Como a ilha do hedonismo extremo se tornou um destino de luxo e bem-estar.
Em Ibiza, superclubs como Pacha, Ushuaïa, Hï e Amnesia ainda estão em pé. E os grandes dinossauros da cena eletrônica continuam na área — até Carl Cox ressurgiu no verão de 2025, como residente da nova UNVRS, a reencarnação da falecida Privilege.
Mas muita coisa mudou: a mais rolezeira das Ilhas Baleares se tornou uma meca do turismo de bem-estar, com um menu completo de práticas holísticas e centros de wellness — o mais novo deles assinado pela Soho House.

Living la vida loca, pero no mucho
Na última década, Ibiza se empenhou em transformar a sua imagem, proibindo os afters, modulando o volume da música em festas ao ar livre e implementando medidas pra conter o turismo de massa — em 2025, por exemplo, limitou o número de carros.

A pandemia, que fechou os superclubs por dois anos, serviu como catalisador pra esse rebranding, que redirecionou a ilha ao turismo de luxo e de bem-estar.



“No lado norte da ilha, mais isolado e distante — literal e simbolicamente — das festas do sul, vem ocorrendo uma mudança cultural em direção a uma vida mais equilibrada. Hoje, Ibiza é um destino onde as pessoas não vão pra escapar da rotina, mas pra otimizá-la.”
Fonte: trecho de reportagem do NY Post


Em 2021, a inauguração do hotel e spa Six Senses e do festival de wellness Alma deram força ao movimento. Desde então, vários outros templos do bem-estar se instalaram, a exemplo dos hotéis 7Pines Resort e Oku Ibiza. Mas a verdade é que a essência desse movimento sempre esteve lá. Desde os anos 1970, boa parte da população da ilha é formada por professores de yoga, místicos, terapeutas alternativos e afins.
Ibiza sempre teve o seu lado detox — só que, até pouco tempo atrás, ele não estava no circuito mainstream, nem tinha roupagem de luxo.
“Ibiza é multifacetada e sempre atraiu pessoas em busca de diferentes tipos de escape. Anos antes dos ravers descobrirem o ecstasy e a música eclética […], artistas e intelectuais como Walter Benjamin se aglomeraram aqui pra fugir da opressão; estrelas da era de ouro de Hollywood […] encontraram um refúgio seguro longe dos holofotes e até Bob Marley dançou a noite toda depois de fazer um show.”
Matt Haig, escritor britânico que viveu (e quase morreu) em Ibiza nos selvagens anos 1990

Um pouco de droga, um pouco de salada
Festa selvagem à noite, yoga ao amanhecer. Espumante na happy hour, suco verde no café. Essas coisas não precisam ser, necessariamente, incompatíveis. A nova Ibiza materializa essa dualidade, esse equilíbrio.