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Damn Gang: um corre para o bar

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Por Fernanda Nascimento -

Eles não marcam os quilômetros no relógio nem querem saber qual é o seu pace. Mas se você gostar dessas coisas, tudo bem. Todo mundo tem espaço no corre da Damn Gang, que junta uma galera que nunca se desafiou no esporte à corredores experientes (tem até maratonista e ironman no grupo). Até porque a ideia ali não é competir, mas sim aproveitar as noites de quinta-feira para se encontrar, tomar um drink, trocar ideia e explorar as ruas de São Paulo. “A gente gostava de correr e sempre encontrávamos os amigos num bar. Uma hora pensamos: por que não podemos juntar os dois?”, conta Luciana David, uma das fundadoras da Damn Gang.

A primeira corrida, três anos atrás, juntou “uns cinco gatos pingados no meio da rua seguindo uma caixinha de som”. “A gente terminou super endorfinados e falamos: é isso!”, lembra. Luciana David, Felipe Paku e Lucas Gasbarro criaram a Damn Gang porque não encontraram outro rolê que tivesse a cara deles. Mas logo viraram muitos. Quando postaram nas redes sociais o que estavam fazendo, apareceu um tanto de amigos que também estavam procurando isso. E depois os amigos dos amigos, os conhecidos...

Hoje, numa semana de verão, eles chegam a reunir 50 pessoas em plena quinta-feira à noite e ganharam o reforço de Bruno Cruz, Fernando Serec e João Zabini na organização do rolê. A corrida é só uma ferramenta. Para mexer o corpo, explorar a cidade e, claro, tomar um drink no final. “A rua é um espaço democrático que é nosso, mas a gente não ocupa ele assim. Com a corrida é possível se sentir à vontade nesse lugar”, conta Luciana.

Bruno Cruz, Fernando Serec, João Zabini, Luciana David, Felipe Paku e Lucas Gasbarro, os fundadores da Damn Gang | Foto: Reprodução

O ponto de encontro – e, portanto, a rota – muda a cada semana. A ideia é mesmo explorar todos os cantos da cidade, de preferência com a saída marcada perto do metrô para ajudar a galera que vai direto do trabalho. O que se sabe é que o percurso sempre tem cinco quilômetros (não exatamente porque, afinal, ficar calculando no relógio não é a onda dessa turma). Mas ali, no calor do corre, nem parece tanto. A pressão da performance é substituída pela atenção aos buracos na calçada, às ruas cruzadas com a ajuda de um membro do time que segura os carros no semáforo ou à música que sai da caixinha pendurada em um dos corredores. “Correr em São Paulo é mega desafiador”, diz Luciana. “Eu não sou daqui e conheci a cidade com a corrida. E tem muita gente que nasceu e foi criado aqui e está conhecendo uma São Paulo diferente”.

Fotos: JP Faria

Quem dita o ritmo da corrida é sempre o mais lento, já que ninguém fica para trás. Os novatos recebem algumas instruções básicas antes do grupo sair e um abraço na chegada ao bar, quando todos começam a comemoração do corre do dia. “O bar é um espaço aberto para todo mundo, super democrático, e a Damn Gang também”, explica Luciana. “Então fazia todo o sentido voltar para esse ambiente e continuar a troca de energia que rola”.

Essa filosofia é a essência da Damn, que busca inspiração nas crews de fora do país, onde a cultura de rua é mais forte do que nos grupos de corrida paulistanos. “A Damn é esse espaço democrático que traz para todo mundo a possibilidade de viver uma corrida sem compromisso, sem pace, sem obrigação”, diz Luciana. “É incrível ver como isso mudou nossas vidas e agora muda a de tanta gente”, completa. Não é sobre quanto se corre, mas sim sobre como e com quem corremos.