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54 horas em Zanzibar: um lugar pra chamar de exótico no mundo

Por
Adriana Setti
Em
14 novembro, 2019

Um roteiro pra mergulhar no balaio cultural de Stone Town, a capital de Zanzibar, e exercer o “eu mereço” em algumas das praias mais estupidamente belas da costa da África.

Com praias brancas de esturricar a retina, à beira do infalível Oceano Índico, Zanzibar é o tipo do lugar pra chamar de exótico. Na costa da Tanzânia (país com que mantém um regime de semiautonomia política), a ilha herdou o islã do sultanato de Omã, e o gosto pelas especiarias do comércio com a Índia. A terra natal de Freddie Mercury ainda foi protetorado britânico (entre 1890 e 1963) e, mais recentemente, recebeu imigrantes da África continental, incluindo numerosos representantes da tribo dos Massai, que desfilam suas silhuetas esguias pelas areias de Nungwi e Paje, empenhados em treinar o inglês com os turistas. A seguir, um roteiro de 54 horas pra mergulhar no balaio cultural de Stone Town, a capital, e exercer o “eu mereço” em algumas das praias mais estupidamente belas da costa da África.

DIA 1

18h
A praça é nossa

Depois que o sol mergulha no Índico, o calor africano dá uma trégua e os Forodhani Gardens se enchem de vida. Pontilhada de jardins tropicais, essa grande praça à beira-mar abriga o principal mercado de street food de Stone Town, que faz as vezes de ponto de encontro entre moradores e (poucos) turistas. Enquanto as crianças brincam e as mulheres desfilam cobertas dos pés à cabeça (para não destoar, evite shorts e ombros à mostra), aproveite pra abrir o apetite com a famosa pizza de Zanzibar, que lembra uma esfiha aberta de massa mais “molhadinha”. 

O rooftop do Tea House, no hotel Emerson on Hurumzi | Foto: yellowzebrasafaris.com

19h
Chegue ao topo

Em clima de Mil e Uma Noites, o restaurante Tea House ocupa o rooftop do hotel Emerson on Hurumzi, revelando uma vista de 360o para o centro histórico de Stone Town. Além de lindo, repleto de luminárias e tapetes ornamentados, é o melhor lugar para provar a fusão entre as cozinhas persa e omani, animadinho com música típica ao vivo e drinques no capricho. 

DIA 2

9h
Vai um cafezin?

Leo, um mineiro sangue bom, é a alma por trás do Puzzle Coffee Shop, um café de pegada hipster no coração de Stone Town. Passe lá pra tomar um expresso tirado com carinho, acompanhado de muffins e outros quitutes, e aproveite pra saber (em português) as boas do findi na cidade.

Esculturas em tamanho real no jardim do antigo mercado de escravos | Foto: MariusLtu/iStock

10h
Cidade de pedra

Tombada como patrimônio universal pela Unesco desde 2000, Stone Town é uma viagem no tempo formada por souks (mercado árabe) e labirintos de ruas estreitas que desembocam em pracinhas sombreadas por mangueiras colossais. Por todos os lados, há casarões em estilo islâmico que, mesmo baqueados pelo abandono, remetem ao legado do sultanato de Omã, que enriqueceu com o tráfico de escravos, o comércio do marfim e a exportação de especiarias – as portas de madeira trabalhada são verdadeiras obra de arte. Um dos edifícios mais chamativos é Palácio Beit-al-Ajaib, erguido por Barghash Bin Said, o segundo sultão de Zanzibar. Também é imprescindível visitar o antigo mercado de escravos, que ainda conserva as antigas celas onde homens e mulheres eram estocados como mercadoria. Ao lado do lugar, uma série de esculturas de escravos em tamanho real estão atadas com correntes originais. Um tapa na cara.

12h
Estilo próprio

Ponto de convergência entre as culturas banto, árabe e indiana, e salpicada por influências europeias, Zanzibar acabou criando uma estética própria, que se reflete na arte, no design e na moda – desde 2013, a ilha tem até a sua fashion week. Estampas geométricas, cores estridentes, adornos pra cabeça e acessórios vistosos marcam o estilo local (foto). Em meio ao labirinto de Stone Town, procure a loja da Fahari, fundada pela designer londrina Julie Lawrence, que treinou um time de costureiras locais pra produzir uma linha de bolsas e joias com sabor africano. Também vale investir na Memories of Zanzibar, que tem um bom apanhado de cerâmicas, pareôs, bolsas, joias e souvenires de qualidade.

