Solar People

Como a travel writer Jade Moyano pode te inspirar a também viver na estrada

Por Laura Cesar -

É possível dar uma volta ao mundo em poucos minutos de conversa com Jade Amazonia Moyano. Isso porque ela é uma escritora que leva um estilo de vida nômade e passa grande parte do seu tempo saracoteando de um lugar pro outro em busca de boas histórias pra contar. O seu negócio é fazer relatos de viagens, seja dando dicas em reportagens, seja traçando tendências de cultura ou descrevendo experiências mais subjetivas vividas em cada destino para marcas e veículos como Condé Nast Traveler e Monocle. Para ter uma dimensão da rotina dessa Paratiense que vive fora do Brasil há 16 anos, somente no primeiro semestre deste ano ela fez da Indonésia o seu escritório duas vezes, passou pelo Brasil, pelo México e pela Costa Rica, e agora inicia uma temporada fixa em San Francisco, na Califórnia, para um novo desafio: ser uma das mentes criativas dos projetos de comunicação do Airbnb. Aliviada, conta que daqui alguns meses poderá voltar a trabalhar remotamente. “Tenho que ter a liberdade de viajar senão meu lado criativo não flui”.

Não é à toa que já são cerca de 50 países carimbados no passaporte. Se o tempo deu uma enferrujada no seu português, ele trouxe no lugar o conhecimento de três novos idiomas – inglês, espanhol e italiano –, e quase duas décadas de muita aventura transoceânica. Aqui, Jade conta os segredos pra levar uma vida com mais desprendimento, apresenta seu novo projeto Trust and Travel , que desenvolve retiros internacionais focados em escrita criativa, e fala sobre o verão.

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Alma brasileira, espírito livre

Caiçara nascida em Paraty 32 anos atrás, Jade tem espírito livre desde que se entende por gente. Ao lado de cinco irmãos, passou a infância e a adolescência num pequeno sítio sendo submetida a poucas regras. Ela ia e voltava da escola a pé, acampava no fim de semana, nadava na cachoeira e subia na árvore por diversão. Influenciada pelo pai argentino e pela efervescência cultural da cidade praiana, que até hoje é movimentada pelo turismo, Jade tinha o sonho de cruzar a fronteira do Brasil. Não demorou muito até isso acontecer. À convite de uma tia que morava nos Estados Unidos, se mudou para East Hampton, em Nova York, para fazer high school. Pouco depois entrou na faculdade de ciências políticas no Hunter College e, desde então, assumiu a condição de globetrotter.

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Você sempre idealizou esse estilo de vida viajante que tem hoje?
Sempre sonhei em viajar, mas nunca pensei em ser escritora, apesar de ser um negócio que eu gostava de fazer pra mim mesma. Quando tinha 15 anos queria ir morar sozinha na Itália. Na época, encanei com a ideia, aprendi um pouco de italiano assitindo a vários filmes, mas acabei não indo pra lá. Eu acredito em astrologia e tenho três planetas em sagitário, então é natural pra mim passar muito tempo fora. Acho até que não viajo o suficiente. Se fosse por mim eu ficava o tempo todo viajando. Eu só paro por conta do trabalho, pois levo meus negócios bem a sério. Não quero ficar rodando o mundo sem propósito, então faço isso com a intenção de evoluir profissionalmente.


Vida de escritora

Antes de se entender como escritora, Jade tinha vontade de seguir carreira em relações internacionais e trabalhar na ONU com projetos humanitários. Mas quanto mais se envolvia com política, mais se sentia reprimida e imersa numa área com pouca abertura pra novas ideias. Passou então a escrever textos mais subjetivos num blog pessoal pra desenvolver seu lado artístico e se conectar com a sua origem caiçara e livre. “Comecei a me perguntar: o que eu faria se não tivesse que me preocupar com dinheiro? Foi a primeira vez que pensei em ser realmente escritora. Me dediquei a esse sentimento guardado em mim e agora tenho uma carreira que nunca imaginaria ter. Acho que vim pro mundo pra fazer isso: me comunicar e ajudar as pessoas a fazerem isso. É como dar voz ao povo”.

As oportunidades foram surgindo e, pouco a pouco, Jade começou a contribuir para algumas revistas americanas. Muito ligada no que acontecia em Nova York, cidade que morava na época, passou a escrever sobre cultura, lifestyle e viagens – quando surgia a oportunidade de escapar pra outros lugares.

Hoje, o seu foco é a produção de conteúdo para marcas e o novo projeto pessoal, Trust and Travel, cujo foco é desenvolver retiros internacionais para escritores e aspirantes da área da comunicação. Antes de começar no Airbnb como escritora criativa e storyhunter dos projetos editoriais da plataforma, Jade trabalhou num coworking para nômades digitais em Bali. Também passou alguns anos na Habitas, rede mundial de hotéis, se dividindo entre Nova York, Indonésia e Los Angeles.

Foto do Verana Hotel Boutique, onde será realizado o primeiro retiro do Trust and Travel

Explique um pouco mais sobre o seu novo projeto, Trust And Travel?
É um projeto que criei por amor. O Trust and Travel é um negócio que comecei porque sempre achei importante ter uma plataforma pra trocar com as pessoas. Desde que comecei a escrever, leitores me perguntam como é montar uma pauta e colaborar pra uma revista, então estou desenvolvendo retiros pra escritores e aspirantes em diversos lugares do mundo. O primeiro será em Yelapa, no México (entre os dias 10 e 15 de outubro), num hotel-butique maravilhoso. Já vendemos metade dos ingressos. Trouxe uma escritora super talentosa pra me ajudar com isso e vamos fazer vários workshops. Terá desde oficinas de poesia e jornalismo de viagem, até momentos para trabalhar linguagem sensorial, desenvolvendo técnicas pra descrever o que vê de uma maneira mais expressiva. Tudo isso mesclado com aulas de meditação e yoga pela manhã – é importante você se conectar com si mesma antes de começar a escrever. Quero que seja algo bem liberal, aberto e espiritual.


Vibe solar

Quando não está viajando ou escrevendo, Jade está pesquisando tendências globais, saudando o sol no seu mat de yoga ou desfrutando do clima ameno de San Francisco que, segunda ela, é uma das últimas cidades da Califórnia a receber o clima quente de julho. Apesar disso, o período é ótimo pra fazer trilhas e acampar com céu estrelado num dos parques nacionais da região, e é assim que a escritora tem aproveitado os dias de verão por lá.

São tantas novidades e planos futuros que sobra pouco tempo pra sentir falta do Brasil. Além de torcer pelo crescimento do Trust and Travel, Jade sonha em ter seu próprio bed and breakfast para receber hóspedes de todo o mundo. Enquanto esse momento não chega, ela segue escrevendo sobre a vida de shorts e camiseta. Não tem o que reclamar.

A prática de yoga é recorrente em suas viagens

De todos os lugares que já visitou, qual o seu destino preferido para viver um eterno verão?
Caribe e países latinos tem mais ânimo e entusiasmo. Mas todos esses lugares tem um clima que oscila um pouco, então acredito que o Brasil seja um dos poucos lugares que, de fato, tem verão o ano inteiro. E Bali, apesar de chover muito em dezembro e janeiro, é quente e tem um clima muito gostoso sempre.

Foto de abertura: Nianga Niang