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54 horas em Flecheiras: velejo e boa vida na nova meca do kitesurf no Ceará

Por
Adriana Setti
Em
24 janeiro, 2020

Perfeita para quem ama esportes de vento, essa praia a 140 quilômetros de Fortaleza, no município do Trairi, já vem sendo tachada de “nova Jeri”.

Tudo gira em torno do vento – não apenas as torres eólicas fincadas nas dunas aqui e acolá. O kitesurf é o assunto número um nas rodinhas na praia de Flecheiras e as velas colorindo o céu fazem parte da paisagem. Perfeita para downwind (velejar a favor do vento por vários quilômetros) ou para quem quer aprender a dar as primeiras deslizadas numa lagoa, essa praia a 140 quilômetros de Fortaleza, no município do Trairi, já vem sendo tachada de “nova Jeri”. Na última década, pousadinhas e hotéis charmosos brotaram da areia e os locais aprenderam a ensaiar palavrinhas em inglês, francês, italiano, polonês… Ao mesmo tempo, as ruas forradas de paralelepípedos conservam ares de cidadezinha do interior e velejar sem muvuca, mesmo na temporada do vento (julho a dezembro, com auge entre agosto e outubro), ainda é uma realidade possível. A seguir, 54 horas de velejo, macaxeira orgânica e agitos regados a caipirinhas de seriguela.

DIA 1

17h
Novos ventos

Fim de tarde é coisa séria no Kite Bar Emboaca, na praia de Emboaca, a 5 km de Flecheiras. Pilotado pelo casal de kitesurfers Fernanda e Dudu, a barraca é dos kite points mais novos e alto astral da região. Além de contar com uma equipe de exímios dobradores de velas, tem música boa, cerveja trincando e comidinhas no capricho. Pra reunir forças pra um downwind ou uma aula de velejo (Dudu, o anfitrião, é um dos professores mais firmeza da região), abocanhe uma porção de macaxeira orgânica ou um peixe na brasa. Se o fim de tarde coincidir com a maré baixa, as piscinas naturais garantem um show refletindo o degradê do céu. 

20h
Tiro certeiro

Uma instituição de Flecheiras, o Restaurante do Nonô é o pouso mais seguro pra jantar e ver gente no vilarejo. As pizzas fazem a fama da casa, mas o cardápio é eclético, com boas opções de massas, carnes e frutos do mar. 

22h
O famoso vaivém

No alto verão e na temporada de vento, o centrinho de Flecheiras ferve aos finais de semana. O olho do furacão é a Praça São Pedro, onde costuma rolar música ao vivo nos bares e o famoso vaivém. Pegue seu picolé de tapioca Pardal na Sorveteria da Lya, ali pertinho, e siga o fluxo. 

DIA 2

Guajiru Kite Center, entre Flecherias e Guajiru: de carona no vento | Foto: Reprodução

8h
O pecado mora ao lado

Ninguém sabe ao certo onde termina Flecheiras e começa o Guajiru, vilarejo mais bem aprumado e sossegado do que a “irmã” famosa. Mas o fato é que muitos ouviram falar dessa praia nos últimos anos. Velejadores do mundo todo se encontram no GKC (Guajiru Kite Center), pilotado por Jaílson Sena, o instrutor mais conhecido do pedaço. Organiza downwinds de vários dias, cursos e é o lugar certo pra jogar conversa ao vento em vários idiomas. 

11h
Quem não veleja, relaxa

Antes de sair voando pelo Oceano Atlântico, a maioria dos iniciantes ensaia as primeiras manobras na Lagoa do Jegue (meia hora de 4X4 pela praia na direção de Fortaleza ou uma hora pela estrada). Com jeito de fim de mundo, tem apenas uma barraca rústica que abre quando o dono decide – leve mantimentos para sobreviver. Não veleja? Relaxe e boie na água morna. No caminho dê um mergulho na linda praia da Lagoinha e na barra do rio Trairi.

