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Manu e Felipe, do BotaniKafé: açaí, smoothies e um certo cheiro de mar

Por
Fabiana Correa
Em
16 janeiro, 2019

O casal comanda uma das casas que transformou o brunch em mania gastronômica em São Paulo

Felipe encontrou Manuela e se apaixonou. Mas Manuela tinha planos de estudar fora, do outro lado do Atlântico. Felipe não queria ficar sem Manuela. Ela viajou e, alguns meses depois, lá estava ele em Barcelona, onde passou quatro meses ao lado da namorada. Esse é o começo da história do empreendedor Felipe Scarpa e da arquiteta Manuela Albuquerque. E também do BotaniKafé, que funciona em uma portinha dentro da Casa Tropi (misto de loja de roupas descoladas e brechó de Patricia Sampaio), em Pinheiros, com um quintal e jardim aos fundos, onde mesinhas estão sempre ocupadas e o pátio da frente fica cheio de gente fazendo fila pra entrar. “A nossa rotatividade não é tão alta porque as pessoas gostam de vir aqui e ficar. O lugar é gostoso, tem jardim, dá pra ver o céu…”, diz Manu.

Vem dela – e de seu olhar de arquiteta – o cuidado com a estética da casa. “A gente teve sorte de achar esse lugarzinho que já estava praticamente pronto. Mas eu fico de olho em tudo o que entra aqui, em toda a decoração. Tem que contar uma história, tem que ter a ver com tudo o que a gente acredita e gosta, tudo natural”, diz. E esse tico de beleza – e de natureza – no entorno é uma necessidade pra ela, já que Manu cresceu entre as praias da Ilhabela. “Não dá pra ficar muito tempo longe do mar. A gente desce sempre que temos carona e casa pra ficar.”

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O ponto perfeito em Pinheiros, entre restaurantes e lojas de roupa, dentro da Casa Tropi

O BotaniKafé foi ideia de Manu. Nasceu em fevereiro do ano passado com a proposta de servir um tipo de refeição que os donos super curtem: café da manhã de responsa, com açaí orgânico, ovos muito frescos, tostadas com abacate e alguns bowls de frutas e cereais. No tempo em que Felipe passou em Barcelona, o casal experimentava a primeira refeição do dia em tantos cafés da cidade que começou a ter vontade de abrir um. “Vi que eles davam uma atenção especial ao ovo. Tempo de cozimento, cor da gema… e comecei a testar as receitas em casa pra Manu experimentar, fazer um molho diferente, chegar no ponto ideal”, diz Felipe.

Felipe viu que era bom nisso. “Queríamos trazer a ideia de brunch que a gente experimentou por lá”, conta. E trouxeram. O BotaniKafé virou referência bem antes do que o casal esperava e, em alguns meses, já estava entre as mesas matutinas mais disputadas da cidade. Ele também já tinha experiência pra tocar um negócio do tipo. Há cinco anos, depois de passar um tempo surfando pelo mundo (e isso incluiu Havaí, claro), Felipe conheceu o poke, prato à base de peixe cru, e abriu um restaurante pra servir a receita havaiana quando voltou do mochilão. “Na época, eu já era sócio do CityLights [mistura de hostel e casa de shows que bomba a cada semana]”, conta Felipe.

Botanikafé
Guilherme Gorgulho, Rodrigo Lodetti, Laís Taraia e Luiz Corrêa, a galera que comanda a cozinha

E foi na frente do hostel que surgiu o primeiro Mr. Poke, dentro de um tuk-tuk, aqueles carrinhos pequeninos comuns na Tailândia. Tudo a ver com a viagem que Felipe tinha acabado de fazer e que incluiu o rolê pela Ásia. O Mr. Poke deu certo e virou dois restaurantes – um em Pinheiros e o segundo nos Jardins.

Em fevereiro de 2018 veio o terceiro empreendimento, junto com a galera do CityLights, o bar de música jamaicana Kingston Club leia o post que fizemos com eles, que tem as noites lotadas por uma público que vai lá pela música, pelos drinks e pela comida (a cozinha é comandada por Felipe). “Abrimos o Kingston ao mesmo tempo que o BotaniKafé. Foi o período mais difícil da vida, muita correria, mas aprendi muito, vi que o segredo foi a equipe muito boa que conseguimos reunir”, lembra Felipe.

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No fundo do quintal, mesas ao ar livre que lotam aos finais de semana

O Kingston lota a rua em que está, a Álvaro Anes, quase todas as noites. E o BotaniKafé vai abrir até maio sua segunda casa, no bairro dos Jardins, na Al. Lorena, servindo o mesmo café da manhã em grande estilo para o triplo de pessoas – além de almoço e jantar. “Vai ser uma aposta e um risco, pois não é só o público do bairro, é uma galera que vem de outros lugares pra comer ali. Chegamos na equipe ideal e sabemos que temos muito pra melhorar”, diz Manu. Ela anuncia que, enquanto isso, os dois planejam uma comemoração para a parceria, nos negócios e na vida, que está dando tão certo. “Estamos noivos. Vamos fazer uma comemoração em breve, casar mesmo. Mas hoje, mais do que casados no papel, somos sócios, algo mais forte até que um casamento hoje em dia [risos].”

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Fotos: JP Faria