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54 horas na Pipa: receitas mediterrâneas, tratamentos energéticos e a melhor combinação entre praia e falésia do Brasil

Por
Adriana Setti

Com invejável catálogo de pousadas de charme, vida noturna pulsante e calor o ano todo (evite ir de abril a junho, auge da época de chuvas), a Pipa ainda tem ondinhas boas para o surfe, desde que você não se importe em compartilhá-las com saltitantes golfinhos.

Se hoje em dia é normal ser atendido por um sujeito de sotaque italiano em qualquer canto do litoral nordestino, foi na Praia da Pipa, no Rio Grande do Norte, que a invasão de doces bárbaros se fez notar primeiro. Com sua sequência demolidora de baías e falésias, a menos de duas horas do aeroporto internacional de Natal, esta praia potiguar caiu no gosto dos europeus, que contribuíram para internacionalizar a gastronomia local, ao passo que o vilarejo se desenvolveu (quase) sem perder a essência. A seguir, nosso guia para você descobrir a diva do Rio Grande do Norte.

Dia 1

17h
Começando com o pé direito (na areia)

Estrangulada por barracas de praia, a Praia do Centro não é onde você vai fincar o seu guarda-sol. Mas, no cair da tarde, é uma delícia para abrir os trabalhos com o pé praticamente na areia. No deque do canto direito, o Pipa Beach Club se empenha em transformar o fim do dia numa festa, com DJs e música ao vivo. Serve drinques com ambição de Pinterest e cardápio tão eclético quanto a programação musical.

21h
O Mediterrâneo é aqui

À noite, todos os caminhos levam à simpática Avenida Baía dos Golfinhos, a rua de paralelepípedos em torno da qual estão as lojas e bares do vilarejo, além de sua melhor vitrine gastronômica globalizada. No Tapas, a inspiração é espanhola, mas o jeitão do lugar e o tamanho das porções são bem brasileiros. Num salão arejado, serve pratinhos para compartilhar, como atum selado, ceviche, batatinhas aioli e polvo assado. Outra pedidas para viajar pelo Mediterrâneo, só que de frente para o Atlântico, são o Aprecíe, uma das estrelas culinárias do vilarejo, e o Dall’Italiano, especialista em pizzas e massas.

23h
Tranquilo, pero no mucho

Com suas mesinhas estrategicamente posicionadas num pequeno terraço, o Tranquilo é um dos melhores lugares para olhar o vaivém noturno da Avenida Baía dos Golfinhos e, eventualmente, ficar sabendo de alguma festinha para esticar a noite — elas rolam com força, principalmente durante o verão e nos feriados. Fica numa esquina animadíssima, onde artistas de rua costumam fazer ponto. 

Dia 2

Praia do Amor | Crédito: Reprodução/vivepipa.com

9h
Que amor

Acessível por uma escadinha na falésia, a Praia do Amor tem esse nome adocicado devido a seu formato de coração invertido. Poderia ter menos barraquinhas? Sim. Mas, abstraindo a poluição visual na areia, a praia mais ao leste do vilarejo é um espetáculo da natureza, além de ter ondinhas razoáveis para o surfe.

13h
Sabores locais

Na maré baixa, dá para caminhar da Praia do Amor até a Praia do Centro, um ponto estratégico para almoçar com vista para o mar. Logo na curva do morro você avistará o Orishas, uma delícia de bar de praia, com teto de sapé e vista privilegiada. Peça um bolinho folhado de camarão e, depois, um trio nordestino (carne de sol, macaxeira e queijo coalho). 

15h
Praia com upgrade

Aproveite a tarde para conhecer outra vedete da Pipa, a Baía dos Golfinhos, que definitivamente não tem esse nome à toa. Seguindo um pouco adiante, a Praia do Madeiro é outra paulada de beleza natural, protegida por uma falésia poderosa e densa faixa de vegetação. O Madeiro Beach Bar é a “barraca” mais incrementada da praia, com cadeiras e espreguiçadeiras de madeira e cardápio de restaurante. Boa oportunidade para traçar umas ostras da região com um espumante, ou um vinagrete de polvo com aquele almejado rosé. 

Jantar no Oca Toca, dentro da pousada Toca da Coruja: espetacular de dia e de noite | Crédito: reprodução

20h
Íntimo e discreto

O jantar mais especial das suas 54 horas tem tudo para acontecer na Oca Toca, restaurante da Toca da Coruja, uma das pousadas mais espetaculares do Brasil. Além de ter uma das adegas mais respeitáveis da Pipa, iluminação suave e ambiente tranquilo, serve criações ousadas como crocante de moqueca de siri com creme de curry, para começar, e peixe assado com castanhas caramelizadas. Feche com um petit gateau de doce de leite com calda de maracujá. 

22h
No pôr do sol, ou depois

No topo do morro que separa o centro da Praia do Amor, o Mirante Sunset Bar se divide em seis níveis diferentes que revelam lindas vistas do vilarejo e do mar. Além de ser um dos melhores lugares da região para ver o pôr do sol, segue noite adentro com festas temáticas, música ao vivo e DJs. 

Dia 3

Penhasco na Praia das Minas, a pouco mais de 2km ao sul da Pipa | Crédito: enjoylife2/iStock

8h
Rumo ao sul

A Pipa não só tem algumas das praias mais lindas do Brasil, como está cercada de várias outras beldades naturais, que rendem dois ou três dias de bate-voltas de encher os olhos. O mais imprescindível é o que segue em direção ao sul, parando no mirante Chapadão, na Praia das Minas, em Sibaúma (esteja lá na maré baixa para aproveitar as piscinas naturais) e na Barra do Cunhaú, famosa por suas fazendas de camarão. Para comer direto da fonte, a Fazenda do Camarão é o pit stop clássico, em Sibaúma. Se não estiver de carro, você pode fazer um passeio de jardineira (os bugues não podem circular pela praia e fazem trajetos menos espetaculares). 

15h
Intensivão zen

Para dar um restart de corpo e espírito, o lugar certo é o Spa da Alma, um mix de hotel e centro holístico, onde rola fazer retiro (spa week) ou embarcar em algum programa de terapia individual. O menu tem desde mapa astrosófico a reestruturação vibracional, passando por watsu e massagens diversas. 

18h
Comprinha, boquinha, sorvetinho

Ir e vir pelos paralelepípedos da Avenida Baía dos Golfinhos é o esporte oficial no comecinho da noite na Pipa. Ali estão lojinhas interessantes, como a Buriti, de artesanato, e a Cajuína, de roupas praianas. Entre uma comprinha e outra, faça uma boca na La Chiviteria, que vende sanduíches sarados ao estilo uruguaio. Depois, arremate com um sorvete artesanal da Real de 14, uma das mais garantidas do vilarejo. 

21h
Saideira

Num bonito galpão de madeira, Birring in Paradise é um pub tropicalizado que conta com uma lista de cervejas artesanais. Tem bancos em forma de arquibancada, além de mesas-balcão e barris que fazem as vezes de banco. O cardápio tem hambúrgueres, entre outras laricas para forrar o estômago. 

Foto de abertura: Ammonitefoto/iStocck