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Manaus e arredores: pesca de piranha num afluente do Rio Negro

Por
Fernanda Nascimento
Em
8 janeiro, 2019
Em parceria com

Depois de pescar piranhas num lago no fim de um igarapé, é hora de experimentar a tradicional caldeirada preparada nas casas dos ribeirinhos que vivem nas margens do Rio Negro

Tudo gira em torno das águas em Manaus. Cercada pelos rios Negro e Amazonas e mais um punhado de igarapés, a cidade tem parte de sua cultura ancorada nos cursos d’água. Os peixes servidos nos restaurantes da capital do Amazonas nadam nos arredores, mas alguns deles são uma tradição restrita aos ribeirinhos, nome dado a que vive na beira dos rios. Uma das espécies mais comuns naquelas águas, a piranha, faz parte da alimentação dessa população que mora em casas flutuantes próximas à Manaus. “Comer piranha na beira do rio é uma tradição do Amazonas”, explica o pescador Jorge Seabra de Araújo.

É Jorge quem nos leva num barquinho que sai do porto de Manaus navegando pelo Rio Negro. O caminho segue por um de seus afluentes, batizados de igarapés. Há dezenas deles na Bacia Amazônica, tão estreitos que só podem ser navegados por pequenas embarcações. A vegetação se abre ao chegar num lago, onde há milhares – sim, milhares – de piranhas. “Onde você colocar uma isca com anzol você pesca uma”, diz Jorge. “Tem um lago aqui perto, o Lago dos Reis, que não dá nem para encostar a mão na água que os peixes levam seu dedo.”

De fato, as piranhas são peixes carnívoros, mas não é preciso ter medo delas naquele lago, Jorge avisa. Sentado na proa do barco, ele corta uma peça de carne em pequenos pedaços para se transformarem em iscas. “’É coração de boi”, explica. “É o que as piranhas mais gostam.” Ele encaixa a isca na ponta da linha e entrega a vara de pescar: “Agora é só jogar na água. Mas tem que ficar atento porque esses peixes são velozes.” São necessárias algumas tentativas – e muitas iscas – até vencer a velocidade das piranhas e pescar a primeira. Jorge já colocou uma coleção dentro de um balde e ri: “A piranha é um peixezinho fácil de pegar. Todo mundo consegue na primeira vez”

Fotos: Doma02

Pescados os peixes, seguimos de barco para o distrito de Cacau Pirêra, na margem oposta a Manaus no Rio Negro. Ali, nas casas flutuantes no meio da floresta, a piranha costuma fazer parte do cardápio. Na casa do seu João, ela vai para a panela se transformar numa caldeirada. “A gente coloca água, tempera e bota pra cozinhar”, explica Jorge. “Depois de uns vinte minutos já está pronto para comer”. O almoço é ali mesmo, no deck de madeira flutuante que faz as vezes de varanda da casa. “Isso é tradição, é a cultura ribeirinha”, diz. “Com essa experiência dá para saber como é um pouco da vida no interior do Amazonas.”

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