Seja de manhã, seja à noite (ou em jornada dupla), sempre arrumamos um bom motivo pra entrar debaixo do chuveiro.

NINGUÉM TOMA BANHO COMO O BRASILEIRO

O Brasil pode ter muitos problemas, mas a falta de banho não é um deles. Quem já andou de transporte público lotado no exterior sabe: quando o assunto é higiene, os gringos ainda têm muito a aprender. País do futebol? Que nada, a gente é campeão de chuveiro. Aqui, celebramos a nossa cultura cheirosa, explicamos de onde vem o hábito e listamos os benefícios do banho matinal ou noturno. 

Os brasileiros amam banho 99% da população brasileira toma banho de chuveiro ao menos uma vez na semana, contra 7% de banhos de banheira. Tomamos uma média de 2 banhos por dia, ou 14 por semana. No ranking global, o Brasil é líder. Logo atrás estão os EUA e a Alemanha, com 7 e 6 banhos de chuveiro por semana, respectivamente.  Fonte: Bathing Habits by Country 2025

Estudos indicam que a água morna à noite reduz o tempo pra pegar no sono e melhora a qualidade do descanso. Além disso, o banho noturno é um momento fértil pra criatividade e pra deixar as ideias fluírem. Mas de manhã também vale: ativa o corpo e ajuda a ficar mais alerta pro dia que vem pela frente.

A QUALQUER HORA

Fonte: TIME Wellness

Qualquer justificativa serve Está com frio? Banho. Calor? Banho. Precisando relaxar? Banho. Despertar? Banho. Quer ter boas ideias? Banho.

Desde a Antiguidade, babilônios, egípcios, gregos e romanos já valorizavam o banho, tanto pra higiene quanto pra fins de socialização e purificação. Na Idade Média, o banho caiu em desuso por questões religiosas e medo de doenças. Acreditava-se que cultivar uma crosta de sujeira na pele protegeria contra contaminações. Foi no século 19, com o avanço do saneamento e da ciência, que o banho virou símbolo de saúde e status.

DE ONDE VEM

Em um país tão desigual como o Brasil, o banho também carrega um significado social importante. Afinal de contas, segundo dados do IBGE, cerca de 15% dos domicílios brasileiros não têm acesso a água corrente — bem como boa parte das pessoas em situação de rua. 

UM MARCADOR SOCIAL

Raça informa a classe. Nesse contexto, a sujeira está muito associada à condição de pobreza e de marginalização social. Portanto, aparentar sujeira mostra que você está em um status social abaixo. Quando colocamos a questão racial nessa equação, isso ganha contornos mais demarcados. O asseio entra no lugar de representação social, aquilo que eu aparento ser. ___

Tulio Custódio, sociólogo, em entrevista ao portal PlayGround