maneira? Mas as vezes mordo a língua.

Quando esta coluna nasceu, a ideia era que ela fosse a ovelha negra de uma família apaixonada pelo sol. Sabem aquelas cariocas branquinhas, que não passam nem perto da praia? Pois é, elas existem, costumam ser lindas e a coluna deveria, de alguma forma, refletir a alma ao mesmo tempo rebelde e melancólica delas. Por isso, o ideal é que este espaço fosse usado semanalmente para meter o pau no verão e comprovar que, ao menos metaforicamente, Campos do Jordão pode ser tão cool quanto Maresias (estou falando de alegre, porque há anos não vou a nenhum desses lugares, já que o primeiro deles fica insuportável no inverno e do segundo eu passo longe no verão). Mas enfim, como exemplo eu acredito que estes dois opostos possam se prestar.

O problema que se apresenta agora é o seguinte: como defender este finalzinho de outono se metade dos meus amigos está com rinite e a outra metade com faringite? Um deles passou a véspera do Dia dos Namorados, sozinho, no pronto socorro do Hospital das Clínicas, de onde saiu com uma receita que acabou com seus planos de comprar um presentinho para a cara-metade. E outra morreu com quase 200 paus numa sessão de acupuntura que prometia lhe restaurar o direito mais valioso de qualquer ser humano: respirar. Assim, quando eu próprio, atropelado há quatro dias por uma gripe, saí de debaixo dos cobertores apenas para escrever esta coluna – e devo voltar a eles após o ponto final – fica realmente difícil defender o inverno.

Vejo as fotos de pores do sol de beleza indescritível que os amigos (os que ainda estão saudáveis) postam no Instagram e concluo: tamanha explosão de cores só é possível por causa desta maldita inversão térmica que tem despachado a gente ou para a cama ou para a fila dos hospitais. Não há dúvida de que esta tal de inversão térmica é uma inimiga ardilosa: na mesma hora em que ela tinge o horizonte de vermelhos e alaranjados acachapantes, faz a nossa febre subir e aumentar os nossos calafrios. A gente olha pela janela, se deslumbra com o por do sol, dá um espirro, toma um Tylenol e corre colocar outra blusa.

A coluna está em crise. Ela não vai virar a casaca e defender o verão na semana que vem, mas que estes dias estão merecendo uma temporada no xilindró, isso eles estão.

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