O banquete de curries do restaurante The Silk Route | Foto: reprodução

13h
Sabores locais

Pra provar os sabores condimentados de Zanzibar, junte-se aos locais no popularíssimo Lukmaan, que tem um ótimo bufê de comida local “com sabor de mãe”. Para algo mais refinado, vá ao The Silk Route, onde a cozinha indiana ganha um twist africano. 

17h
Hakuna matata em Nungwi

“Hakuna matata” quer dizer no problem em suaíli e, em Nungwi, ao norte da ilha, o espírito é exatamente esse. Caia no xaveco de algum local pra fazer sunset cruise com música ao vivo a bordo de um dhow (barco tradicional movido por uma vela enorme) e deixe-se levar pelo balanço dos tambores, enquanto um degradê de laranjas e vermelhos invade o céu. 

19h
Noites tropicais

Na noite morna de Nungwi, todos os caminhos levam ao deck do Essque Zalu, um dos melhores lugares para tomar um drink sobre o mar. Depois, jante no Badolina, um dos picos mais estilosos da praia, inteirinho feito de bambu e palha. O cardápio dá a volta ao mundo, com escala no ceviche e no shakshuka israelense. Com sorte, você topará com uma musiquinha ao vivo e outros mzungus (estrangeiros) a fim de se enturmar.

DIA 3

8h
Clichê de paraíso

No extremo norte de Zanzibar, a ilhota de Mnemba é onde a combinação entre areia branca e mar cristalino dá o melhor de si, num cenário de arrancar lágrimas. Se não estiver podendo ficar hospedado no &Beyond Mnemba Island, de luxo à moda Robinson Crusoe, faça pelo menos um passeio de barco para mergulhar de cilindro ou snorkel. 

A beleza real da praia de Matemwe, com pescadores e crianças | Foto: JJSPepite/iStock

11h
Vida real

Bem menos desenvolvida que Nungwi, a praia de Matemwe é um ótimo lugar para conciliar a beleza virgem do Índico com um pouco de vida real. Ali você verá poucos hotéis, entre casas feitas de areia com fragmentos da barreira de corais e crianças maltrapilhas que caminham quilômetros até as poucas escolas – “pen, pen!” (caneta! caneta!), gritam elas para os turistas. Pra passear pelo vilarejo, nem pense em ir em traje de banho: adote a mesma etiqueta válida em Stone Town.

O restaurante The Rock, na praia de Pingwe: deleite dos instagrammers | Foto: Ostill/iStock

13h
No meio do mar havia uma pedra

No sul da ilha, na praia de Pingwe, fica uma das imagens mais famosas da ilha: The Rock. Encarapitado sobre uma rocha solitária em meio ao mar turquesa-neon, o restaurante é objeto do desejo de instragrammers do mundo todo. Precisar, nem precisava, mas também tem uma cozinha respeitável, focada em frutos do mar e clássicos italianos tropicalizados. Reserve com antecedência. 

15h
Segurando vela

Uns 14 quilômetros ao sul do The Rock, Paje é outra parada obrigatória de Zanzibar. Com uma longa faixa de areia branca, a praia é o melhor ponto da ilha pra praticar o kitesurf. A chegada de velejadores do mundo todo fez com que o lugar se desenvolvesse em ritmo acelerado nos últimos anos, com a instalação de várias escolas e locadoras de equipamento, como a Kite Dream Zanzibar e a Zanzibar Kite Paradise.

Kitesurfe na praia de Paje: de carona no vento | Foto: kasto80/iStock

18h
De vento em popa

No embalo do vento, também surgiram hotéis charmosos como o Mr Kahawa, que tem quartos incríveis com teto de bambu e palha, décor inspirada no estilo local e um ótimo restaurante pé na areia. Acomode-se num dos pufes e deixe a tarde cair com um drink em mãos. Depois, peça um polvo fresquinho pra jantar.