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Victoria Falls, no Zimbábue: aventura e adrenalina no coração da África

Por Bruna Tiussu -

Majestosa, forte e gigantesca, a Victoria Falls é o tipo de cartão-postal com o poder de hipnotizar qualquer pessoa – forasteiro ou não. Localizada na divisa entre o Zimbábue e a Zâmbia, essa maravilha da natureza tem ao seu redor uma atmosfera toda moldada ao turismo. Hotéis, restaurantes e operadoras de viagem não economizam esforços para oferecer uma experiência inesquecível ao viajante que ali chega. Especialmente àqueles que curtem boas doses de aventura.

victoria falls zimbabue

Com infraestrutura fora do comum para padrões africanos, a cidade de Victoria Falls, no extremo oeste do Zimbábue, na fronteira com a Zâmbia, é o melhor destino para conhecer as quedas d’água. Tem shoppings centers ao estilo norte-americano, restaurantes com menus ocidentais e hotéis de grandes redes sempre lotados. Você pode passar três, quatro dias sem ouvir falar da instabilidade que cerca os cenários políticos e econômicos do país. A ordem ali é desfrutar.

victoria falls zimbabue

É assim desde os anos 1990, quando o Zimbábue, cuja independência foi reconhecida pelo Reino Unido 10 anos antes, começou a explorar o potencial turístico da cachoeira. Alimentada pelas águas do Rio Zambezi, as Victoria Falls são formadas por um impressionante conjunto de quedas alinhadas ao longo de 1,5 quilômetro e que chegam a ter 108 metros de altura. Visitá-las é estar preparado para tomar um banho de água fria. No sentido literal, pois não há como percorrer os trajetos do parque em que estão inseridas sem sentir a força das cachoeiras — o “batismo” é mais forte de dezembro a março, época das chuvas.

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No total, são 16 mirantes que permitem admirar as quedas d’água de ângulos diversos. Admirar e escutar, pois o barulho que fazem é tão forte que lá atrás o povo nativo Kololo chamava a cachoeira de “a fumaça que troveja”. O nome Victoria Falls foi dado por David Livingstone, missionário escocês que, em 1855, chegou às cataratas. E como bom seguidor da cartilha dos brancos exploradores, reportou a “descoberta” à família real do Reino Unido e a rebatizou em homenagem à sua rainha.
Com todo o Rio Zambezi ao seu dispor, a pequena cidade de Victoria Falls não se limitou à oferta de mirantes para a cachoeira. Tratou de investir em um cardápio de atividades radicais, e fez isso tão bem que recebe o título de Capital da Aventura na África em reportagens e listas mundo afora.

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A prova está na Ponte Victoria, via que liga o Zimbábue à vizinha Zâmbia. É ali que grupos sem fim de viajantes fazem fila para se jogarem no bungee jump, num salto de 110 metros. Há quem prefira a adrenalina de subir na tirolesa e no swing, sempre com o rio ao fundo e com a vista das cataratas. Experimentar as águas do Zambezi também é uma opção: classificado como nível 5 e presença constante nos rankings dos mais radicais do mundo, o rafting tornou-se a atividade número 1 das empresas turísticas locais. E é mesmo tudo isso que dizem por aí.

Rafting em Victoria Falls
Fotos: Eduardo Asta

O bote parte 10 quilômetros após as cataratas e as altas montanhas que delimitam o rio formam uma paisagem lindíssima. O difícil é admirá-la ao longo dos 15 quilômetros rio abaixo, em que 13 desafiantes corredeiras têm nomes tão sugestivos quanto máquina de lavar, vaso sanitário do diabo e dia do julgamento. Com níveis variados, elas testam a habilidade com o remo e a disciplina em seguir as instruções do guia. E garantem banhos e mais banhos: ora dentro do bote, ora fora dele. Ao fim das quatro horas de aventura, pode ser que você não consiga mexer bem os braços e as pernas. Mas terá uma coleção de momentos fantásticos para guardar na memória.