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54 horas em Aracaju: o que fazer entre o mar e os rios na menor capital do Brasil

Por
Nina Rahe e Priscilla Bittencourt
Em
25 dezembro, 2019

A capital do Sergipe não tem trânsito, é organizada, e está repleta de orlas por conta não só do mar como também dos rios. Bem-vindo à menor capital do Brasil.

Para muita gente que vem a Aracaju a turismo, a sensação é a de ter descoberto um lugar pra morar em vez de passear. O motivo é o fato da capital do menor estado do Brasil ter, pra além de suas atrações turísticas, a aparência de uma cidade do interior. Aracaju não tem trânsito, é organizada, e está repleta de orlas por conta não só do mar como também dos rios. A cidade, que possui 23 km de litoral, com águas mornas e um verão que parece durar o ano inteiro, tem temperaturas entre 24 e 32 graus e se espalha entre os caudalosos rios Sergipe e Vaza-Barris. Soma-se a tudo isso, ainda, a brisa constante do mar. Não é à toa que os turistas costumam associar a capital de Sergipe às rotas mais tranquilas da região. É o tipo de lugar pra desacelerar com a dose certa de badalação e boa comida.

DIA 1

19h
Sabor local

À beira mar, o restaurante Sollo (Rod. Inácio Barbosa, 1000( é um dos mais conceituados da capital. Um dos pratos mais gostosos do espaço, o robalo com crosta de castanha, é também a mistura de dois dos itens mais consumidos na culinária de Aracaju.

21h
Chope às margens do rio

São muitas as opções de bares pra curtir a noite em Aracaju, mas nenhuma delas possui um visual tão bonito quanto o Pier 13 (Av. Beira Mar, 15), que fica às margens do rio Sergipe. Assim que anoitece, o rio tem suas águas iluminadas pelos enfeites de luz da ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros.

DIA 2

Praia de Atalaia | Foto: Wagner Tarso/iStock

8h
Para gregos e troianos

A Orla de Atalaia reúne grande parte da rede hoteleira da cidade e na maioria dos hotéis, mesmo pra quem não está hospedado, é possível pagar uma taxa pra degustar o café da manhã. Uma das opções é o Radisson Hotel Aracaju (R. Dr. Bezerra de Menezes, 40), que fica de frente para o mar e costuma ser a parada de hóspedes ilustres, como os jogadores da seleção da Grécia, que se hospedaram no local durante a Copa do Mundo de 2014.

9h30
No limite da cidade

A Croa do Goré, um dos passeios mais divertidos da capital sergipana, fica em um dos extremos da cidade, já perto do município de Itaporanga d’Ajuda. Aos finais de semana, há catamarãs que saem duas vezes ao dia, mas vale muito alugar uma lancha e fazer o passeio numa versão mais exclusiva – na Orla Pôr do Sol, os pilotos cobram pela diária ou trajeto de ida e volta. O roteiro inclui parada na Croa – uma espécie de banco de areia próximo ao rio Vaza-Barris, que é rodeado pelo mangue e aparece quando a maré baixa – e outra na Ilha dos Namorados, um cenário deslumbrante com lagoas de água cristalina.

14h
Um bangalô pra chamar de seu

Na hora de almoçar, não é preciso dizer adeus ao sol. A dica é escolher uma das barracas ao longo da extensão da praia de Aruana e petiscar diante do mar azulado. No bar e restaurante Duna Beach (Av. Inácio Barbosa, 3490) é possível reservar um bangalô pra degustar frutos do mar acompanhados de drinks de frutas. 

16h30
Diante dos tubarões

Os dias ensolarados e a infraestrutura da Orla da Atalaia são perfeitos pra atividades esportivas. O local tem quadras de basquete, futebol, vôlei e tênis, além de pistas de skate e até de kart. Alugar uma bicicleta é uma forma gostosa de percorrer toda a área, que possui cerca de 9 km de extensão. No trajeto, vale uma parada ara visitar o Oceanário de Aracaju (Av. Santos Dumont, 1010). 16h30 é o horário ideal para quem ver a alimentação dos peixes e ter a experiência, inclusive, de tocar em espécies como o tubarão lixa.

