Estar com a “terapia em dia” transforma alguém em um ser humano mais elevado? Aqui, a gente levanta o debate sobre essa etiqueta que vem se tornando sinônimo de status e “selo de qualidade”.

ostentação psicanalítica

ostentação psicanalítica

Sim, fazer terapia é uma ferramenta poderosa pra cuidar da saúde mental e pode trazer inúmeros benefícios tanto pra quem passa por esse processo como às pessoas ao seu redor. Mas será que isso autoriza alguém a atuar como se pertencesse a uma espécie de casta mais elevada?

“Todo mundo deveria fazer terapia.” Você certamente ouviu essa máxima recentemente. No entanto, vale lembrar que tratamentos psicológicos não são acessíveis à maioria da população. “Terapia em dia” também pode ser interpretado como um sinal de status? Sim.

privilégio terapêutico

É fato que as terapias psicológicas são essenciais pra dar conta de uma crise mundial de saúde mental que se agravou muito com a pandemia. Só que também é importante reforçar que há outras formas de obter bem-estar psicológico, e que existe muita gente bem-resolvida e feliz que nunca deitou num divã.

A terapia está funcionando pra você? Que ótimo! Mas isso não quer dizer, necessariamente, que as pessoas com quem convive querem saber os detalhes do seu processo e ouvir você martelando que precisam de terapia, né?  

mala da terapia

“Algumas pessoas vivem uma iluminação analítica, que é parecida com a iluminação espiritual. Ou seja, começa a fazer a análise e acha que todo mundo precisa seguir esse caminho. Por um lado, é parte das relações humanas legais eu querer que algo que foi bom pra mim seja bom pra você. Mas, a partir de certo ponto, impor isso pro outro se torna uma coisa chata.”

Guilherme Facci, psicanalista e criador do podcast A loucura nossa de cada dia, no podcast Desenrola

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Já reparou que, de uns tempos pra cá, a expressão “terapia em dia” se tornou onipresente dos apps de namoro — sobretudo nos perfis de homens hétero?

os dois lados

O fato de mais homens estarem procurando ajuda pra lidar com questões psicológicas poderia, em tese, ser interpretado como uma boa notícia. Mas a banalização do uso dessa “etiqueta” como um selo de qualidade pode ser problemática.

não tão simples assim

Começar a fazer terapia pode ser um ótimo começo — ainda mais se isso realmente for verdade. Mas o processo terapêutico é longo e depende de inúmeros fatores pra surtir resultado. Ainda assim, não existe nenhuma garantia de que o analisado vai se tornar uma “pessoa melhor”.