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54 horas em Capitólio: um guia para explorar os cânions e cachoeiras da “praia” de Minas Gerais

Por
Adriana Setti
Em parceria com

Destino perfeito pra se reconectar com a natureza, a cidadezinha mineira também pode ser uma base estratégica pra explorar as paisagens (e os queijos) da Serra da Canastra.

Paredões de pedras varados por corredeiras no tom verde-esmeralda. Cachoeiras volumosas que despencam em piscinas naturais. E, à mesa, o queijo da Canastra, patrimônio gastronômico nacional. É difícil entender como Capitólio, cidadezinha mineira cercada de cânions, demorou tanto a ser descoberta. Mas, em tempos que pedem isolamento, esse refúgio a 280km de Belo Horizonte (450 km de São Paulo) entrou de vez no radar dos que buscam reconectar com a natureza — mesmo que nem tudo por ali seja obra dela. O cenário que se vê hoje só se formou na década de 1960, após a construção da hidroelétrica de Furnas, que desviou o curso dos rios Sapucaí e Grande, formando o Lago de Furnas, um dos maiores do mundo (o “mar de Minas”). E se tudo isso parecer pouco, o Parque Nacional da Serra Canastra está logo ao lado. Marcando a transição entre a Mata Atlântica e o Cerrado, essa área protegida guarda preciosidades como a nascente histórica do Rio São Francisco e a Casca D’Anta, uma queda d’água com 200 metros de altura, além de fauna e flora riquíssimas. Pra garantir a vibe tranquila do lugar, evite finais de semana e feriados. Na hora de marcar a viagem, prefira a época seca (abril a setembro) — ou prepare-se para enfrentar muita lama nas estradas e até possíveis trombas d’água. A seguir, confira as nossas dicas pra dias de sossego, água fresca e os melhores queijos do Brasil.

DIA 1

16h
Mirante dos cânions: boas-vindas com surra de beleza 

Após algumas horas no volante pela rodovia MG-050, os cânions de Furnas rompem a monotonia da paisagem: imensos paredões de pedras de 30 metros de altura recortados por águas de um vivo verde-esmeralda. Pra curtir o cenário como se deve, procure uma vaga pra estacionar e vá até o Mirante dos Cânions (altura do km 313), que oferece a única vista aérea do cartão-postal mais famoso de Capitólio, na foto que abre este post. Fique esperto, porque o local não tem grades de proteção na beira do precipício.

18h
Kanto da Ilha: o point para curtir o pôr do sol

Pra brindar no pôr do sol, o restaurante com ares de beach lounge Kanto da Ilha (@kantodailha) é o endereço mais fervido da região. Pelo seu amplo deck ao ar livre à beira do lago, onde rolam sessões de DJs e música ao vivo, há mesas, sofás e chaises, que dão o clima perfeito pra curtir o happy hour. O cardápio tem como foco petiscos e pratos com tilápia, além de uma ampla carta com drinks e espumantes. Dá pra chegar ao local de barco ou de carro (parte do trajeto é por estrada de terra).

DIA 2

Passeio de balão em Capitólio: pra fazer bem cedinho | Crédito: reprodução

6h
Superfantástico: voo de balão em Capitólio

Se a vista do mirante já impressiona, observar do alto as belezas da região é uma experiência memorável. A Damata Balonismo (@damatabalonismo) organiza passeios em grupo ou privados, que sobrevoam os céus de Capitólio durante o nascer do sol. Planando ao sabor dos ventos, não é possível definir uma rota concreta. Mas, em geral, é possível avistar o Lago de Furnas, fazendas, o Rio Piumhi e, em dias de boa visibilidade, até a Serra da Canastra. 

10h
Passeio de barco pelos cânions de Capitólio: cara a cara com os paredões

O passeio de barco pelos cânions do Lago de Furnas é o ponto alto de qualquer viagem a Capitólio. As embarcações se embrenham pelos corredores aquáticos formados pelos paredões, chegando bem pertinho deles — em alguns momentos, é possível até posicioná-los sob as quedas d’água que escorrem pelos morros. O rolê também tem pausas estratégicas pra mergulhar nas águas verdes da represa. Com duração que varia de 2h a 6h, os roteiros costumam incluir paradas nos mesmos pontos, como as cachoeiras Cascatinha e Lagoa Azul e o Vale dos Tucanos. Os barcos partem da Ponte do Rio Turvo, onde ficam várias agências que vendem os circuitos — se der, prefira fretar uma lancha pra poder curtir o trajeto no seu ritmo (sem muvuca e com a música da sua preferência nas caixas de som). A Somar (@somarpasseiosturisticos) organiza desde excursões até passeios privativos de lancha.

13h30
Empório Lagoa Azul: almoço com vista

Pra uma parada estratégica (e deliciosa) na hora do almoço, o Empório Lagoa Azul (@lagoa.azul) fica às margens da MG-050, com uma vista incrível pro lago e a natureza da região. Com decoração aconchegante, serve pratos da culinária mineira — não saia sem experimentar a torta de banana, especialidade do chef da casa. A propriedade, que também funciona como pousada, possui acesso pra cachoeira da Lagoa Azul.

