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Eles dominaram o rolê e agora chegam às ruas do Centro de SP. Prazer, Void

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Por Fernanda Nascimento -

O que começou como uma revista independente ‘que só dava prejuízo’ se transformou quase que em uma filosofia de vida. A Void é loja (não só uma, mas dez and counting), é bar, é festa, é festival, é filme, é skate, surf, é música. É um monte de gente se encontrando, inventando moda (literalmente) e curtindo sem se levar muito a sério. Não dá para dizer se a Void é a extensão da rua ou se a rua é extensão da Void, mas toda vez que eles se instalam em algum lugar parece que sempre estiveram lá.

A última ancoragem foi no Largo da Batata, em São Paulo, onde desde o ano passado funciona a primeira unidade paulistana. E que em breve não vai ser a única. Num espaço na Rua 24 de Maio, no Centro, já tem gente trabalhando nas obras do próximo endereço, que deve inaugurar ‘nos próximos meses’, promete Pedro Perdigão, diretor criativo da marca. "A gente pensa em cada loja como um espaço que vai dialogar com o bairro onde está, mas é um lugar meio que feito pra nossa galera, para que a gente se sinta bem e queira estar. A gente vive a rua também", diz.

A primeira Void do RJ, no Leblon | Foto: Divulgação

Foi um tanto de estrada para chegar de Porto Alegre, onde os sócios Pedro Hemb, Ricardo Mohr e Matheus Veronez começaram a organizar eventos e produzir a revista batizada de Void, até o Rio de Janeiro, onde nasceu a primeira loja em 2014. Carioca e com a mesma criatividade sem limites da turma, Perdigão se juntou ao bonde para abrir uma espécie de loja de conveniência no Leblon – não por acaso, a Void General Store. Os itens básicos de sobrevivência vendidos ali? Revistas gringas, Brownie do Luiz, parafina, abridor de latas, camisinha, meias, tinta spray, escova de dente, camiseta da Supreme e, claro, como não pode faltar nem em conveniência de posto de gasolina, isqueiro e drinks para comprar na volta para casa.

Void SP Largo da Batata
Void SP | Foto: The Summer Hunter

Mas quando passava por ali, ninguém voltava para casa. E a lojinha no Leblon acabou virando um ponto de encontro de um monte de gente de todo o tipo de rolê, sempre naquela vibe democrática e pé na rua, sem precisar gastar muito para curtir a noite. E aí veio a Void na Barra da Tijuca, no Arpoador, e também em Porto Alegre, de volta às origens. O endereço em Botafogo, inaugurado no final de 2015, já abriu as portas sabendo que a loja já não era mais só loja. A turma se juntou a Wolf Menke para levar a cozinha colaborativa da House of Food para o Rio. Na pré-estreia da dobradinha, a receita foi elaborada por um gerente da Void e o painel luminoso anunciava o prato da noite: "aquilo que os jovens chamam de rango".

Pedro Perdigão, diretor criativo da Void | Foto: Chico Cerchiaro

Deu tão certo que outras unidades ganharam chefs para assinar os rangos e a Void seguiu sua expansão astronômica. Antes mesmo da primeira loja completar dois anos de vida, desembarcou no Flamengo e no shopping Fashion Mall, em São Conrado, e depois em Madureira. Os sete endereços na capital fluminense não são parte de um plano para dominar o Rio – mas quase. A inauguração da última unidade, em Madureira, está a um passo de completar o plano de explorar todas as zonas da cidade (falta o Centro, mas eles também já estão com os pedreiros cuidando disso por lá). “A gente gosta de falar que a Void é para quem circula por várias zonas”, diz Perdigão. “Nossa intenção é criar esses encontros de diferentes pessoas, diferentes repertórios, diferentes cenas e rolês”.

Agradar esse tanto de cena diferente podia ser complicado, mas hoje o rolê responde à Void tanto quanto a Void responde ao rolê. As peças e itens que eles escolhem a dedo para estarem nas lojas ditam moda da festa underground ao boteco da esquina. “Não tem essa distinção de marca pequena ou grande. Existem as marcas em que a gente acredita”, diz Perdigão.

Void SP Largo da Batata
Void SP | Fotos: Luiza Ferraz

Uma parceira de longa data é a Bolovo, da dupla Deco Neves e Lucas Stegmann, um misto de marca de roupas, produtora de vídeos e compromisso com curtir a vida. Seu slogan não poderia ser mais apropriado: go out make some memories. Além de venderem suas peças desde os primeiros passos da Void, eles são sócios no espaço em São Paulo. Foi por causa deles que o Largo da Batata foi o endereço escolhido para a primeira loja paulista, já que sua turma costumava circular por ali de skate. Ao contrário de outras unidades, esta nasceu para também ser um bar – e com uma agenda cultural que não para.

Não é exagero dizer que sempre tem alguém por ali, jogado nos sofás que ficam nos fundos, olhando as miudezas da loja, conversando nas mesas do lado de fora ou almoçando o rango de primeira da chef Bel Crozera – veganos, também há opções para vocês. À noite e nos finais de semana, aí é difícil dizer onde termina a Void e começa o Largo da Batata. Uma multidão se junta ali na frente entre um e outro drink e uma checada nos DJs que costumam fazer um som na parte de trás.

Void SP Largo da Batata
Void SP | Foto: Luiza Ferraz

Mesmo quando não há nenhuma atração especial, a Void é aquele rolê descomplicado para dar uma passada e encontrar os amigos que estão sempre por lá. Tem certo charme ficar na calçada da praça em pé tomando um drink, mas o estilo autêntico e independente da marca está em tudo que faz – do cardápio à linguagem e, claro, na programação. Já passaram por lá festas da cena de música eletrônica como Mamba Negra, ODD, Gop Tun e Selvagem, além de shows de bandas como Boogarins a curitibana Marrakesh.

O andar de cima, o Esquesso, é um espaço com curadoria de João Francisco Hein criado para ser ocupado por pessoas inventivas (“mas sem pretensão de ser galeria”, avisa Perdigão), como o coletivo Pardo, o coletivo de skate Dornelândia e, em breve, a coletividade.NÁMÍBIÀ. Essa pegada de espaço cultural também vai rolar na nova unidade em construção no Centro da cidade, que vai ter um espaço batizado de Quartinho, dedicado à transmissão ao vivo de bandas com uma pegada mais experimental – que já existe na unidade de Madureira e em Porto Alegre.

A Void é isso mesmo: um monte de coisa que por acaso faz sentido estar no mesmo lugar. “As lojas são uma porta de entrada para o universo da Void, que é muito maior, e tem filmes, revista, festival...”, diz Perdigão. E qual é o segredo para o sucesso desse universo Void? “A gente não faz sucesso, não, a gente faz o nosso lance”, garante. Mas o próximo lance, a nova unidade no Centro de São Paulo, pode apostar: vai ser sucesso.