Entrada da Barraca das Algas: polvo, camarão, lagosta e peixe fresquíssimos | Foto: Reprodução

15h
Barraca das Algas

Pra almoçar com o pé na areia no Guajiru, a melhor pedida é o restaurante Guajiru com Pimenta. Já em Flecheiras, nada bate a Barraca das Algas, que tem música baixinha, poucas mesas e árvores que fazem uma sombrinha estratégica. Em ambas, farte-se de polvo, camarão, lagosta e peixe fresquinho.

17h
Montanhas de areia

Assim como Jeri (mas sem multidões ou aplausos), Flecheiras está cercada de dunas, que servem de camarote pra ver o pôr do sol. Coloque uma garrafa d’agua (e outra de vinho) na mochila, muna-se de valentia e escale alguma gigante de areia pra terminar o dia vendo tudo do alto.

20h
Fuego! Fuego!

O bar mais charmoso de Flecheiras, Mandarina Playa, é obra de um espanhol radicado no Brasil (casado com Amanda, responsável pela ótima curadoria de vestidinhos da lojinha anexa). Entre mesas e lounges, desfilam receitas como paella (por supuesto), além de ceviches, hambúrgueres e carpaccio. Para acompanhar, peça um dos drinks da casa. Eles vêm à mesa como verdadeiros carros alegóricos, enfeitados com frutas, adereços e pegando fogo (literalmente). A caipirinha de siriguela, saradíssima, é uma obra-prima.

DIA 3

Bugue, bugre ou buggy, tanto faz, em Flecheiras ele é programa obrigatório | Foto: @praiadeflecheiras / @arthurhenriquefotos

8h
Passeio de bugue

O Ceará não é o Ceará sem passeio de bugue (também conhecido como bugre ou buggy), com direito a vento no rosto, cabelo embaraçado e um que de “emoção”. Para conhecer as lagoas, dunas e paisagens dos arredores de Flecheiras sem o risco de atolar, faça um passeio com um dos membros da Associação de Bugueiros do Município do Ceará. Praia da Lagoinha, Mundaú, Baleia e várias lagoas estão entre as opções de roteiros. 

14h
Vai mais uma lagostinha?

Antítese da Barraca das Algas, o Marítimo é um dos pontos mais fervidos da praia de Flecheiras, além de fonte confiável de porções homéricas de frutos do mar e peixes fresquinhos. Pé na areia, funciona num galpão de madeira e palha com pé direito vertiginoso. Também tem mesas e espreguiçadeiras na praia.

Dunas nos Lençóis Baleienses: opção ao famigerado Lençóis Maranhenses | Foto:@praiadeflecheiras / @arthurhenriquefotos

17h
Lençóis Baleienses, prazer

Seguindo em direção a Jeri pela praia (só de 4X4), você cruzará o rio Mundaú numa dessas balsas rústicas e infalíveis do Ceará (uma plataforma de madeira para um carro, com acesso por duas tábuas improvisadas). Ao chegar na Baleia (alerta farofa!), saia da praia e procure o pin dos Lençóis Baleienses no Google Maps. Guardadas as devidas proporções, o lugar faz jus à referência Maranhense, com dezenas de lagoas pulverizadas entre dunas altíssimas. O lugar é especialmente fotogênico no fim do dia, quando as dunas se tingem de dourado. Os Lençóis atingem seu esplendor depois da época das chuvas, a partir de julho (já no verão, a beleza Baleiense é um pouco mais modesta).

18h
Só uma lembrancinha

Flecheiras está longe de ter “lodjinhas” tão atraentes quanto Jeri. Mas nem tudo está perdido. Vasculhando no “shopping” Vila Bonita, você encontrará vestidos, acessórios, artesanato e outros badulaques pra levar pra casa. 

20h
Viajando no camarão

O chef Nonô reina absoluto no centrinho de Flecheiras e expandiu seus domínios para o Sacada Beach, “restô-bar” que, atualmente, é o mais badalado do vilarejo. Num bonito jardim, serve receitas inventivas com frutos do mar (o camarão no abacaxi é o hit da casa) e também tem apostas mais singelas, como hambúrgueres e massas.

Fotos de abertura: Foto: @praiadeflecheiras / @arthurhenriquefotos