Esporte

Trinta dias de carona e surf sem colocar a mão no bolso

Por - 9/03/2016

Para fazer aquela sonhada surf trip é importante planejar, pesquisar e juntar um bom dinheiro, certo? Nem sempre. Quem prova que nada disso é preciso são as amigas Juliana de Paula e a Ana Carolina Matuchewski, duas gurias de Curitiba, no Paraná, que caíram na estrada com as pranchas debaixo do braço e muita vontade de aproveitar o verão.

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Em novembro do ano passado, Juliana contou para um professor da faculdade a vontade que ela tinha de viajar sozinha durante dez dias. Ele, então, disse que já havia ficado quarenta dias na estrada se hospedando na casa de desconhecidos e sem colocar a mão no bolso.

Foi nessa hora que a Ju pensou: “por que não fazer uma viagem de surfe por trinta dias pedindo carona e me hospedando na casa das pessoas que eu fosse conhecendo no caminho?”.

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Sua cabeça foi a mil e ela começou a estruturar o que viria a ser o projeto As Peregrinas. Para tirar essa ideia do papel, Ju conversou com Aninha, sua amiga desde 2011 e também surfista.

O resultado foi uma viagem colaborativa para Santa Catarina, com direito a surfe em mais de quarenta praias, projetos sociais no meio do caminho, novos amigos e planos de conhecer a Bahia (no mesmo esquema, é claro!) em abril deste ano.

A gente sabe que, hoje mais do que nunca, é preciso coragem e uma boa dose de sangue frio para duas meninas, sozinhas, colocarem o pé na estrada, entrando em carros de desconhecidos e dormindo na casa de estranhos. Mas a atitude da Ju e da Ana só prova de que, sim, é preciso correr riscos e provar para o mundo que todxs podem ir e vir.

A gente bateu um papo com a Ju sobre o projeto. Vem ver.

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Como nasceu as As Peregrinas?
Aconteceu muito rápido. Fui estruturando o projeto de acordo com os nossos valores e com uma grande causa de hoje, que é a colaboração. Conseguimos o envolvimento de dezessete empresas, que nos apoiaram com produtos e serviços, e mobilizamos amigos para nos ajudar com R$ 10 ou mais para a alimentação. Fizemos todos os trajetos sem gastar nada, pegando carona, e nos hospedamos em catorze casas diferentes, também sem custo algum. Tudo isso foi acontecendo por meio de indicações ou nas próprias ações sociais que fomos fazendo no meio do caminho. Fui utilizando minha rede de amigos no Facebook para conhecer pessoas de Santa Catarina. E para a Bahia estou fazendo a mesma coisa: já consegui hospedagem para quase todos os dias.

Quais foram as principais dificuldades durante a viagem?
Perrengue sempre tem, né?! Um dos maiores, sem dúvidas, foi quando chegamos na Guarda do Embaú com uma prancha, uma mochila gigante e um saco de 25 quilos de terra e 40 mudas de plantas, resultado de uma ação que propusemos de plantar mudas de árvores por onde passávamos. Bateu um desespero ter que carregar tudo aquilo sem ter onde ficar. A sorte foi ter cruzado, sem querer, um amigo que topou guardar o saco. Mas acabamos achando um lugar e tudo se resolveu. A questão da convivência e do autoconhecimento também foi um pouco difícil. Nós precisávamos fazer tudo juntas. Existe alguns momentos que queremos estar sozinhas, é normal. E o fato de estarmos juntas o tempo todo fez com que aprendêssemos muito sobre paciência, resiliência e dar ainda mais valor para a nossa amizade.

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E as partes mais legais, quais foram?
Tivemos muitos momentos bons. Pra começar, as pessoas que conhecemos no caminho e nos recebiam em suas casas. Aprendemos algo com cada uma delas. Também conhecemos lugares absurdamente lindos: praias secretas,trilhas, florestas. E promover ações sociais também foi algo muito gratificante.

Quando vocês pretendem viajar para a Bahia?
Ficaremos na Bahia entre os dias 15 e 26 de abril. Mas desta vez será um pouco diferente. Vamos acompanhadas de um videomaker e vamos percorrer o trajeto com o nosso próprio carro ao invés de depender de caronas.

Como será essa viagem?
Nosso plano é passar por Salvador, Morro de São Paulo, Barra Grande e Itacaré. Santa Catarina foi uma espécie de projeto-piloto. Agora, pretendemos criar uma websérie focada no litoral brasileiro. Queremos mostrar um estilo de vida mais consciente por meio do contato com a natureza, apresentar picos secretos, aqueles que só os locais sabem onde ficam, e participar de projetos sociais, além de mostrar a nossa evolução no surf.

Quer conhecer mais sobre o projeto As Peregrinas e ajudar as meninas na viagem para a Bahia? Então acesse a página de Facebook delas aqui.

*Laís Graf é jornalista e comanda o Alaia Content, estúdio de conteúdo que tem sede em Curitiba. Para ela, qualidade de vida é poder ficar lendo na areia da praia nos finais de semana, enquanto espera o noivo surfista pegar altas ondas.

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