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54 horas em Ubatuba: surf, trilhas e praias desertas no pedaço mais fotogênico do litoral de São Paulo

Por
Adriana Setti
Em parceria com

Com mais de 100 praias e ilhas, a cidade tem um dos trechos mais inspirados da costa brasileira, com vários refúgios selvagens, altas ondas e cozinha caiçara de primeira.

Quase na fronteira entre São Paulo e Rio de Janeiro, Ubatuba tem um dos trechos mais lindamente recortados do litoral brasileiro. Numa sucessão de baías, penínsulas e pontais, há mais de 100 praias e prainhas cercadas pelo verde da mata atlântica, além de ilhas, como a Anchieta. Um dos destinos mais old school do litoral paulista, chega a beirar o intransitável nos feriados. Já nos finais de semana, os 230km de distância da capital paulista permitem um pouco mais tranquilidade. A sacada, no entanto, é estar ali fora de época, podendo escolher livremente onde fincar o guarda-sol — de março a setembro, diga-se, “Ubachuva” fica bem menos úmida do que no auge do verão. Mesmo que a especulação imobiliária tenha roubado parte da beleza das praias mais centrais, ainda há uma quantidade impressionante de refúgios naturais por explorar em trilhas de vários níveis de dificuldade. Pra surfar, a região também é um playground, apesar de Itamambuca reinar soberana quando o assunto é onda. A seguir, nosso guia pra 54 horas de surf, areias selvagens, cozinha caiçara e Corona gelada no fim da tarde.

DIA 1

Surf ao pôr do sol em Itamambuca, Ubatuba, no litoral norte de São Paulo | Crédito: Nelson Pigossi Jr./Unsplash

16h
Surf em Itamambuca: um mundo à parte em Ubatuba

Itamambuca é como um universo à parte dentro de Ubatuba, com suas ruas de terra, vibe tranquila e lifestyle que gira em torno do surf. Um dos melhores picos pra pegar no litoral de São Paulo, a praia também rende umas remadas tranquilas de SUP no rio do canto direito, que ganha uma luz cinematográfica no fim do dia. Mergulhe no repelente e fiquei lá até ver desaparecer o último raio de sol. 

21h
Onde comer em Ubatuba: jantar à luz de velas de frente pro mar

Com terraço aberto pra um jardim impecável repleto de bromélias, na frente da praia de Itaguá, o Terra Papagalli (Rua Xavantes, 537) é uma das boas surpresas gastronômicas de Ubatuba. A decoração rústica mistura cestos de palha com trabalhos de artesanato e a luz de velas compõem o clima. É o lugar ideal pra provar um peixe fresquinho do dia, acompanhado de uma especialidade ubatubense: palmito pupunha assado na própria casca. 

DIA 2

8h
Padaria Integrale: pro dia nascer feliz

No centro de Ubatuba, a Padaria Integrale (@padariaintegrale) é o tipo do lugar onde tudo é feito com carinho. Pro dia nascer feliz, pegue uma mesinha no terraço cercado de verde. Serve uma variedade enorme de pães artesanais, sanduíches, pão de queijo do bom, sucos naturais, açaí e produtos caseiros, como geleias, conservas, granolas… Resista aos bolos se puder e turbine sua manhã com um café bem tirado. 

10h
Brava de Camburi: uma praia secreta em Ubatuba

Aproveite o dia pra explorar o norte de Ubatuba, onde ainda é possível encontrar praias tranquilas — e até selvagens — em pleno século 21. Uma das maiores preciosidades da região é a Brava do Camburi. Em forma de meia lua, é totalmente deserta e cercada pela mata atlântica densa, que avança sobre a areia formando várias sombrinhas. A entrada da trilha, um pouco difícil de ver, fica na altura do km5 da Rio-Santos (antes do acesso da Cachoeira da Escada pra quem vai na direção de Paraty). O caminho até lá é íngreme e acidentado, mas tem menos de 500 metros. 

O premiado strogonoff de jaca verde, camarão e chips de banana do Caju Bar e Restaurante, em Ubatuba | Crédito: reprodução

13h
Caju, praia da Almada: cozinha caiçara com um twist

Pra almoçar perto do mar, desloque-se 15 quilômetros ao sul, até a praia da Almada (que tem água calminha e é boa pra boiar). Delícia de lugar, o Caju (@cajubarerestaurante) tem mesas de madeira sombreadas e guarda-sóis na areia. Serve peixes fornecidos pela comunidade de pescadores locais e frutos do mar no capricho. Escolha entre tainha assada e robalo na brasa. Ou dê corda à criatividade do chef, pedindo o strogonoff de jaca verde com camarão e chips de banana, prato vencedor do Festival Gastronômico de Ubatuba em 2019. A caipirinha de caju com limão siciliano é um primor.

