Vibes

A nova era dos hobbies

Por
Adriana Setti

Em tempos de produtividade a qualquer custo e superexposição nas redes, é cada vez mais difícil encontrar quem se dedique a hobbies só por prazer.

“O que você faz no seu tempo livre?”. Houve um tempo em que essa frase era usada pra puxar papo. Mas os tempos mudaram e, na era da produtividade a qualquer custo, chega a ser estranho pressupor que alguém disponha desse privilégio. Consequentemente, o hobby virou artigo de luxo.

Tempo e dedicação

Tricotar é um hobby que exige comprometimento l Créditos: Tanya Dusett / Unsplash
Tricotar é um hobby que exige comprometimento l Créditos: Tanya Dusett / Unsplash

Mas o que é, afinal de contas, um hobby? Segundo Robert Stebbins, sociólogo especializado em estudos do lazer da Universidade de Calgary, no Canadá, é a busca sistemática de uma atividade – como surfar ou fazer tricô – que geralmente requer uma habilidade especial.

Em outras palavras, precisamos dedicar esforço — e, às vezes, dinheiro — a um hobby pra colher seus frutos ao longo do tempo. Segundo o sociólogo, se comprometer com uma atividade de “lazer sério” é uma das chaves de uma vida plena — e basta observar surfistas, ciclistas, maratonistas e outros “istas” amadores pra sacar que ele tem razão.

Breve história dos hobbies

Revolução Industrial também impactou a maneira como trabalhadores viam os hobbies
Revolução Industrial também impactou a maneira como trabalhadores viam os hobbies l Reprodução

Na virada do século 20, a monotonia do trampo industrial passou a fazer com que os trabalhadores buscassem algo mais depois da labuta. Mas foi só depois da conquista de direitos trabalhistas, como a jornada máxima de oito horas, que começou a sobrar um pouco de tempo para o ser humano moderno pensar mais seriamente em lazer.

Geração sem hobbies

Geração sem hobbies
Créditos: Vladislav Muslak / Unsplash
Geração sem hobbies
Créditos: Bruce Mars / Unsplash

Já nas últimas décadas, a precarização do emprego, a paranoia da produtividade e a diluição da fronteira entre trabalho e vida pessoal fizeram com que empreendêssemos o caminho inverso. Para as novas gerações, fica difícil pensar em lutar karatê sem ter como pagar o aluguel.

Numa sociedade que preza a produtividade acima de tudo, os hobbies também passaram a ser vistos como algo a ser monetizado, seja através de grana ou de likes. Freesurfers fazem grana vendendo um estilo de vida; o pedal do fim de semana só vale se for compartilhado no Strava e até o hábito de ler livros acabou virando algo instagramável (vide #bookstagram).

Hobbies offline

E você… qual foi a última vez que se dedicou a alguma atividade só por prazer?

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