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Plástico na corrente sanguínea: o que isso pode causar em nosso corpo?

Por
Adriana Setti

Pela primeira vez, cientistas holandeses encontraram microplásticos na corrente sanguínea de seres humanos, chamando a atenção para a gravidade desse problema invisível.

Nós já sabíamos, por meio de estudos científicos, que o microplástico presente na água, nos alimentos e no ar estava sendo absorvido pelo nosso organismo. Mas um novo estudo acabou de comprovar que essas partículas estão circulando por nossas veias. Entenda o que isso significa.

Foto: Azra Tuba Demir/Pexels

Homo plasticus

Divulgado recentemente, o estudo holandês analisou amostras do sangue de 22 doadores e encontrou partículas micro e nanoplásticas (ainda menores) em 17 deles, ou seja, em quase 80% dos participantes. Algumas amostras continham dois ou três tipos de plástico. Metade das amostras tinha fragmentos de garrafas PET, enquanto um terço estava contaminada com poliestireno, o isopor, que já sai de fábrica soltando bolinha. Em um quarto dos participantes, foi detectada a presença de polietileno, o material do qual são feitas as sacolinhas plásticas que, em pleno 2022, ainda são distribuídas em lojas e supermercados brasileiros. E aí? Será que você é B negativo ou PET positivo?

Plástico por todo lado: Na água, na comida e no ar

Uma quantidade assustadora de resíduos plásticos é despejada no meio ambiente todo dia, no mar, em rios, lagos, represas e até no topo do Evereste. Estima-se que, só no fundo do oceano, haja 14 milhões de toneladas de microplásticos. E nós absorvemos esse lixo através da água, da comida e do ar.

Saúde de plástico

O que esse estudo traz de novo é a comprovação de que as partículas podem viajar pelo corpo e se alojar nos órgãos. O impacto disso na saúde ainda é desconhecido, mas testes de laboratório já mostraram que os microplásticos causam danos às células humanas. Um outro estudo recente descobriu que eles podem se prender às membranas externas dos glóbulos vermelhos, limitando sua capacidade de transportar oxigênio. As partículas também foram encontradas nas placentas de mulheres grávidas. Em ratas grávidas estudadas em laboratório, elas passaram rapidamente para os pulmões coração, cérebro e outros órgãos dos fetos.

Thilafushi, nas Maldivas: ilha de lixo | Foto: reprodução

Mamadeiras na mira

Pesquisas anteriores também revelaram que havia dez vezes mais microplásticos nas fezes dos bebês em comparação com os adultos, o que sugere que as crianças alimentadas com mamadeiras plásticas podem estar engolindo milhões de partículas por dia.

“Pesquisas mais detalhadas sobre como os micro e nanoplásticos afetam as estruturas e os processos do corpo humano, e como eles podem transformar as células e provocar câncer são urgentemente necessárias, principalmente à luz do aumento exponencial da produção de plástico. O problema está se tornando mais urgente a cada dia.” Trecho da conclusão de um estudo publicado na semana passada sobre a relação entre o câncer e o microplástico, na revista Exposure and Health.

Torneio de Pesca de Plástico promovido recentemente pela cervejaria Corona no Litoral Norte de SP | Fotos: divulgação

Mesmo assim, as previsões são de que a produção de plástico triplicará até 2040. Por isso, todas as iniciativas que visam reduzir o consumo de plástico ou retirá-lo do meio ambiente são válidas, como o Torneio de Pesca de Plástico que a cerveja Corona organizou no Litoral Norte de São Paulo em março. ONGs como a Route Brasil e o instituto Ecosurf, entre muitas outras organizações, têm o mesmo propósito.

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