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Urnatur: vivendo como um viking, mas com banho quente e lençol limpo

Por Ricardo Moreno -

Uma casa no campo, uma horta e algumas galinhas, cavalos e cabras para cuidar.

O casal Håkan Strotz e Ulrika Krynitz – ele um guarda florestal sueco, ela uma bióloga e designer alemã – levou o sonho de ter uma fazenda própria às últimas consequências.

urnaturFoto: divulgação

Há 21 anos, os dois resolveram comprar uma propriedade de cem acres na floresta de Holaved, no centro-sul da Suécia, às margens de um pequeno lago chamado Visjö. Ele passou a dar aulas em uma escola num vilarejo vizinho; ela, a se dedicar tecelagem.

Começava a nascer ali o Urnatur (essência da natureza), um ecolodge com um conceito de sustentabilidade desenvolvido e moldado pelos dois. Foi aberto ao público em 2007.

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urnaturFoto: Ricardo Moreno

Parece um conto de fadas dos Irmãos Grimm. Uma viagem no tempo. Mais precisamente a 6 mil anos atrás. “A floresta que você está vendo aqui é a mesma daquela época”, conta Ulrika num passeio pela bosque. “Não mexemos em nada. Nós nos adaptamos e criamos uma estrutura que se integrasse totalmente a ela.”

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urnaturdivulgação

É uma terapia intensiva de retorno às origens, de reconexão com a natureza e com nossos instintos mais primários. Claro, com algum conforto do século 21. Tudo é 100% made in Sweden, e com a epítome do design e cuidado típico dos suecos: simples, elegante e respeitando a natureza ao redor. O lema é sempre somar, nunca subtrair ou substituir.

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As seis cabines – todas nascidas a partir das mãos de Håkan, do design sueco-russo típico de uma cena de João e Maria ao corte da madeira e construção propriamente dita – não têm luz ou banheiro privado. Cada uma foi desenhada de maneira distinta – e duas delas estão na altura das copas das árvores, alcançadas a partir de uma escada em espiral.

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A luz vem de um lampião a querosene e há também uma lareira. As camas, porém, são de um conforto digno de hotéis cinco estrelas, assim com os travesseiros e os lençóis. O banheiro fica em uma casinha a poucos metros, e apesar de rústico é limpo e decorado com esmero.

Mais adiante estão os chuveiros, com ducha forte, sabonetes e xampus produzidos por eles e duas opções de aquecimento: solar ou a gás.

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Há internet apenas na casa principal, chamada de Tin Castle, onde o casal serve um delicioso café da manhã repleto de receitas especiais, como o chaga, chá de origem russa feito de fungos, e o brunost, típico queijo escandinavo cor de caramelo e sabor adocicado.

Designer que é, Ulrika tem uma charmosa loja onde vende roupas e tecidos cujas estampas foram desenvolvidas por ela mesma.

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Toda a comida é orgânica. E não poderia ser diferente. A Suécia é o país que mais consome comida orgânica entre todos da União Europeia. Também está no topo do ranking quando o assunto são energias renováveis.

Para ver o dia passar – e olha que ele demora, pois durante o verão o sol nasce por volta das 5 horas e só se põe lá pelas 23 horas –, Håkan e Ulrika Krynitz oferecem varas para pescar (a minhoca você mesmo terá de “caçar”) e botes a remo. À sua margem está uma sauna, programa típico sueco e que você terá de se aventurar, de preferência seguido de um mergulho pelado nas águas sempre geladas do lago, incomensurável em sua imensidão e de um silêncio que só é quebrado pelo assovio do vento a empurrar o bote para uma solidão que parece infinita. Mas faz bem e conforta a alma.

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O mais interessante de tudo, porém, são as refeições. Em uma cozinha aberta, bem equipada e com a opção de fogão a gás ou fogueira, Ulrika oferece legumes, carnes, peixes massas, temperos locais… o resto é com você. Há outras fogueiras pelo caminho, e o casal encoraja os visitantes a usar qualquer uma delas. Cortar a lenha é por sua conta, ainda que Håkan sempre esteja por perto e disposto a ajudar – e poupar os dedos de quem cresceu riscando fósforos e acendendo isqueiros.

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Nós fizemos uma sopa de legumes colhidos na hora e uma tortilha espanhola com ovos vindos do galinheiro local. Lavar a louça e deixar tudo do jeito que encontramos faz parte da experiência.

“Nosso objetivo era fazer um lugar 100% integrado à natureza, sustentável mesmo, que, além de não agredir o meio ambiente, colaborasse para seu desenvolvimento”, conta Ulrika.

Eles conseguiram.

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