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Viver em comunidade: as opções criadas para a galera entre os 25 e 40

Por Lilian Kaori Hamatsu -

Ao passo que a especulação imobiliária cresce freneticamente e os aluguéis encarecem, o desejo de viver em regiões bem localizadas e áreas nobres das grandes cidades parece cada vez mais distante de quem busca um novo lugar pra chamar de seu. Embora aumentem o preço do metro quadrado, fatores como mobilidade urbana, otimização do tempo e sustentabilidade são primordiais e decisivos na escolha dessa galera.

Como alternativa ao paradigma, construtoras, escritórios de arquitetura e designers de interiores passaram a desenvolver novos conceitos em moradia com foco no público entre 25 e 40 anos (gerações y e z). Segundo pesquisas da WGSN, líder mundial em previsão de tendências, esses indivíduos passam mais tempo em casa, não pretendem ter filhos, prezam por experiências e valorizam um tipo de organização intuitiva (à la Marie Kondo).

É por isso que, além de mais acessíveis, os novos espaços são dinâmicos, esteticamente hedonistas e de fácil acesso via transporte público, bicicleta, patinete ou pequena caminhada dos principais pontos de interesse dos moradores. O segredo pro equilíbrio dessa equação? Um tamanho compacto, alguns ambientes compartilhados e a eliminação de processos burocráticos. Em cidades como Frankfurt, Barcelona, Copenhague e São Francisco, por exemplo, o coliving (e coworking, muitas vezes no mesmo espaço), já é uma realidade presente. Aqui, algumas razões para aderir ao house on demand ou, talvez, ao coliving em São Paulo.


Uma casa em dois toques

Quando Alexandre Frankel fundou a Vitacon em 2009, o intuito era suprir a demanda por moradias que respeitassem a mobilidade urbana e a rotina atribulada dos jovens adultos paulistanos. Após anos de dedicação aos apartamentos compactos e inteligentes sob o selo da marca, o engenheiro lançou a plataforma Housi e acabou criando o primeiro modelo de negócio desse tipo no mercado nacional de locação de apartamentos.

Por meio do aplicativo, é possível conectar proprietários de imóveis associados à Vitacon aos interessados de maneira simples e rápida. O sistema reproduz o modelo já utilizado por buscadores de hotéis e, a partir de algumas informações, são disponibilizados apartamentos equipados e mobiliados para estadia por temporadas de 1 dia a 36 meses. Todas as transações bancárias e contratuais são realizadas de maneira imediata e 100% digital.

Em funcionamento desde 2017, a Housi agora apresenta também outros diferenciais: bicicletas, patinetes e carros disponíveis em frente aos prédios em sistema pay-per-use, hortas, academias, lavanderias e ferramentas domésticas compartilhadas, além de espaços dedicados ao coworking e uma parceria com a Rappi, que permite adquirir alimentos e bebidas grab’n’go via QR code e até mesmo alugar imóveis diretamente pelo aplicativo de logística.


Compartilhar é viver

Evolução do conceito popularizado pelas repúblicas estudantis e comunidades alternativas, o coliving possibilita a locação de imóveis privativos com áreas comuns compartilhadas ou até mesmo de um único apartamento por moradores que não se conhecem.

As principais razões para o crescimento da vertente são o desinteresse por contratos a longo prazo e a migração urbana cada vez mais frequente entre os jovens. Nesse cenário, a partir de alguns poucos documentos e um depósito referente ao valor a ser pago mensalmente, já é possível se mudar no mesmo dia. Assim como na house on demand, os imóveis são mobiliados e os espaços de coworking ganham cada vez mais destaque.

Com cerca de 240 apartamentos que variam entre 23 e 44 m², o Kasa 99 foi o primeiro coliving construído no Brasil. Inaugurado há um ano, possui área comum de mais de mil metros quadrados e foi desenvolvido pela construtora Gamaro no intuito de ressignificar um terreno sem aproveitamento no entorno de algumas faculdades da Vila Olímpia. De lá pra cá, praticamente todos os imóveis foram ocupados e outras empresas já ensaiam lançamentos próprios.

Foto de abertura: coliving em Tenerife, na Espanha