diversão & arte

06 documentários que revelam o que é ser mulher pelo mundo

Por Laura Cesar -

O feminismo é um movimento político e social que busca a igualdade de oportunidades e direitos entre os sexos. A definição parece simples e já é até óbvia para muitos, mas o Fórum Econômico Mundial de 2018 disse que ainda vai levar mais de 108 anos até as mulheres conseguirem alcançar os mesmos direitos que os homens. Baseado nos pilares de saúde, economia, política e educação, o órgão lista todo ano os melhores e piores lugares pra uma mulher viver.

No topo desse ranking está a Islândia, o primeiro país do mundo a criar lei que exige a igualdade de salários, a ter uma mulher como presidente e que há 10 anos lidera a mesma posição na lista de igualdade de gênero. Em seguida vem a Noruega, Suécia e Finlândia, os vizinhos nórdicos que também ostentam taxas altíssimas de participação feminina na política e economia. O Brasil, por sua vez, aparece em 95º lugar entre 149 países, alcançando o pior resultado desde 2011. Iêmen, Paquistão, Síria e Chade seguem como últimos colocados.

Mas calma, pois por trás desses números, há também muita luta de mulheres fortes que se dedicam à pautas feministas no Brasil e no mundo. Aqui, listamos algumas dessas personalidades inspiradoras que, na história ou atualidade, tiveram suas histórias eternizadas em documentários impactantes e que revelam bem o que é ser mulher em diferentes partes do globo. Seja negra, branca, imigrante, muçulmana, trans, lésbica, deficiente ou cis, a meta delas é conquistar direitos iguais para todas.


#OFuturoÉFeminino

“O que você já deixou de fazer por ser mulher? O que ainda nos impede de ter os mesmos direitos que os homens?”. Esses foram alguns dos questionamentos que levaram as jornalistas cariocas Fernanda Prestes, Claudia Alves e Bárbara Bárcia à Islândia, Paquistão e Brasil a fim de entender o lugar ocupado pelas mulheres nas mais diversas sociedades. Das islandesas que foram as primeiras da história a eleger uma mulher democraticamente como presidente, até as paquistanesas que unem feminismo e religião, e as brasileiras que são diariamente vítimas de feminicídio, o trio viajou por países extremos atrás de experiências e personagens que lutam contra a desigualdade de gênero. O resultado dessas vivências está na série documental #OFuturoÉFeminino, que estreou em março no canal GNT.

“Na Islândia achávamos que íamos encontrar o melhor dos mundos, mas percebemos que mesmo no melhor país pra uma mulher viver ainda tem muito caminho pela frente”, conta Fernanda Prestes em entrevista. “Descobrimos também que as nossas lutas aqui no Brasil são muito parecidas com as do Paquistão. Estamos perto do último colocado do ranking de desigualdade de gênero e isso dá um pouco de desânimo”. Além de entrevistarem Vigdís Finnbogadóttir, a primeira mulher a ser eleita presidente no mundo, as meninas conversaram com ativistas importantes, como a ex-Pantera Negra Angela Davis e a Sharmeen Obaid-Chinoy, documentarista paquistanesa vencedora de dois Oscar por seus filmes denunciando a violência doméstica.


Absorvendo o Tabu

Se em alguns países, como o Brasil, algumas marcas estão começando a desconstruir a ideia de que o absorvente é o único produto capaz de conter a menstruação, apresentando outras opções mais sustentáveis - como calcinhas modernas com alta capacidade de absorção e coletor menstrual - em outras regiões do mundo, a menstruação é um tabu ainda mais escancarado. Vencedor do Oscar como melhor documentário, Absorvendo o Tabu aborda justamente o estigma social que é o fluxo feminino na pequena vila rural ao redor de Delhi, na Índia, mostrando com leveza e muita sensibilidade a vergonha e timidez das meninas mais novas ao falar sobre o assunto, passando pelo desprezo e nojo dos homens, até o sofrimento das mulheres que são impedidas de entrar em templos e trabalhar durante o período de menstruação. A questão começa a ser tratada de maneira diferente quando uma máquina que produz absorventes à baixo custo é introduzida na comunidade e as mulheres passam a vendê-los e olhar para o assunto de forma mais natural. Com apenas 26 minutos de duração, o curta-metragem já disponível na Netflix vale cada segundo.


Feministas: o que elas estavam pensando?

Ao resgatar o livro de fotografias de Cynthia MacAdams com retratos da segunda onda feminista durante os anos de 1970, época em que mulheres americanas foram às ruas pra lutar por direitos igualitários na sociedade, o documentário da Netflix abraça pautas que permanecem atuais, como equiparidade salarial, visibilidade LGBT+, direito ao aborto e representatividade na política. Para discorrer sobre esses assuntos, a diretora Johanna Demetrakas entrevista as mulheres protagonistas desse movimento, como a atriz Jane Fonda, a cantora Michelle Phillips e a ativista Gloria Steinem, a fim de explorar a permanente necessidade de mudança mesmo nos dias de hoje. Há muita luta pela frente e esse longa traz motivação em momentos de desesperança.


Nanette

Nanette não é só mais um espetáculo de stand-up disponível na Netflix. O monólogo da australiana Hannah Gadsby provoca indignação e nos faz chorar e rir de uma maneira estranha ao misturar piadas com revelações pessoais sobre gênero, sexualidade e problemas na infância. Lésbica e ativista, ela cresceu na Tasmânia, onde a homossexualidade era crime até 1997, e é no palco, que a comediante se abre pra contar pro público, com muita honestidade, sobre suas fragilidades, desenvolvimento sexual encoberto por medo e preconceito, além de questionamentos e experiências traumatizantes causadas pela homofobia. Hannah questiona a lógica da comédia ao longo da sua apresentação e anuncia que pensa em largar de vez o ramo, uma vez que está cansada de fazer humor autodepreciativo. “Eu me rebaixo para poder falar, para pedir permissão para falar e eu não vou mais fazer isso. Nem comigo, nem com ninguém que se identifica comigo”, diz em trecho de Nanette.


Explicando

A série documental de vinte episódios explora temas variados em debate nos dias atuais. Entre eles, a questão da diferença salarial entre gêneros e por que ela existe na sociedade, narrada pela atriz Rachel McAdams, e orgasmo feminino, capítulo dedicado à desconstrução desse grande tabu social a partir da perspectiva de mulheres sobre o assunto. Costurados com entrevistas com personalidades de peso, como Hilary Clinton e Anne-Marie Slaughter falando sobre as normas culturais responsáveis pela desigualdade salarial entre homens e mulheres, e a comediante Remy Kassimir discutindo sobre sexualidade, os episódios são prazerosos de assistir e super didáticos.


Roe X Wade: direitos das mulheres nos EUA

Foi graças ao histórico caso de Jane Roe contra Henry Wade, julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos em 1973, que o país americano reconheceu o direito ao aborto. Quarenta e seis anos após esse marco, o documentário resgata materiais desse período e entrevista elementos-chave dos dois lados do debate para retratar a história em sua íntegra. Independente da posição pessoal sobre o tema, Roe X Wade: direitos das mulheres nos EUA é fundamental pra entender a questão do aborto a partir de um caso emblemático. Disponível na Netflix.