19h
Clássicos revisitados

Na própria Orla da Atalaia é possível encontrar versões modernas dos clássicos nordestinos. O restaurante Terra Tupi (Av. Santos Dumont, 610), por exemplo, faz releituras de pratos como a costela de porco, que é servida ao molho barbecue de melaço e vem acompanhada com macaxeira frita e queijo coalho.

21h
Arrasta-pé no Cariri

Ir a Sergipe e não dançar forró é como ir a Cuba e não dançar salsa. O ritmo, nas versões tradicionais ou modernas, é uma constante em todos os bares da região. Na Passarela do Caranguejo (Av. Santos Dumont, s/nº), como é conhecida a estrutura repleta de restaurantes ao lado da Atalaia – além do lugar ideal para provar caranguejos, é claro – , fica o Cariri, que conta com apresentações de forró quase todos os dias. O local é decorado com itens tradicionais nordestinos – chifre de boi, chapéu de couro – e o cardápio tem petiscos tradicionais como a patinha de caranguejo.

DIA 3

7h
On the road

Vale muito a pena acordar cedo para conhecer Mangue Seco. O vilarejo, embora localizado no município de Jandaíra, na Bahia, fica a apenas uma hora de Aracaju. Para acessá-lo, é preciso deixar o carro na vila de Pontal, no município sergipano de Indiaroba, e pegar uma das lanchas que saem dali – a travessia leva 15 minutos. Ao lado da foz do rio Real, o vilarejo de casas antigas foi cenário para a gravação de cenas da novela Tieta mas, mesmo com a fama alçada após o folhetim, Mangue Seco preserva o ar bucólico de paraíso inexplorado.

12h
Almoço na vila 

Em Mangue Seco, não deixe de aproveitar para conhecer os charmosos restaurantes do vilarejo. Uma boa opção é o Bar.co (Orla de Mangue Seco, s/nº), com cardápio recheado de frutos do mar e um famoso mojito, que ajuda a refrescar as altas temperaturas.

18h
Na língua de sinais

Uma das sorveterias mais gostosas da cidade é também a mais inclusiva. Ir ao Il Sordo Gelato (Rua José Ramos da Silva, 303) é não só provar sorvetes e picolés italianos maravilhosos, entre opções veganas e sem açúcar, como ter a experiência de aprender a se comunicar com uma equipe de funcionários formada exclusivamente por deficientes auditivos. No espaço, placas indicativas ajudam nas informações, um painel com canetas permite que os clientes deixem recados mas há também telões que ensinam sinais básicos em libras. 

20h
Até o Carnaval chegar

Reduto pouco conhecido pelos turistas, o bairro Inácio Barbosa é o mais boêmio da cidade. Ali, onde o mar dá lugar ao rio Poxim e à vegetação do manguezal – que rodeia essa parte de Aracaju –, é o ponto de encontro da maioria dos blocos de rua durante o Carnaval. Mas enquanto a festa não chega, não faltam opções de bares e restaurantes mais transados. Um deles é o Seo Inácio Bistrô (R. Cecinha Vieira, 160), conhecido por sua empanada de camarão com purê e pelas noites de improviso musical, geralmente às sextas-feiras, quando uma turma de amigos se reúne para tocar chorinho.

22h
Expressão sergipana

Inaugurada há pouco mais de um ano e com um cardápio próprio, a cervejaria artesanal Uçá (Av. Presidente Trancredo Neves, 655), que empresta o nome de um dos caranguejos mais consumidos na região, homenageia Sergipe em todos os seus rótulos: da Pilsen chamada Goré – outro crustáceo – a American Porter intitulada Gota Serena – expressão popular usada como sinônimo de impaciência. 

Foto de abertura: Wagner Tarso/iStock