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Marcos Valle não quer parar de fazer a gente dançar. Pra ele, o verão nunca tem fim

Por
Mariana Weber
Em
16 dezembro, 2019

Aos 76 anos, o cantor e compositor carioca renova seu público, lança um disco atrás do outro e vê o antigo hit, “Estrelar”, se transformar no hino desse verão.

Tem que correr, tem que suar, tem que malhar. E Marcos Valle corre (ok, anda rápido), sua e malha pra manter o ritmo depois de 56 anos de carreira. Autor de clássicos como “Samba de Verão” e “Estrelar”, compostos, respectivamente, em 1964 e 1983, ele não quer viver de saudade. E está longe disso. Em 2019 lançou um álbum, em 2020 já lança outro. Na virada do ano, toca no réveillon do MECA no Inhotim, apresentado como “a estrela cintilante da disco music atual e um dos maiores nomes da música brasileira”. “Vai ser um show bem pra cima, festivo, com bastante energia, semelhante aos que faço nos festivais da Europa”, diz Marcos. “Vou apresentar músicas de diversas épocas, sucessos da minha carreira que têm esse cunho de ter influenciado DJs, rappers…” É verdade. No fim de outubro, Emicida lançou o álbum AmarElo, cuja faixa “Pequenas Alegrias da Vida Adulta” conta com arranjo original de Valle ao piano. Foi quase, digamos, uma troca de gentileza, já que o rapper paulistano assina duas composições no novo álbum de Marcos.

Foto: Jorge Bispo

Aos 76 anos, o músico agora coloca pra dançar um público que não tinha nem nascido quando ele era um dos expoentes da bossa nova e começava a fazer o mundo cantar “Olha, é como o verão, quente o coração…”. Parte desse público também não existia quando ele fazia a geração saúde dos anos 1980 vibrar com “Estrelar”. Talvez esses novos fãs tenham crescido escutando “Um Novo Tempo” (“Hoje é um novo dia, de um novo tempo que começou…”) na programação de fim de ano da Globo e agora se deparem com o autor do jingle que nem sabiam.

Isso no Brasil. Porque lá fora Marcos domina pistas e palcos faz tempo. Sua carreira se voltou pra Europa nos anos 1990. E foi se renovando, embora ele tenha ficado nove anos sem gravar um álbum solo. Então este ano saiu o disco Sempre e ajudou a embalar a descoberta do músico por novos ouvintes. “Essa ligação com a juventude me traz combustível, é o que me move”, diz. “Se você não renovar sua música com outras gerações, a tendência é que fique na saudade, e eu não gosto de viver na saudade.”

O nome Sempre fala desse tempo com limites borrados. “Passado, presente e futuro são uma coisa só, não pode parar, vambora.” Pra não parar, Marcos cuida do corpo com musculação duas vezes por semana, caminhada no calçadão três vezes, alimentação equilibrada, um vinhozinho pra relaxar. Diz que até fez experiências, mas nunca foi muito das drogas – mesmo não tendo nada contra. Mas desde sempre foi mais do esporte: futebol, vôlei, surfe, windsurfe. Sem contar o lado muso do ciclismo posando sobre rodas quando lançou Bicicleta (1984) –Sei lá, quero só rodar / E andar por aí / Sem saber onde ir / Vento ventando, gente passando / Na roda um raio de sol, virando estrela…”.

Marcos conta que barato mesmo ele sente quando se apresenta. “Minha cabeça é música, música, música o tempo inteiro. E gosto das turnês, gosto de estar em aeroporto e principalmente gosto do palco. Por maior que seja o cansaço, quando você entra e vê resultado, volta pra casa como se tivesse tomado algumas drogas ou tivesse feito alguma coisa extra. Não tem comparação com mais nada.”

Gosta de viajar e gosta de voltar pra casa, na beira da praia no Recreio dos Bandeirantes, no Rio. É um cara solar por natureza e criação – carioca nascido e crescido perto do mar, com escapadas pras montanhas em Nova Friburgo. Mas no momento vê um tempo nublado. Cinzento, seu disco que sai em 10 de janeiro, e que além de composições de Emicida também deve contar com temas inéditos de Bem Gil, Domenico Lancellotti, Kassin, Moreno Veloso e Zélia Duncan, conversa com o álbum Previsão do Tempo, de 1973, pelos grooves e pela pegada política. “A gente está vivendo uma época cinzenta. O disco novo algumas vezes fala disso e outras vezes fala muito do amor. Porque, contra o ódio e a raiva, a melhor coisa é o amor.” 

Foto de abertura: Pedro Ladeira/Divulgação
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