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Toda a potência e delicadeza da cantora Nathi

Por Fernanda Nascimento -

Sabe aquela história da cantora que se muda para os Estados Unidos e é descoberta enquanto trabalha em um restaurante? Ela é levada para o estúdio de gravação e, num passe de mágica, canta suas músicas como se tivesse passado a vida inteira trabalhando com isso. Pois não foi nada disso que aconteceu com a cantora e compositora brasileira Nathi. “A gente tem esse sonho de filme da Disney, mas quando cheguei para estudar música em Los Angeles vi que tinham milhares de pessoas muito talentosas fazendo a mesma coisa que eu”, ri. “Ao me dar contar que não precisava esperar alguém me descobrir, comecei a correr atrás dos meus projetos e aprender a fazer tudo.” Não foi como no cinema, mas deu certo. Aos 22 anos, a cantora já lançou um EP, produziu outros artistas e gravou ao lado do produtor americano Timothy Bloom, vencedor de dois prêmios Grammy.

A primeira vez que Nathi embarcou para Los Angeles foi aos 15 anos, quando passou três meses estudando música no Musicians Institute. Foi o que precisava para ter certeza que era isso que queria fazer da vida. "Eu comecei a tocar piano quando eu tinha 10 anos e acho que cantar sempre foi uma coisa que estava dentro de mim", diz. Ao se formar no colegial, fez as malas, embarcou para os Estados Unidos e se dedicou a aprender tudo o que precisava para se tornar uma artista completa. "Fazer faculdade de música me colocou os pés no chão", conta. "Aprendi desde produção até a mexer no Photoshop. Percebi que todo mundo que dá certo começou sozinho."

Fotos: JP Faria

É preciso ter talento, é claro, mas a dedicação é uma parte importante do trabalho. E isso Nathi tem de sobra. Ela passa dias inteiros no estúdio experimentando, tocando e ensaiando. "A gente pensa que é fácil fazer música, mas a primeira que eu fiz saiu horrível", lembra. "É uma coisa que você tem que fazer todos os dias, todas as horas e ir pesquisando. Precisa ouvir muita música pra saber fazer música." Lauryn Hill e Erykah Badu são algumas das artistas em quem ela se inspira - não necessariamente pelo estilo musical, mas por serem autênticas e não copiarem os modelos que estão por aí. "Eu não quero seguir uma fórmula de sucesso. Pra mim tem que ser uma coisa da alma e acredito que assim meu estilo de música vai ganhar seu espaço sozinho", diz.

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Nathi estava em casa trabalhando em seu primeiro EP, Foreign, e num estúdio durante o dia quando recebeu uma mensagem no Instagram do produtor americano Timothy Bloom convidando para acompanhá-lo em uma gravação. Ela foi e daí nasceu uma parceria (e um relacionamento) que já dura dois anos. "Lançamos uma música juntos, Comfort Me, e estamos sempre fazendos shows em Los Angeles. Ele é muito talentoso e faz eu me desafiar sempre", diz. A dupla acaba de voltar da Jamaica, onde passou uma temporada no estúdio produzindo uma banda de reggae. "Acabei fazendo coisas que eu não sabia que eu podia fazer, foi uma viagem inspiradora. Ficar sempre no mesmo lugar te limita como artista. Tem algo sobre o clima, as pessoas, a comida... Quando você vê já está tocando de um jeito diferente, cantando sobre coisas diferentes."

Nesse vaivém de Nathi entre Los Angeles e São Paulo, a dupla também faz shows por aqui – o próximo acontece nesta quarta (19/12) no JazznosFundos, em Pinheiros. Tudo ainda é meio novo para Nathi mas, aos 22 anos, ela sabe muito bem onde está e onde quer chegar. "Agora quero produzir um disco, um trabalho completo", diz. "Eu só percebo que algo mudou na minha vida quando faço um show e as pessoas sabem a música ou quando vejo os comentários na internet. Quando você faz uma coisa dentro do seu quarto, expõe pro mundo e tem um feedback é um sentimento muito doido. E eu só quero continuar fazendo mais e mais pela música para dar para as pessoas o que eu sempre tive de outros artistas."