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Elas se uniram — e juntaram mais centenas de mulheres — para defender os oceanos

Por
Mariana Weber
Em
20 janeiro, 2020

A Liga das Mulheres pelos Oceanos foi fundado pela fotógrafa Barbara Veiga, a bióloga Leandra Gonçalves e a jornalista Paulina Chamorro e já conta com mais de 300 membros.

A fotógrafa Barbara Veiga mantém um relacionamento sério com o mar desde a adolescência. Aos 14 anos, fazia limpezas na praia no Rio de Janeiro, onde nasceu. Aos 22, percorreu a costa brasileira como voluntária de um navio do Greenpeace, numa expedição que mudaria sua vida: “Descobri que, no mar, sinto uma paz inexplicável”, escreve no livro Sete Anos em Sete Mares, lançado em 2019. Desde então, tornou-se ativista contratada pela ONG (e depois por outras), combateu a pesca baleeira, viajou o mundo no próprio veleiro, percorreu 80 países. E agora embarca numa nova missão: a Liga das Mulheres pelos Oceanos, fundada com a bióloga Leandra Gonçalves e a jornalista Paulina Chamorro.

Barbara conheceu Paulina durante uma entrevista pro programa Vozes do Planeta, na Rádio Vozes, apresentado pela chilena radicada em São Paulo. Já a relação com Leandra, brasileira que hoje vive na Califórnia, vem do ativismo – ambas trabalharam no Greenpeace. Em comum entre as três, a conexão com os oceanos. E a vontade de potencializar as iniciativas femininas em defesa do mar. “Tem um dado muito alarmante de que 70% das pesquisas científicas são feitas por mulheres, e a gente não vê essas mulheres no front”, diz Barbara. “É um momento histórico, que a gente precisa fortalecer e fazer essa voz se tornar maior, mais forte, com a coletividade.”

Barbara, Leandra e Paulina: “se os oceanos morrerem, a gente morre”  | Fotos: Divulgação

As três fundadoras buscaram o apoio de cerca de 20 colaboradoras que são uma espécie de conselho da liga. Entre elas, Marina Klink (fotógrafa de natureza), Carolina Overmeer (jornalista, mergulhadora e membro da organização inglesa Project Zero, que trabalha pela proteção dos oceanos), Ana Paula Prates (engenheira de pesca que é doutora em ecologia e analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente) e Roberta Borsari (atleta que que registra a prática de stand up paddle em ilhas do Brasil e do mundo no projeto SUPtravessias). A embaixadora é a cantora Adriana Calcanhotto, que em 2019 lançou Margem, o último álbum de sua trilogia do mar.

“‘Não importa o lugar onde você mora no mundo, de alguma forma você vai ser impactado se não cuidar do mar”

Mas a rede é maior que esse núcleo. Lançada em 8 de março do ano passado, no Dia Internacional da Mulher, conta com mais de 300 membros, de diferentes formações e regiões do Brasil. Há desde cientistas que estudam o mar até profissionais que não têm ligação direta com o tema, mas que querem ser voluntárias. (Quem se interessar em embarcar no movimento pode preencher um cadastro no Instagram @ligadasmulherespelosoceanos).

As articulações acontecem pela internet. O que a Liga faz é trocar ideias e dados e apoiar ações femininas em defesa dos oceanos – que podem acontecer numa praia brasileira ou numa discussão nas Nações Unidas.

Em dezembro passado, os olhares se voltaram pra Conferência da ONU sobre o Clima, em Madri, que teve participação de uma representante da Liga, a ambientalista Natalie Unterstell. Outro foco foi o derramamento de óleo no Nordeste, com divulgação de informações sobre o desastre ambiental e de iniciativas de limpeza como as de um grupo de mulheres de Caravelas, na Bahia. 

“Dar visibilidade a grupos menores é uma forma de ajudar, de ampliar essa voz”, diz Barbara. “A Sylvia Earle, uma oceanógrafa que eu amo, fala: ‘Não importa o lugar onde você mora no mundo, de alguma forma você vai ser impactado se não cuidar do mar’. A gente está conectado a ele em cada gota de água que bebe, em cada respiração. Se os oceanos morrerem, a gente morre.”