Filmes e séries biográficos são a febre da vez nos cinemas e nos streamings. O que explica esse fascínio?
Só neste ano, Rita Lee, Ney Matogrosso, Raul Seixas e Cazuza ganharam produções sobre suas vidas. Na gringa, Bob Dylan foi interpretado recentemente por Timothée Chalamet e Angelina Jolie deu vida a Maria Callas. Em breve, ainda teremos Silvio Santos, Maurício de Souza, Janis Joplin, Michael Jackson, Bruce Springsteen e Madonna virando roteiros. A que se deve o sucesso das biopics?
Ou quase tudo. A gente ama saber os bastidores por trás da fama. Entender as escolhas, os erros e as vitórias de figuras públicas cria identificação e suscita curiosidade. Ainda mais com uma boa dose de drama bem roteirizado.
Os filmes biográficos musicais são tão populares porque combinam dois elementos narrativos poderosos: a música, que evoca conexões emocionais profundas, e as lutas pessoais dos artistas retratados. Esses filmes ressoam através das gerações, trazendo nostalgia ao público mais velho, enquanto apresentam ícones aos espectadores mais jovens. ___
Dermot McNamara, escritor e estudioso da cultura pop, à Harper's Bazaar
Cazuza, Boas Novas (2025) Homem com H (2025) Raul Seixas: Eu Sou (2025) Ritas (2025) Rita Lee: Mania de Você (2025) Senna (2024) Luiz Melodia – No Coração do Brasil (2024)
Personagens complexos rendem filmes envolventes e, muitas vezes, igualmente polêmicos. Elvis Presley, Whitney Houston, Michael Jackson… Gênios na música, caóticos na vida pessoal (e jurídica). O recente Oppenheimer (2023), sobre o “pai” da bomba atômica, mostra bem como contar a história de alguém pode esbarrar em dilemas éticos e históricos.
Não subestime um fandom: produções sobre a vida de personalidades com grandes bases de fãs são um prato cheio para os estúdios porque são garantia de bilheteria.
Marighella (2021) Bingo — O Rei das Manhãs (2017) Elis (2016) Tim Maia (2014) Dominguinhos (2014) Gonzaga — De Pai pra Filho (2011) Heleno (2011) Madame Satã (2002)
Mesmo vidas menos conhecidas e famosas, quando transformadas em cinema, ganham destaque, a exemplo de Erin Brockovich, cuja biopic rendeu um Oscar à Julia Roberts, e de Ainda estou aqui. É um charme diferente: não temos spoilers, mas somos instigados pelas reviravoltas e pelo enredo real.
Quando o filme vem com o selo “baseado em fatos reais”, as premiações já ficam de olho. Nesses casos, quanto mais o ator “desaparece” no papel, assumindo manias e trejeitos, mais chances de prêmio — caso de Jesuíta Barbosa como Ney Matogrosso, em uma performance elogiadíssima. Biopics viram, assim, vitrines de talento.