Vibes

Quem são os artistas brasileiros que vão dominar sua playlist neste ano

Por
Fernanda Nascimento
Em
10 março, 2020
Em parceria com

Do boi-bumbá ao pop, do eletrônico ao funk, de Santa Catarina ao Maranhão, os nomes da música que vão roubar a nossa atenção neste ano.

A música pode nascer dos improvisos em um violão, das experimentações de batidas clássicas e contemporâneas, da mistura de ritmos regionais ou mesmo da transformação das dores mais profundas em canções. Há um pouco de tudo isso no que tem sido produzido de mais interessante e potente Brasil afora. Pedimos ao curador, produtor musical e DJ Dimas Henkes que selecionasse cinco bandas e músicos que valem ficar de olho em 2020. Do Maranhão à Santa Catarina, passando por Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, mapeamos os artistas que têm tudo para conquistar seu play neste ano. É só dar uma chance à curiosidade e apertar o play desta lista preparada em parceria com o ibis, que assim como a gente também acredita que a música tem o poder de conectar e inspirar pessoas. Quer saber mais? Acesse dicas de viagem ibis.

Biltre (RJ) | Foto: Wendy Andrade

Um meme carioca que deu certo

Nos primeiros anos eles circulavam pelas ruas do Rio de Janeiro botando seu som numa bicicleta toda equipada, a BananoBike. A Biltre, formada por dois cariocas, um mineiro e um paraense, queria mesmo era ocupar o espaço público e espalhar uma música que ainda não tinha espaço nas casas de shows da cidade em 2011. Nessa onda despretensiosa, quando viram tinham se transformado numa banda de verdade. Arthur Ferreira, DioClau Serrano, Diogo Furieri e Vicente Coelho lançaram um primeiro disco e resolveram se levar a sério (pelo menos profissionalmente). Foram para o estúdio produzir o segundo álbum em 2017 e saíram para rodar o Brasil. Se juntaram à turma do laboratório cultural MangoLab, gravaram com Lenine, Letrux e agora preparam um novo trabalho – mais maduro, mas sem perder essa leveza de fazer graça de si mesmo. “Estamos experimentando algumas coisas desse novo momento do beat brasil, que flerta com coisas mais interioranas, mais populares. Mas ainda tem uma raiz da batida mais clássica do funk, de Steve B e Furacão 2000”, diz DioClau. É para ficar de olho.
@bandabiltre

Josyara (BA) | Foto: Victor Affaro

Mais um filho da Bahia para fazer história

A Bahia, essa terra de onde saem tantos artistas incríveis, deu à música brasileira mais um fruto. Natural de Juazeiro, a cidade de João Gilberto, Josyara é cantora, compositora e instrumentista. Depois que conheceu o violão, não largou mais. Começou a descobrir sua própria voz, sentiu vontade de gravar suas músicas e, em 2012, nascia Uni Versos. A primeira experiência no estúdio não foi exatamente do jeito que ela queria. Tanto que seu segundo álbum, Mansa Fúria, tem um sabor de estreia. No disco lançado em 2018 Josyara mostra sua inquietação num misto de calmaria e explosão. É uma reunião de músicas que estavam em seu repertório há alguns anos e que ela desenhou num álbum com sua própria direção artística. Aos 28 anos, a cantora baiana se divide entre Salvador e São Paulo, entre suas raízes e inspirações e a cidade que a abraçou. Agora ela se prepara para lançar em março um projeto com o músico Giovani Cidreira, seu amigo de longa data, e o produtor Junix 11, do grupo BaianaSystem, com quem já havia trabalhado no último disco.
@_josyara

La Leuca (SC) | Foto: Leticia Durlo

Escola do rock catarinense

A banda formada por quatro catarinenses de 20 e poucos anos nasceu nas aulas da escola de música Garagem 2020, em Florianópolis, Santa Catarina. Nena Bonanomi e Dora Hoff, que tocavam juntas desde o ensino médio, se somaram à irmã de Nena, Mariana, e à baterista Carol Werutsky, para formar a La Leuca. As aulas viraram ensaios e os covers que tocavam foram substituídos por músicas próprias. O primeiro EP, produzido em 2018, ganhou uma continuação no ano passado com 4 novas canções autorais. Elas saíram para subir aos palcos antes mesmo do lançamento e se jogaram em um tour por dez cidades, além de fazer shows pontuais pelo Brasil. Novas composições já fazem parte do repertório das apresentação e outras canções estão guardadas para serem gravadas. “O primeiro EP fala muito sobre a infância. As novas composições são meio que uma superação dessa fase, uma parte mais adulta”, diz Nena. Agora é só esperar para assistir até onde essas meninas são capazes de chegar.
@laleucaleuca

Madimboo (PE) | Foto: Thays Bittar

Do Recife, a banda de Johnny Hooker

O Recife é o ponto de partida e a linha de chegada das sonoridades do trio Madimboo, formado por músicos da banda de Johnny Hooker. “Camomila”, o primeiro single do grupo lançado em 2016, se transformou no EP Candeia. Já o disco de estreia saiu do forno em agosto do ano passado e mostrou que os pernambucanos têm personalidade e um som poderoso. Em “Flertar é Humano”, Artur Dantas, Felipe Rodrigues e Thiago Duarte misturam ritmos regionais à psicodelia, ao pop e à música eletrônica. O álbum traz nove faixas inéditas e duas regravações, como “Caetano Veloso”, do disco mais recente de Johnny Hooker. O cantor pernambucano também faz participação no álbum e volta e meia dá solta a voz nos shows do Madimboo. O trio tem se apresentado por cidades como Recife, São Paulo e até mesmo em Portugal. Vale a pena ficar de olho na agenda e conferir de perto o som dessa turma.
@madimboo

Vinaa (MA) | Foto: Leandro Lima

Resistência maranhense

Seu nome se pronuncia com um “a”, mas se escreve com dois no final. Tem origem indiana, conta Vinaa, e significa uma charada, uma dúvida. E há um pouco de mistério na figura desse cantor queer de São Luís, capital do Maranhão, que já tem dois discos lançados. De forma independente, ele rodou com seu primeiro trabalho, Bordel de Amianto, por sete estados ao lado de uma big band. “É um disco importante porque é meu cartão de visitas”, conta Vinaa. “Ele fala basicamente sobre mim e a procura de um lugar onde eu pudesse me realizar, me satisfazer. Conta desde a rejeição familiar na orientação de gênero até o encontro desse lugar dentro de si próprio.” No ano passado, o cantor se enfurnou no estúdio para criar o álbum Elementos e Hortelã na Terra dos Eucaliptos, lançado em novembro e primeira faixa de trabalho, “Cicatriz (No Regresa)”, conta com participação de Zeca Baleiro. “Misturei expressões maranhenses, como tambor de crioula, cacuriá e bumba meu boi, com ritmos latinos como cúmbia, tango e salsa”, diz. “É um som diferente. Digo isso com a convicção de quem passou nove meses no estúdio fazendo esses encontros.”
@vinaadelmar

Foto de abertura: Madimboo (PE), por Thays Bittar

ibis

Viajar em busca do sol e viver momentos inesquecíveis. Revelar destinos, conectar com a cultura local e falar de entretenimento, gastronomia e esporte. As paixões do The Summer Hunter são as mesmas da Accor, por isso este canal: para levar até você histórias e experiências marcantes pelo Brasil. Leia todos os posts aqui.