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Em Salvador, um endereço no Rio Vermelho oferece o melhor da cultura brasileira. Bem-vindo à Lalá Casa de Arte

Por
Juracy dos Anjos
Em
27 janeiro, 2020
Em parceria com

As transformações do Lalá, projeto do empresário baiano Ricardo Dantas que há cinco anos movimenta a cena cultural de Salvador.

O imóvel número 329 na rua da Paciência, no boêmio bairro do Rio Vermelho, em Salvador, se prepara para virar uma casa, no sentido mais afetivo da palavra. Há cinco anos, funciona ali o Lálá, projeto do empresário baiano Ricardo Dantas. Antes batizado de multiespaço, agora o casarão de quatro andares à beira-mar se transforma em Lalá Casa de Arte, um lugar para receber os amigos e os amigos dos amigos com eventos ainda mais inspiradores. “Vamos adotar esse conceito de casa, com uma programação mais diurna, como um café da manhã cultural”, diz Ricardo. 

A nova fase também chega com DJs tocando no pôr do sol com vista para a Casa de Iemanjá e o oceano Atlântico. Mas a programação no novo Lálá não será nada engessada. “A casa vai se transformando a cada evento, mas sem perder sua essência”, diz Ricardo. Conhecido por ser um anfitrião de mão cheia, ele conta que a entrada será por meio de convites antecipados, para que um amigo da casa chame outros amigos e assim por diante. Mesmo com o toque mais íntimo, o casarão, segundo Dantas, continua lutando por uma “arte democrática para que as pessoas possam assimilar, adquirir e ver” tudo o que passa por ali, como oficinas e exposições, além de fomentar novos artistas.

No próximo final de semana, nos dias 1º e 2 de fevereiro, para celebrar o Dia de Yemanjá, o Lálá realiza a 9ª edição do Festival Oferendas (ingressos aqui). Entre as 25 atrações programadas, estão Juçara Marçal, Josyara, Hiran, Marcia Castro, Tutu Moraes e Ubunto.

Fotos: Shai Andrade

Desde 2014, o Lálá dialoga com o cenário criativo independente, abrindo portas para nomes da cena contemporânea baiana como a cantora Lívia Nery e o rapper Hiran. O show que lançou o cantor em Salvador foi em uma das edições do Festival Oferendas, evento organizado na passagem do 1º para o dia 2 de fevereiro em homenagem a Iemanjá. Enquanto milhares de pessoas acompanham as manifestações culturais no Rio Vermelho, que ocupam a Paciência e a Praia do Vermelho, a janela do Lálá, no térreo, se abre num palco para a rua. “O Lálá foi o lugar que me fez aparecer. 

E tudo rolou porque Ricardo deu as caras, sem dinheiro nem incentivo, brigando para fazer a festa do dia 2 de fevereiro”, diz Hiran, que nasceu em Alagoinhas, a 122 quilômetros de Salvador, cidade onde vive Dantas. Depois disso, o rapper baiano cantou com BaianaSystem, BNegão e foi apadrinhado por Caetano Veloso. 

Pelo palco do Lalá já passaram artistas como Márcia Castro, Larissa Luz, Alice Caymmi, Moreno Veloso, Bem Gil, Mateus Aleluia, Letieres Leite, Baco Exu do Blues e o trio Metá Metá. “A casa se tornou um espaço de experimentações artísticas de várias linguagens e deu visibilidade a músicos que encontram certa dificuldade em divulgar seus trabalhos ao vivo”, diz Márcia Castro. “Na contramão do mercado, Ricardo abraçou os artistas e fez de seus trabalhos sua causa, dignificando a arte de cada um.” Esse é só mais um capítulo do sonho em construção que Ricardo compartilha com Salvador.  E pode fazer parte quem quiser. Basta saber a senha na porta: “ó de casa”. 


É nos botequins da cidade, entre os amigos reunidos em torno de copos de cerveja, petiscos e, com sorte, música boa, que mora a alma da boemia. O pessoal do dominó continua por lá, enquanto novos endereços pipocam pelas ruas do Brasil, provando que dá para se reinventar sem perder a tradição. A Bohemia gelada acompanha, mas o que importa mesmo são os encontros.