Paraíso Perdido, em Capitólio: 18 piscinas naturais e 8 quedas d’água | Foto: @paraisoperdidomg

15h
Banho de água fria: as cachoeiras do paraíso perdido

Além de pirar nos cânions de todos os ângulos, tomar banho em algumas das dezenas de cachoeiras da região de Capitólio é programa obrigatório. A maior parte delas se encontra dentro de propriedades privadas (que cobram entrada) e as trilhas não exigem grandes esforços. Um dos complexos mais bonitos, o Paraíso Perdido (@paraisoperdidomg) concentra 18 piscinas naturais e 8 quedas d’água dentro de um vale. Dá pra passar o dia todo mergulhando, mas 2h são suficientes pra dar uma geral. Apesar de exigir uma certa atenção por causa das pedras escorregadias, a trilha autoguiada que liga as atrações pode ser vencida com facilidade. 

20h
Hud’s Lounge Escarpas do Lago: jantar com clima de agito

Com um mix de restaurante e bar, o Hud’s Lounge Escarpas do Lago (@hudsescarpasdolago) é uma das casas mais bombadas da cidade. Com uma decoração moderninha e varandão com vista para o lago, tem cardápio quilométrico que inclui risotos, hambúrgueres e pratos veganos. Aos fins de semana, rola música ao vivo.

DIA 3

Entrada do Parque Nacional da Serra da Canastra: animais em risco de extinção e uma cachoeira de 200m | Crédito: Leila Melhado/iStock

10h
O melhor da Serra da Canastra em Capitólio

A pouco mais de 100km de Capitólio, encontra-se um verdadeiro tesouro natural mineiro: o Parque Nacional da Serra Canastra. Cobrindo uma área de 200 mil hectares, mistura paisagens da Mata Atlântica com Cerrado. Com sorte, dá pra avistar animais típicos da fauna brasileira (alguns em risco de extinção), como veado campeiro, tamanduá-bandeira e até lobo-guará. Ali também está a nascente histórica do Rio São Francisco e a Casca D’Anta, uma imensa cachoeira que despenca 200m precipício abaixo. Existem várias rotas possíveis dentro do parque, mas, até a publicação deste guia, apenas a trilha de acesso à parte baixa da Casca D’Anta (ou seja, onde ela deságua) tinha sido reaberta, devido à pandemia. Por causa da força da água, que explode nas pedras, o banho não é aconselhável — mas é um espetáculo vê-la de perto. A trilha é simples e não requer guia. No entanto, é preciso fazer o agendamento online da visita com três dias de antecedência (bit.ly/agendamentocanastra), além de pagar o ingresso do parque. Dica: logo que o resto do parque reabrir, opte pelo roteiro na parte alta, que contempla ainda mais atrações.

13h
Sabor local: comida mineira com vista espetacular

De fora, o Cozinha Original (fb.com/restaurantecozinhaoriginal) parece apenas um casebre simples. Já porta adentro, o clima aconchegante e rústico faz qualquer um se sentir em casa. De quebra, as janelas e a varanda criam a moldura perfeita pra vista arrebatadora dos paredões de pedras. Após uma temporada na Europa, a chef Joanne Ribas idealizou este espaço que une pratos clássicos da culinária mineira muito bem executados (pense em um torresmo perfeito!), com toques contemporâneos, como o ceviche de jiló. 

15h
Em busca do queijo (da Canastra) perfeito 

Bonita por natureza, a Serra da Canastra também é conhecida nacionalmente pelo queijo produzido na região. Com uma espécie de terroir próprio, este tipo de queijo curado é produzido há mais de 200 anos, seguindo uma tradição que passa de pai para filho. Sua relevância é tamanha, que foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O jeito mais gostoso de descobrir esses sabores é visitando as fazendas produtoras. Bem roots, a do Zé Mario (tel.: +55 37 998653370), no município de São Roque de Minas, tem um dos queijos mais famosos e premiados. O próprio Zé e sua esposa, Valdete, recebem os visitantes em seu sítio e mostram, sem cerimônia, como é a produção dos queijos, a sala onde eles maturam, o curral com as vacas leiteiras e, claro, vendem ali seus produtos finais.

19h
No ponto: jantar com carnes gourmet no Salvatore

De volta a Capitólio (e depois de tanto queijo da Canastra), guarde apetite pra saborear as carnes do restaurante Salvatore (@salvatorecarnes). O local, que começou como uma boutique de carnes, fez tanto sucesso que começou também a preparar os cortes selecionados pra freguesia. Do cardápio enxuto, saem boas pedidas como o carpaccio de Angus e o risoto de costela. Aviso aos vegetarianos: eles também servem pizzas. Pra acompanhar, peça aquela Corona gelada.


Rota dos Paraísos

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