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Fortaleza e arredores: aventura no sertão em Tejuçuoca

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Por Fernanda Nascimento -

Distante das praias lotadas pelos turistas, especialmente durante a alta temporada, se esconde um pedaço do Ceará ainda pouco conhecido. A 144 quilômetros da capital, na pequena cidade de Tejuçuoca, onde vivem pouco mais de 16 mil habitantes, fica o Parque Ecológico Furna dos Ossos. Este é o destino da aventura que parte de Fortaleza rumo ao sertão nordestino para visitar as cavernas e as formações rochosas da região. “É importante desmistificar essa ideia de que no sertão está todo mundo passando fome e comendo calango”, diz Fladner Cruz, que há mais de dez anos organiza roteiros pelo interior do Ceará na Nordeste Off Road. “São paisagens completamente diferentes do que os turistas estão acostumados.”

Um carro 4x4 sai logo cedo de Fortaleza. Afinal, são duas horas de estrada até chegar à cidadezinha de onde parte a trilha que leva às cavernas. O guia turístico Marcos Adriano Souza avisa: temos que começar a caminhada pela manhã para fugir do sol quente do meio-dia. “Quando se pensa em Ceará, a primeira coisa que vêm à cabeça são as praias e quase ninguém sabe que em passeios de um dia dá para conhecer grutas, fazer rapel, escaladas e explorar o Nordeste de verdade”, diz. De fato, a paisagem muda ainda durante o caminho pela estrada. O verde começa a sumir do horizonte e as cores do sertão ficam mais fortes – especialmente nas estações mais quentes, quando a maior parte das árvores perde todas as suas folhas.

Fotos: Doma02

Chegando à Tejuçuoca, quem nos leva ao Parque Ecológico Furna dos Ossos é Renato Santos, que conhece aquele lugar como a palma das mãos. “Aqui dá para fazer turismo de aventura, ecológico. É uma paisagem bem rústica, mas ao mesmo tempo natural”, diz. A trilha a pé que sai dos limites da cidade leva às oito cavernas e dois mirantes batizados por moradores da região. Furnas dos Veados Campeiros, da Mesa, do Sino ou Mirante da Cabeça do Índio (na foto que abre este post) são alguns dos nomes das paradas do passeio, que leva de duas a quatro horas, dependendo da disposição dos turistas.

Renato Santos (à direita) guia à trilha que leva às cavernas do Parque Ecológico Furna dos Ossos

Durante o verão – que se estende por metade do ano, Renato avisa – há pouca sombra por ali. Restam folhas em algumas árvores, como o juazeiro e a gameleira, mas a maior parte das espécies perde seu verde no final do inverno. Durante o caminho, ele apresenta a vegetação da região: o cumaru, o marmeleiro, os cactos, o mandacaru... “Essas árvores são típicas do semiárido, do nosso sertão nordestino. São espécies que conseguem se adaptar à esse clima”, explica. Alguns animais podem cruzar o caminho durante o passeio. Os bodes estão sempre circulando por ali. Afinal, Tejuçuoca é conhecida como a terra desse animal, que também se adapta bem às condições climáticas da região. Não é raro ver alguns grupos de macacos ou mesmo o jacu, uma ave que costuma pousar por ali.

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A trilha termina no Mirante Arco de Deus, um dos pontos mais altos do Parque. “Eu costumo dizer para quem visita esse local que se você fizer a trilha ecológica e não for ao Mirante é como se não tivesse vindo”, avisa Renato. Chegar ao topo da formação rochosa de onde se tem uma vista que alcança dezenas de quilômetros é o trecho mais difícil da aventura. Mas o frio na barriga para subir pelas pedras vale a pena. “É o prazer de ver toda essa região aqui ao nosso redor”, diz.

A subida para o Mirante Arco de Deus