15h
Praia no sossego em Ubatuba: Félix ou Brava da Almada

Depois do almoço, você estará rodeado de boas pedidas pra pegar uma praia no sossego. A opção mais à mão é caminhar até a Praia do Engenho (acessível por uma escada a partir da Almada) e, de lá, pegar a trilha para a Brava da Almada (30 minutos), quase deserta e boa pro surf — todo cuidado é pouco ao nadar em dias de mar agitado. Outra boa ideia é voltar 25km em direção ao centro de Ubatuba pra conhecer a praia do Félix, ainda muito preservada e, certamente, uma das mais bonitas da costa norte. Antes de descer, curta o visual do Mirante do Félix.

A Cachoeira o Prumirim: trilha a 2km da Praia do Félix | Crédito: Bruna Rodrigues/iStock

17h
Cachoeira do Prumirim: pra esfriar a cabeça

A caminho da Praia do Prumirim (2km ao norte do Félix), pare pra esfriar a cabeça na Cachoeira do Prumirim. Deixe o carro em algum estacionamento particular, porque parar no acostamento é multa na certa. Uma trilha curtinha leva a uma sequência de quedas suaves, com boas piscinas naturais. Evite o programa em feriados. 

18h
Fim de tarde de gala: Jundu Bar, na praia do Prumirim

O melhor lugar pra tomar uma long neck Corona trincando no fim de tarde é o Jundu Praia Bar (@jundupraiabar), na praia do Prumirim. Tem ferveção na medida certa e cadeirinhas de madeira direto na areia, à sombra de velas brancas. Famoso por seus pastéis, também tem boas porções de camarão (de vários tipos), lula à dorê e ceviche. Pra algo mais sério, encare a moqueca do dia ou o risoto de palmito.

DIA 3

Para conhecer a Ilha Anchieta e a praia da Enseada, em Ubatuba, prefira alugar o barco só para você | Crédito: Sergio Souza/Unsplash

7h
Passeio de barco em Ubatuba: Ilha Anchieta sem muvuca

Vista do mar, Ubatuba dá um show à parte, com suas montanhas gigantescas avançando sobre o Atlântico. Não à toa, os rolês de barco pelas ilhas da região são os mais cobiçados pelos turistas. Preservada por um parque estadual, a Ilha Anchieta é a grande estrela local. Mas há formas de vê-la driblando as aglomerações: saia cedo, fuja dos passeios de escuna e negocie com um barqueiro no Saco do Ribeira. Ao desembarcar na praia do Presídio, contrate um guia cadastrado do PEIA (Parque Estadual Ilha Anchieta) pra percorrer a trilha que leva à praia do Sul, que tem acesso limitado a 149 pessoas por dia, em pequenos grupos (vá de tênis e leve água e comida). Pra uma imersão mais radical na Ilha Anchieta, faça uma expedição de caiaque com a Ecovaletur (@ecovaletur-oficial), uma remada de 10km a partir da praia da Enseada.

12h
Sabores de Ubatuba: peixe com banana e visual incrível

De volta ao Saco do Ribeira, acomode-se no terraço do Peixe com Banana, que tem uma vista espetacular pra combinação mar e montanha típica de Ubatuba. O nome já dá o spoiler: a especialidade da casa é, de fato, o peixe com banana, ensopado e servido em panela de barro, com arroz e farofa. Também capricha nas receitas com camarão e outros frutos do mar. 

Trilha que leva à praia da Fortaleza, em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo | Crédito: Everton Souza Ramos/Unsplash

14h
Ecoturismo em Ubatuba: trilha das sete praias

Se bater uma preguiça depois do almoço, aproveite que você está pertinho de um dos maiores achados de Ubatuba. Acessível por uma escada que atravessa um condomínio, a praia da Santa Rita é um oásis de tranquilidade entre a Enseada e o Perequê-Mirim. Mas, se estiver na disposição, invista na Trilha das Sete Praias, um dos jeitos mais lindos de conhecer o sul da cidade. A travessia parte da praia da Fortaleza e passa por sete pequenas faixas de areia praticamente selvagens (do Cedro, Deserto, Grande do Bonete, Bonete, do Peres e do Oeste) até dar com a Lagoinha. O percurso tem 10km (só ida, esteja preparado pra voltar de Uber ou táxi) e inclui boa dose de subidas e descidas. Mas, entre uma e outra, rolam vários pit-stops pra recarregar a bateria com um pulo no mar. Você também cruzará com algumas quedas d’água, mirantes com vistas incríveis e bares rústicos.

20h
Ubatuba raiz: pizza no Perequim

Fundado nos anos 1970, o Perequim (@restauranteperequim) é um dos restaurantes mais antigos e queridos de Ubatuba. Com serviço simpático e jeitinho de cantina italiana, tem um terraço com mesas ao ar livre. As pizzas têm boa reputação, mas o vasto cardápio também inclui peixes, frutos do mar e massas artesanais, como capellini verde, uma criação da casa, servido à Toscana (molho de tomate, linguiça de javali e ervas) ou ao sugo. 


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