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O perigo do veganismo industrial e dos alimentos ultraprocessados plant-based

Por
Adriana Setti

Se você acha que hambúrguer feito de milho e linguiça de soja podem salvar a Amazônia, eis algumas verdades incômodas sobre a febre dos produtos ultraprocessados plant-based.

O consumo de alimentos com base vegetal está vivendo um boom mundial. De acordo com um estudo do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a Blue Horizon Corporation (BHC), os substitutos de produtos de origem animal (como hambúrguer vegetal ou “camarão” vegano, por exemplo) devem movimentar US$ 290 bilhões até 2035.  O relatório, intitulado “Food for Thought: The Protein Transformation”, revela que o mercado de proteínas alternativas crescerá dos atuais 13 milhões de toneladas métricas por ano para 97 milhões de toneladas métricas em 2035, quando representará 11% do mercado global de proteínas.

De acordo com a newsletter TheBrief, sobre negócios em tecnologia, o Brasil tem sido um dos países de maior interesse por parte das foodtechs focadas em produtos plant-based. E as gigantes da indústria alimentícia, como JBS, Nestlé e Unilever, também estão investindo pesado no segmento.

À primeira vista, pode parecer que o mundo até começou a caminhar para o lado certo, com a redução do consumo de alimentos de origem animal, cuja produção causa um impacto violento no meio ambiente e, no Brasil, está por trás do desmatamento da Amazônia, das mudanças climáticas, entre outros problemas. Mas a questão é bem mais complexa do que parece.“O veganismo deve ser o novo foco da soja brasileira”, diz Elaine de Azevedo (@elaine.de.azevedo), nutricionista e PhD em sociologia da Universidade Federal do Espírito Santo. Autora do livro “Alimentos Orgânicos” e do podcast “Panela de Impressão”, ela aponta que, ao invés de virar ração para animais, essa matéria-prima vai turbinar as empresas de produtos plant-based. “O sequestro do veganismo, além de garantir a concentração de renda do agronegócio e da indústria agroalimentar, ainda contribui para um tipo de greenwashing, ou seja, para limpar a imagem das indústrias de alimentos que serão, ilusoriamente, associadas a empresas éticas e ambientalmente comprometidas”, diz a socióloga. No decorrer deste post, em parceria com a Elaine, a gente traz algumas verdades incômodas sobre esse tema.