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Essa espuma sintética pode ajudar a eliminar o óleo nas praias do Nordeste brasileiro

Por
Lilian Kaori Hamatsu
Em
30 outubro, 2019

Olivia Yassudo e Fernando Martins querem ajudar a eliminar o óleo que avança pelas águas de cerca de 240 praias do litoral nordestino. Ao lado do químico Lauro Cuevas, a dupla está por trás da Fohm.Life, startup biotecnológica de um só produto: uma espuma capaz de absorver os derivados de petróleo que ameaçam 1/3 da costa brasileira naquela que já é a maior agressão ambiental na história do país.

Criada a partir de uma resina sintética expandida, a espuma atua na absorção de hidrocarbonetos presentes em óleos vegetais e minerais, como o petróleo, por exemplo. A Fohm.Life funciona tanto em ambientes terrestres quanto aquáticos, agindo sobre resíduos líquidos, sólidos ou gasosos. Além disso, é completamente biodegradável dentro de um ciclo de 28 dias a partir do uso. Após o contato com o produto, as substâncias indesejadas são inteiramente consumidas por microorganismos.

Na paradisíaca Moreré, próxima à ilha de Boipeba, na Bahia, Fernando já comanda a doação dos primeiros 24 quilos da espuma biodegradável. Desde 2017, ao lado de Olivia, ele tenta conquistar a liberação da fohm.life pelo Ibama. Sem respostas, a dupla abre mão da comercialização em prol do auxílio gratuito aos voluntários que combatem com as próprias mãos uma das maiores agressões ambientais registradas durante o ano. “Há duas semanas, Moreré enfrenta a aparição diária de novas manchas de óleo, espero que nossa espuma de fonte 100% vegetal possa ajudar essa galera”, afirma Fernando.

Embora a fohm.life tenha surgido como fruto da sinergia entre o trio em 2014, as pesquisas utilizadas no desenvolvimento da espuma tiveram início em novembro de 2002. Na data, o navio petroleiro Prestige afundou na costa espanhola e Lauro começou a pensar maneiras de evitar que o desastre se repetisse. “Estava na cozinha de casa quando vi as imagens do derramamento de milhões de litros de óleo no mar da Galícia e fiquei totalmente impactado”, afirma o químico.

Paralelamente, Olivia integrava o Projeto Maré, que tinha como intuito habilitar pescadores no processo de coleta de lixo e descarte correto do material. Fundadora do Coletivo Amor de Madre, a empreendedora decidiu fechar a galeria de arte para se dedicar inteiramente ao novo projeto. Fernando, seu sócio e companheiro nas descobertas de soluções ecoeficientes, segue conciliando o trabalho com mármore e as atividades socioambientais. Juntos, os três colecionam laudos que comprovam o potencial qualitativo da espuma e sua não-toxicidade aos animais marinhos, mas enfrentam a ausência de políticas públicas relacionadas ao trabalho que desenvolvem, um ambiente financeiramente instável para a consolidação da marca e inúmeros contratempos burocráticos.